A um ano do início da Eurocopa, a seleção francesa regrediu alguns passos em sua preparação. Os Bleus, que haviam deixado uma boa impressão na Copa do Mundo, não têm repetido o mesmo nível de atuação nos gramados brasileiros e acumulam derrotas nos últimos amistosos. Se o revés para a Bélgica em pleno Stade de France acendeu o sinal de alerta, a queda diante da Albânia por 1 a 0 demonstra que algo precisa ser feito com urgência para não comprometer o futuro.
No ano de 2014, a França resgatou o orgulho do seu torcedor com apresentações dignas no Mundial. Era de se esperar a evolução deste trabalho, mas os comandados de Didier Deschamps vivem um 2015 dos mais complicados. Três derrotas em quatro partidas (a única vitória foi contra a Dinamarca) enfraqueceram de forma considerável todo o crédito conquistado a duras penas.
Deschamps precisa olhar com cuidado extremo para as falhas exibidas pela equipe neste ano. A defesa voltou a sofrer com panes de seus membros. Basta ver o comportamento da defesa, que voltou a dar sinais de fragilidade. Nos quatro jogos disputados em 2015, a França sofreu oito gols – um a mais do que no ano anterior… em 15 confrontos. A insegurança do setor passa pela indefinição quanto ao miolo da zaga.
Raphaël Varane é o único jogador a disputar todas as partidas da seleção desde o Mundial. Em 2015, porém, o zagueiro não apresenta a mesma regularidade de antes. Apesar de seus altos e baixos, Deschamps o mantém como titular dos Bleus. O problema maior está em quem o faz companhia na defesa. O treinador ainda não conseguiu encontrar a parceria ideal, mesmo com vários testes já realizados.
Mamadou Sakho (com quem Varane formou a dupla de zaga no Mundial), Laurent Koscielny, Jérémy Mathieu e Eliaquim Mangala foram utilizados, mas nenhum deles conseguiu proporcionar o equilíbrio necessário à zaga. Problemas físicos e até de qualidade técnica impediram Deschamps de fechar com uma dupla ideal e trabalhar para ajustar esta sintonia fina, com o tempo suficiente para alcançar o automatismo necessário em termos de posicionamento e cobertura.
Outro fator foi muito bem lembrado por Patrice Evra. A seleção francesa entrou em uma espécie de zona de conforto, já que não tem qualquer disputa oficial pela frente. Obviamente, a equipe não participa das eliminatórias da Eurocopa-2016 e é exatamente este “espírito de competição” que tanto faz falta. Um simples amistoso não traz toda aquela carga exigida em um jogo para valer – ainda mais logo após o fim da temporada, quando os jogadores estão exaustos.
O setor ofensivo dos Bleus também tem dado muitas dores de cabeça a Deschamps. Desde o fim da Copa-14, a França disputou dez partidas. Karim Benzema, principal nome do ataque da seleção, teve participação muito discreta. Ele fez apenas um gol e ficou fora de várias partidas devido a problemas físicos. Pior do que ver seu principal atacante em fase ruim é verificar que os possíveis substitutos também estão em momento complicado.
Talvez a situação mais peculiar seja a de Antoine Griezmann. O atacante teve uma temporada muito boa pelo Atlético de Madrid, tendo sido o terceiro maior artilheiro do Campeonato Espanhol com 22 gols (atrás apenas de Cristiano Ronaldo e Messi, e empatado com Neymar). Quando ele veste a camisa azul, porém, seu desempenho se transforma. Griezmann marcou apenas dois gols nos dez últimos jogos dos Bleus e decepcionou quando teve oportunidades entre os titulares, o que reforça o rótulo negativo de “jogador de clube”. Alexandre Lacazette, artilheiro da última Ligue 1 com 27 gols, talvez merecesse mais oportunidades. Ele deixou sua marca no amistoso contra a Dinamarca e demonstrou poder de evolução.
Por fim, falta à seleção francesa aquela imagem de um líder dentro de campo, capaz de chamar a responsabilidade quando as coisas caminham mal e cobre seus companheiros. Não dá para usar a braçadeira de capitão e ser mole quando se exige uma postura mais enérgica. Os líderes da equipe precisam dar a cara a tapa em vez de dar as mesmas declarações vazias após os jogos. Claro que não existe falta de comprometimento dos atletas (xô, 2010!), mas há uma necessidade latente de acordar a tempo de retomar o bom caminho encontrado em 2014.