Pouco depois do anúncio do Barcelona, oficializando a contratação de Malcom junto ao Bordeaux, a Roma também decidiu dar a sua versão sobre a história. O site do clube italiano publicou uma entrevista com Monchi, na qual o diretor esportivo traz detalhes sobre os bastidores da negociação com os franceses. E nela, há uma clara impressão sobre a maneira como os girondinos agiram de má fé e usaram os romanistas para alavancar o valor do negócio.

Na segunda-feira, a Roma publicou em seu twitter uma mensagem anunciando o acordo com o Bordeaux para a realização da transferência, por mais que a assinatura do contrato e os exames médicos ainda estivessem pendentes. A postura, que foge da prática comum entre os clubes europeus, teria sido forçada pelos franceses. Eles possuiriam a intenção de pressionar outras agremiações interessadas em Malcom, como o Barcelona, a enviarem uma contraproposta a partir da notícia. Depois disso, iniciou-se um leilão pelo ponta de 21 anos, que até contou com a participação dos giallorossi a princípio, mas terminou diante da falta de palavra dos girondinos. Abaixo, traduzimos a explicação dada por Monchi. Confira:

“O que aconteceu com Malcom é fácil de explicar, mas talvez um pouco mais difícil de entender completamente. Ele é um jogador que gostamos demais, dentro de uma perspectiva esportiva. Tem os atributos pelos quais procurávamos. Começamos as negociações com o Bordeaux e com o jogador, através de seu empresário, há mais ou menos uma semana. Após três ou quatro dias de negociações intensivas, nesta segunda-feira chegamos a um acordo com o agente, com o jogador e com o Bordeaux. O acerto foi feito por volta das cinco da tarde e nós ganhamos a permissão para que o atleta viajasse a Roma, para os exames médicos. O voo estava marcado para as nove da noite e chegaria duas horas depois. Diante disso, estávamos tranquilos”.

“Uma vez que entramos em acordo com o Bordeaux, 30 minutos depois o presidente do clube, Stéphane Martin, me ligou e disse que existiam muitos rumores ao redor do negócio, e que para eles seria melhor fazer um anúncio oficial. Eu respondi a ele que, para nós, não seria o ideal, como estamos na bolsa de valores e temos que respeitar certas regras, mas ele insistiu e fizeram um tuíte para anunciar o acordo. Após o ocorrido, nós seguimos a postura e publicamos a mesma informação”.

“Tudo estava feito, mas, apenas uma hora depois da divulgação, começaram a aparecer sugestões de um novo interesse do Barcelona em Malcom. É verdade que, dias atrás, estava ciente que vários clubes desejavam o jogador. Por causa disso, conseguimos que o acordo fosse realizado o mais rápido que pudemos. Então, fiquei muito surpreso quando um dos representantes do atleta me ligou, para dizer que o Bordeaux havia retirado a permissão da viagem a Roma. Eu liguei ao presidente Martin e ele me disse que uma oferta do Barcelona chegou, melhor do que a nossa. Também falou que, se não subíssemos nossa proposta, não teríamos o jogador. Respondi a ele que tínhamos o acordo, que havíamos feito o negócio, mas ele apontou que não existia nada assinado e que, apesar da troca de documentos para serem assinados, nada poderia ser feito”.

“Informei o nosso presidente, James Pallotta, contando a mudança nos rumos da transferência. Ele me deu luz verde para seguir em frente e fazer uma oferta melhor que a do Barcelona. Era contra minha opinião, mas ele insistiu e disse que estava disposto a isso. Eu informei ao presidente do Bordeaux e aos empresários de Malcom que a Roma estava pronta a cobrir a proposta do Barcelona. Stéphane Martin me falou que nós precisávamos oficializar isso. Às 11 da noite, mandamos um documento formal com o valor que o presidente Pallotta estava disposto a pagar”.

“Os empresários e o presidente do Bordeaux me disseram que, se isso fosse aceito, nesta terça poderíamos trocar documentos e o jogador seria novamente autorizado a viajar à Itália. Durante a manhã, falei com o agente de Malcom, Fernando Garcia, que tinha um encontro marcado com o Bordeaux ao meio-dia para confirmar que tudo estava firmado, permitindo a viagem a Roma. Depois desse encontro, fui novamente surpreendido ao descobrir que os agentes e o Bordeaux queriam outra oferta melhor, já que o Barcelona seguia pressionando por um acordo e elevando os valores”.

“Eu respondi que era o suficiente, porque não queríamos entrar em um leilão. Nós não poderíamos continuar daquela maneira e já tínhamos aumentado nossa proposta, por causa do desejo no nosso presidente. Então, foi assim que tudo acabou. Agora, dentro do clube, estamos analisando nossas opções e vendo se temos alguma brecha legal para acionar. É verdade que não havia nada assinado, mas existiam muitas mensagens com os empresários e o presidente do Bordeaux que merecem ser avaliados”.

“Peço desculpas à torcida da Roma pelo que aconteceu, mas eu acredito que tivemos um acordo completo com o Bordeaux e, depois, oferecemos mais para que ele se concretizasse. O presidente Pallotta tomou a decisão para propor o melhor valor possível, mas quando a negociação se tornou um leilão, decidimos nos retirar. Se alguém quiser vir à Roma, será ótimo, mas se no fim das contas preferem não vir, então não queremos forçar nada. Eu desejo falar aos nossos torcedores que continuamos trabalhando duro para identificar jogadores que optem por defender o clube e que sejam tão bons ou melhores que Malcom”.