Ainda é cedo para cravar qualquer coisa. De qualquer maneira, as Eliminatórias na Europa começam com boas doses de surpresa. E já aparecendo na zona de classificação, ao menos da repescagem. Passadas três rodadas, Montenegro lidera o equilibrado Grupo E, quem sabe para sublinhar o potencial que sempre se alardeou sobre sua seleção. Enquanto isso, Azerbaijão e Lituânia negam as origens no Pote 5 do sorteio e aparecem entre os vice-líderes das chaves, o que valeria a briga por um lugar na repescagem. Equipes que merecem atenção, após o cumprimento de 30% da jornada rumo à Copa do Mundo.

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O caso de Montenegro é o mais emblemático. A despeito da população irrisória, com apenas 620 mil habitantes, o país sempre foi apontado como candidato a participante inédito das competições internacionais – fruto da tradição herdada dos tempos de Iugoslávia, quando muitas vezes forneceu bons talentos. A qualidade técnica se manteve após a separação da Sérvia. E até rendeu a presença na repescagem da Euro 2012, derrotados pela República Tcheca. Desde então, os montenegrinos acabaram relegados ao papel de figurantes.

Olhando para o elenco, a despeito da irrelevância da liga local, muitos jogadores atuam nos grandes centros europeus. Stevan Jovetic é o mais aclamado, grande referência técnica da equipe. No entanto, há talento além, em nomes como Stefan Savic, Marko Basa, Nikola Vukcevic e Luka Djordjevic. Mesmo fora do radar, defendendo o Al-Jazira, Mirko Vucinic também permanece capitaneando a seleção. E há um treinador de respeito em Ljubisa Tumbakovic, comandante de passagem marcante pelo Partizan Belgrado nos anos 1990.

Mesmo sem ter 100% de aproveitamento, o início de campanha é excelente. Montenegro arrancou dois grandes resultados fora de casa, contra rivais diretos: empatou por 1 a 1 com a Romênia na rodada inicial, graças ao gol de Jovetic aos 42 do segundo tempo; e venceu a Dinamarca em Copenhague nesta terça, por 1 a 0, tento de Beciraj após jogadaça de Jovetic. No outro compromisso, os montenegrinos fizeram sua parte ao golear o Cazaquistão por 5 a 0 em Podgorica. Possuem os mesmos sete pontos da Polônia, mas lideram pelo saldo de gols.

Há uma longa caminhada pela frente, especialmente pelos confrontos diretos com a Polônia, a equipe que parece mais preparada para ir à Copa do Mundo. Ainda assim, as mostras de força diante de Romênia e Dinamarca, outros concorrentes cotados para lutar ao menos pela repescagem, são ótimos indicativos. Já dá para sonhar.

No mais, as surpresas ficam entre Azerbaijão e Lituânia. Os azeris, não é de hoje, vivem um bom momento em seu futebol de clubes, fruto dos altos investimentos locais no esporte. Gabala e Qarabag viraram figurinhas carimbadas na fase de grupos da Liga Europa, enquanto o Neftchi Baku foi o pioneiro a alcançar o feito em 2012/13. E isso respinga diretamente na seleção nacional.

Dos 23 convocados para esta Data Fifa, 16 se dividem entre os principais times nacionais (incluindo aí também o Inter Baku), e isso sem precisar apelar para naturalizações absurdas. Pois a rodagem se reflete em campo. Nas primeiras três rodadas, o Azerbaijão conquistou sete pontos no Grupo C. Fez o óbvio ao derrotar San Marino, mas também conseguiu bater a Noruega em Baku e arrancar o 0 a 0 contra a República Tcheca em Ostrava. Não vai conseguir competir com a Alemanha, claro, mas começa se metendo no segundo pelotão, que ainda inclui a Irlanda do Norte.

O sucesso da Lituânia, por sua vez, parece um pouco mais circunstancial. Sem nenhum jogador que salte aos olhos nas grandes ligas europeias, os bálticos também não mostram essa evolução dos azeris entre os clubes. Mas contaram com sorte na tabela, aliada a doses de competência, para chamar atenção. E até poderia ser melhor. A Lituânia empatou em casa contra a Eslovênia e em Glasgow contra a Escócia, mas cedeu o resultado em ambos os jogos com gols sofridos depois dos 44 dos segundo tempo. Já nesta terça, deu para cumprir o básico derrotando Malta em Vilnius, o suficiente para assumir o segundo lugar do Grupo F, atrás apenas da Inglaterra. Mas, em uma chave que ainda conta com a Eslováquia para atrapalhar, talvez o bom momento não dure tanto.

Levando em conta que a Europa é o continente que mais oferece vagas ao Mundial, há espaços para surpresas sempre, pelo menos na repescagem. E ainda mais quando o continente aponta para um equilíbrio cada vez maior entre as suas seleções de nível intermediário. Na sequência das Eliminatórias, não é de se duvidar que outros azarões pintem. Mas, por enquanto, alguns já tomam a dianteira para apresentar as credenciais.