Um dos grandes meio-campistas do mundo em clubes ganhou o seu lugar na história das Copas. E um lugar de destaque. Luka Modric foi eleito o craque da Copa pela Fifa, em um torneio que ele se destacou por fazer o que de melhor vemos desde que ele chegou ao Tottenham, em 2008. Craque com a bola, sem ela e com a cabeça. Modric tem uma qualidade que o torna enorme: ele faz os outros jogarem melhor. Nesta Copa, teve ainda outro papel: o de líder de um time incansável. A derrota na final é triste, mas Modric deixa a Copa 2018 como uma lenda, eternizado no coração e na memória dos torcedores e dos Mundiais.

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Luka Modric terminou a temporada europeia como um dos melhores jogadores do campeão Real Madrid. Era o terceiro título seguido de um time dominante na Europa. Jogar no Real Madrid é fácil, alguém dirá. Ser um dos melhores do Real Madrid não é fácil, nunca é fácil. Muitos jogadores grandes vestiram essa camisa e não conseguiram se tornar um dos melhores do mundo na sua posição, como Modric conseguiu. De 2012 para cá, o meia só cresceu. Modric era camisa 10 no Dinamo Zagreb. No Tottenham, sempre foi 14, mesmo número que passou a usar na Croácia quando começou a ser convocado ainda em 2006, com 20 anos. No Real Madrid, em 2012, passou a vestir a camisa 19. A 10 ele só passou a vestir em temporada passada, 2017/18. E segue como um dos melhores do mundo.

Na Croácia, o seu papel era liderar a equipe ao menos às oitavas de final. Teve atuações enormes em todos os jogos. Contra a Nigéria, contra a Argentina e contra a Islândia. Depois, foi novamente um jogador importante, ainda que com dificuldades, contra a Dinamarca. Depois, contra a Rússia. Contra a Inglaterra, mais uma vez, foi gigante. Na final contra a França, esteve, como todo o time croata, bem, mas não foi fatal como o adversário. Ainda assim, foi o principal jogador de um time que foi finalista na Copa. Um finalista inédito. Foi o jogador que liderou um país que tem menos de três décadas de vida – mais jovem que ele próprio – a uma Copa do Mundo histórica.

A sua história é também algo a ser ressaltado. Modric viveu na pele os horrores da guerra civil da Iugoslávia, algo que ele já falou mais de uma vez que não gosta de lembrar. No texto sobre o nacionalismo croata e a questão delicada do fascismo, falamos sobre a história de Modric. Perdeu o avô aos seis anos. Viveu como refugiado até o fim da guerra, em 1995. Se tornou jogador, brilhou pelo Dinamo Zagreb, um dos principais times do país, antes de brilhar por Tottenham, na principal liga do mundo, e se tornou uma referência do Real Madrid, um dos maiores clubes do mundo.

Modric abraçado pela presidente da Croácia, Kolinda Grabar Kitarovic (Photo by Clive Rose/Getty Images)

Durante a Copa, Modric teve um papel importante dentro do time de Croácia, impondo o ritmo de uma equipe ofensiva, que sofreu mais do que gostaria, mas ainda assim teve o seu jogo. Mesmo na final, diante de um adversário claramente favorito, tentou jogar o seu jogo. Foi o segundo jogador da Copa a dar mais passes, 485, atrás apenas de Sergio Ramos, da Espanha (que deve estar passando a bola até agora no jogo contra a Rússia, que passou de 1000 passes). Em passes longos, ele é o primeiro jogador de linha com mais passes longos, atrás apenas de Jordan Pickford e Hugo Lloris, dois goleiros.

Mais do que qualquer número, Modric se tornou um jogador capaz de conduzir um time longe dos favoritos a ser um dos melhores da Copa. Escreveu uma história que será para sempre lembrada, como a geração de 1998 conseguiu ao brilhar na Copa do Mundo justamente na França. Apesar da derrota, a história é belíssima. Modric é o maior jogador da história da Croácia, superando lendas como Boban, Prosinecki e Suker.

A história das Copas é reserva um lugar especial para os destaques. Como as campanhas das Croácia foram ruins, exceto por 1998, Modric precisou de um épico nesta edição de 2018 para conquistar o seu lugar. A tristeza da final, mesmo ao receber o prêmio de melhor da Copa, durará pouco. A glória da campanha será eterna. Aos 32 anos, Modric entrou em um grupo que escreveu bonitas histórias na Copa.

Luka Modric, da Croácia (Photo by Matthias Hangst/Getty Images)


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