Walter Montillo voltou para casa. Embora seja argentino, a sua casa é a Universidad de Chile, clube pelo qual se tornou o jogador conhecido no continente que é atualmente. Aos 35 anos, depois de momentos duros em que chegou a anunciar o fim de carreira após uma passagem repleta de lesões no Botafogo, retornou ao futebol para defender o Tigre, na Argentina, e agora volta ao clube que o consagrou. Defenderá La U, onde, espera, possa ajudar o clube em um momento difícil da história dos universitários.

Montillo tem uma história imensa com a camisa da Universidad de Chile. Formado pelo San Lorenzo, em 2002, ficou no clube até 2006, sem muito destaque. Foi emprestado ao Morelia, do México, até 2007. Foi em 2008, porém, que sua história mudou. Vendido à Universidad de Chile, tornou-se um jogador de destaque.

Em 2010 teve o seu ano mais bem-sucedido. Conduziu La U a uma campanha histórica na Libertadores, eliminando o Flamengo, campeão brasileiro no ano anterior, e que contava com Vagner Love e Adriano Imperador no ataque. O seu desempenho espetacular nesses dois jogos, com direito a um gol de cobertura no jogo de volta no Chile, lhe rendeu uma notoriedade grande no Brasil. Em agosto daquele ano, foi contratado pelo Cruzeiro, onde também faria campanhas importantes e se tornaria um jogador de muito destaque – a ponto de ser convocado para a seleção argentina, em 2011.

Foi para o Santos em 2013, onde não conseguiu ter o mesmo destaque que viveu em Belo Horizonte. Foi vendido à China, onde defendeu o Shandong Luneng de 2014 a 2017, quando decidiu retornar ao Brasil para jogar pelo Botafogo. Ficou no clube de General Severiano de janeiro a junho daquele ano, quando decidiu encerrar a carreira por causa das seguidas lesões e dores.

Em janeiro de 2018, porém, decidiu voltar ao futebol, convencido pelo Tigre. No clube argentina, teve destaque e conseguiu novamente brilhar com a bola nos pés. Mesmo assim, viveu um drama, com o Tigre sendo rebaixado no Campeonato Argentino, contrastando com a conquista do título da Copa Superliga, que levou o time à Libertadores nesta temporada 2020, mesmo disputando a segunda divisão.

Dois anos depois do seu retorno aos gramados, Montillo acerta o seu retorno ao Chile para defender o clube que o tornou tão grande em toda América do Sul. Espera, assim, encerrar a sua carreira com uma história bonita com um clube que se identificou nos três anos que passou por lá.

“É uma felicidade enorme poder estar aqui, me colocar à disposição do clube. Voltar para La U é um sonho que se faz realidade. Sempre foi meu desejo voltar. É um sonho meu e familiar”, contou o argentino, em sua coletiva de apresentação no novo-velho clube.

A recepção do jogador no aeroporto já demonstrou um pouco do imenso carinho que a torcida do clube chileno nutre pelo camisa 10. “O dia começou bonito. A recepção foi muito efusiva. Passaram 10 anos desde que eu saí, daqui e não sabia que seria dessa maneira, que o carinho iria estar intacto. A verdade é que é uma alegria enorme”, continuou Montillo.

Walter Montillo com a camisa 10 da Universidade de Chile (divulgação)

“Desde que saí daqui, minha carreira esteve em ascensão, é por isso que sempre quis voltar La U era onde eu explorava minhas habilidades e não esqueço disso. Volto para ajudar o clube que me fez crescer como jogador. Muitas vezes fiquei perto, não gosto e gerar polêmica, mas por problemas contratuais, não foi possível. Desde que estive na China, meu sono é falado em La U, mas a cláusula de rescisão era muito alta, era difícil”.

O jogador esteve nos planos da Universidad de Chile desde o presidente passado, Carlos Heller. “Nunca tivemos problemas, só nos falamos quando estive na China. Eu gostaria de ter voltado antes, mas não foi possível. Estive aposentado, uma má decisão na minha carreira, e o clube podia pensar no que precisava. Depois, o futebol me deu uma chance mais no Tigre e pude demonstrar que estava vigente para poder voltar para La U”, contou ainda o argentino.

O jogador fechou contrato de apenas um ano com o clube, porque acha que precisa provar que é capaz de jogar em alto nível pela equipe. “Porque com 35 anos, devo demonstrar”, disse Montillo. “Não quero roubar La U, quero ganhar dentro de campo. Se nesse tempo quiserem que eu continue, conversaremos. Por enquanto, eu me comprometo a dar tudo”, declarou ainda o camisa 10. “Eu me sinto bem, mas obviamente os que decidem se se estenderá minha permanência serão os dirigentes”.

La U tem missão difícil contra o rebaixamento

A Universidad de Chile vive uma situação complicada. O clube terminou o Campeonato Chileno 2019 em 15º colocada, ou seja, em penúltima – são 16 times na primeira divisão chilena. O clube não foi rebaixado porque o torneio teve várias rodadas adiadas pelos problemas do país e, assim, enquanto a Universidad Catolica foi proclamada campeã, por estar em primeira colocada com 13 pontos de vantagem sobre o Colo Colo, também foi decretado que nenhum clube foi rebaixado, assim como também não houve acesso – naquele momento. La U se salvou do descenso assim.

Com tudo isso, houve um conselho de presidentes de clubes na Associação Chilena de Futebol (ANFP) no último dia 20 de dezembro para determinar como seria feito o rebaixamento e acesso na temporada 2020. Foi decidido que três equipes serão rebaixadas: o último colocado na classificação geral; o último na classificação de coeficiente (que será feito apenas levando em consideração o desempenho em 2019 e 2020) e uma definição entre os penúltimos de cada tabela (a de classificação e a de coeficiente).

Há um adendo. Ficou decidido que sim, haveria acesso. O Santiago Wanderers, proclamado campeão da segunda divisão tal qual a Universidad Catolica na primeira, subiu. O outro classificado será decidido em um playoff neste mês de janeiro. Com isso, a quantidade de clubes aumenta de 16 para 18 e o número de rodadas totais subiu para 34. Na temporada 2019, sem todos os jogos realizados, a maioria dos clubes terminou com 24 jogos, alguns poucos com 25. Normalmente, o campeonato teria 30 rodadas.

O uso de coeficiente não é uma coisa comum no Chile, ao contrário do que acontece na Argentina. Foi criado para 2020 apenas porque não houve rebaixamento em 2019 e, assim, é uma forma de tentar dar alguma justiça. O coeficiente será calculado da seguinte forma: 60% será pelos pontos obtidos em 2019 e 40% será com os pontos obtidos em 2020. Ou seja: 😮 desempenho de 2019 pesará mais, o que torna a missão da Universidad de Chile muito mais difícil, dado o péssimo desempenho na temporada passada.

“A responsabilidade é enorme”, afirmou Montillo. “La U está em uma situação esportiva que tem que sair. Tem que ganhar. Não temos que pensar o descenso. Temos todo um torneio e o nosso primeiro pensamento tem que ser sair campeão. Como equipe grande, não podemos pensar aqui que temos que fazer uma quantidade de pontos para nos salvarmos do que nos acontece neste momento, que é o descenso. Espero que tenhamos um bom começo. Isto ajuda a mentalidade do jogador e a dos torcedores”, afirmou o meia.

O diretor de futebol da Universidad de Chile, Rodrigo Goldberg, falou sobre a chegada do novo camisa 10. “É muito especial que esteja conosco por tudo que significa. Ele volta a dar o melhor de si, por isso lutamos para trazê-lo de volta. Vamos fazer tudo que for possível para realizar o seu sonho e que Santino [filho de Montillo] possa entrar em campo”, declarou o dirigente.