O Milan decepcionou em mais uma partida. A falta de entusiasmo com o time era visível nas arquibancadas, com apenas 17 mil torcedores ocupando o San Siro para o confronto com o AEK Atenas. E depois da vitória agônica contra o Rijeka na rodada passada da Liga Europa, nem isso os rossoneri conseguiram desta vez. Até criaram suas chances, principalmente no segundo tempo. No entanto, pararam na falta de precisão e na inspiração do goleiro Giannis Anestis, que fechou sua meta. O empate por 0 a 0 não tirou os milanistas da liderança de seu grupo no torneio continental, somando sete pontos. O problema está no nível de desempenho, que segue longe do satisfatório.

Após a partida, Vincenzo Montella falou com a imprensa. O treinador, entretanto, preferiu ignorar a falta de capacidade do time para abrir a retranca do AEK ou as suas opções questionáveis na escalação e nas substituições. Ele direcionou seus comentários à falta de apoio aos jogadores, dando a entender que há um entrave psicológico que não permite que os rossoneri se imponham como o esperado.

“É um momento complicado, mas se ganhássemos, haveria um entusiasmo muito diferente. O time fez o seu jogo, o adversário se fechou na defesa e a situação se complicou à medida que o tempo passava. Eu acho que o desapontamento e o senso de irritação no estádio foram sentidos pelo time, e isso se deu mais pelas derrotas recentes no Italiano do que pela atuação em si. Nós criamos muitas chances e não conseguimos finalizar bem contra um bom adversário. Eu vejo os rapazes querendo fazer mais. Eles querem provar que estão no nível do Milan e isso está criando um bloqueio psicológico. Meu trabalho é desbloquear”, afirmou.

“Eu concordo que o primeiro tempo não foi o que eu queria, faltou determinação e agressividade. É um processo de crescimento. Eu adoraria que o time tivesse a postura necessária em todas as situações, mas isso não é fácil, não acontecerá do dia para a noite. Se o clube decidir se fechar em torno dos jogadores e protegê-los, nós alcançaremos estes resultados mais rápido. Muitos dos nossos principais atletas não se sentem confiantes o suficiente neste momento para serem audaciosos. Nós precisamos deixá-los jogar com mais alegria e liberdade”, complementou.

Além disso, Montella sinalizou sua insatisfação com as vaias da torcida, que se repetiram nesta quinta, e com as declarações de dirigentes cobrando uma resposta rápida em campo: “Obviamente, todos nós adoraríamos ver o Milan jogando um futebol maravilhoso durante 95 minutos, mas isso é um processo de crescimento e estou convencido de que vamos chegar lá, porque a maioria desses jogadores não vestiu uma camisa com este peso antes. A situação está fazendo eles sofrerem para expressar a qualidade. Eu peço aos torcedores e ao clube para seguirem ao nosso lado, porque estes jogadores precisam de uma motivação maior do que serem vaiados em momentos difíceis”.

O Milan vem de três derrotas consecutivas na Serie A, a última delas no clássico contra a Internazionale. Atualmente, os rossoneri ocupam a modesta décima colocação no campeonato. A equipe volta a campo no domingo, recebendo o Genoa no San Siro, sabendo que precisa vencer e tentar convencer tantos céticos sobre o atual trabalho.