A sequência de prêmios de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi como melhores do mundo foi encerrada em 2018. O vencedor do prêmio masculino é Luka Modric, camisa 10 do Real Madrid e da Croácia. É inegável que a Copa do Mundo tem um peso enorme nisso. Embora o croata tenha ido muito bem na temporada, a sua Copa do Mundo, com a Croácia sendo vice-campeã do mundo, acaba sendo crucial para que ele seja escolhido. Depois de 10 anos, nem o português, nem o argentino ficam com o prêmio, o que é algo histórico, considerando o enorme domínio que os dois jogadores exercem.

Entre os destaques, a premiação de Marta como a melhor do mundo em 2018. Ela bateu Ada Hegerberg, da Noruega e do Lyon, e Dzsenifer Marozsán, da Alemanha e também do Lyon. As duas tiveram atuações de destaque pelo Lyon, o time mais forte da Europa. Marta, por sua vez, brilhou pela seleção brasileira na Copa América e tem sido importante para o Orlando Pride, na NWSL, nos Estados Unidos. Sobre ela falamos em outro texto, porque o recorde de Marta é algo que merece ser destacado à parte. Afinal, é a maior da história, que quebra a sequência de americanas e alemãs, que venceram nos últimos quatro anos.

A escolha de Modric leva a discussões sobre anos em que Cristiano Ronaldo ou Messi poderiam não ter levado, como em 2010, quando Wesley Sneijder conduziu a Internazionale à tríplice coroa na Europa, além de ter levado a Holanda à final da Copa como um dos artilheiros. Ele não ficou nem entre os três primeiros. Foi Messi quem levou com Iniesta em segundo e Xavi em terceiro.

Em 2013, Franck Ribéry foi um dos principais nomes do futebol europeu com a conquista da Champions League pelo Bayern de Munique. Mesmo assim, acabou não levando o prêmio – ficou com Cristiano Ronaldo. Messi ficou em segundo e Ribery em terceiro lugar. É sempre difícil dizer quem merece mais, mas o prêmio de Modric em 2018 certamente cria um debate sobre isso.

Salah leva o Prêmio Puskas

O gol mais bonito da temporada acabou sendo uma surpresa. Eleito com 38% dos votos, Mohamed Salah, do Liverpool, venceu com o seu gol na Premier League, contra o Everton. Vale lembrar que esse é o único prêmio que depende exclusivamente do voto popular, pela internet. Por isso, os resultados sempre podem ser surpreendentes.

Depende um pouco da mobilização e, lembremos, Salah empolgou milhões de egípcios com a classificação à Copa e com seu desempenho pelo Liverpool. Seus muitos gols, o que o fizeram artilheiro da Premier League, o levaram à indicação como finalista do prêmio principal e provavelmente impulsionou também para ganhar este prêmio.

Deschamps, o técnico do ano no masculino

A Copa do Mundo sempre tem um peso enorme e foi o que certamente decidiu desta vez. É sempre complicado misturar técnicos de clubes e técnicos de seleções, porque as exigências dos trabalhos são muito diferentes. Nem Zinedine Zidane, pelo Real Madrid, nem Zlatko Dalic, da Croácia. O vencedor acabou sendo Didier Deschamps, da França, que foi campeã do mundo. O seu trabalho era visto com desconfiança, mas ele conseguiu conduzir os Bleus ao título mundial.

Melhor goleiro: Thibaut Courtois, da Bélgica

Os três indicados vinham de brilho na Copa. Kasper Schmeichel, da Dinamarca, Hugo Lloris, da França, e Thibaut Courtois, da Bélgica. Nem vale citar os clubes, porque foi o desempenho na Copa que os levou à indicação. Nem David de Gea, do Manchester United e da Espanha, nem Jan Oblak, do Atlético de Madrid, ficaram entre os finalistas. O que é um acinte pensando na temporada europeia e mostra o imenso peso da Copa.

Os três goleiros finalistas são os que brilharam na Copa do Mundo, acima de tudo. E foi por isso que Thibaut Courtois levou. O belga foi decisivo nas quartas de final contra o Brasil, que levou o país à semifinal.

Melhor técnico feminino: Pedros, do Lyon

Reynald Pedros, do Lyon, vence o prêmio de melhor treinador do futebol feminino. Campeão da Champions League com o Lyon, o francês acaba levando o prêmio como fruto de uma dominância enorme do time francês na Europa – atual tricampeão europeu e campeão invicto na França.

Prêmio da torcida: peruanos

O Peru voltou à Copa do Mundo e a sua torcida marcou presença na Rússia. Aliás, foi uma presença massiva de torcedores sul-americanos e foi legal demais ver os peruanos comemorarem a volta ao Mundial. O Peru até poderia ter ido além da primeira fase, mas acabou eliminado. Não impediu a festa peruana.

Prêmio Fair Play

Lennart Thy, do VVV Venlo, se cadastrou como doador de medula. Dias antes do confronto do seu time contra o PSV, líder do Campeonato Holandês, ele recebeu a ligação que acharam alguém 100% compatível. Ele pediu para se ausentar do jogo para fazer a doação. Explicamos melhor a história neste texto.

Os 11 melhores do ano pela FIFPro

Quando o time do ano foi revelado, uma das surpresas foi que nem o vencedor de melhor goleiro, nem um dos finalistas do prêmio masculino estavam no time. Explica-se: enquanto o prêmio The Best de melhor goleiro e melhor jogador é dividido em quatro partes (capitães, técnicos, especialistas e jornalistas), a seleção é montada via voto dos próprios jogadores, já que a FIFPro é o sindicato mundial de jogadores.

Assim, nem Courtois foi o goleiro do time (o que é justo, considerando a temporada), nem Salah apareceu no ataque (o que é um absurdo, pensando que ele jogou mais que Mbappé). Veja como ficou o time dos 11 melhores, segundo a FIFPro:

David De Gea; Dani Alves, Raphael Varane, Sergio Ramos e Marcelo; Luka Modric e N’Golo Kanté; Eden Hazard, Lionel Messi e Kylian Mbappé; Cristiano Ronaldo.

Marta, melhor do mundo pela sexta vez

Aos 32 anos, Marta consegue algo incrível. Seis títulos de melhor jogadora do mundo é algo que dificilmente alguém conseguirá repetir. No futebol masculino, Messi e Cristiano Ronaldo podem chegar a seis títulos, o que é possível, mas no feminino é improvável que alguém consiga, a curto prazo, chegar a tantas premiações. É a maior de todos os tempos, muito além de melhor brasileira da história.

Modric, o peso da Copa

O peso da Copa do Mundo é claro quando pensamos sobre Modric ganhar o prêmio de melhor jogador masculino. Não que sua temporada tenha sido ruim, foi excelente. Foi campeão europeu pela terceira vez seguida, algo muito difícil. Nesse título pelo Real Madrid, porém, Cristiano Ronaldo foi mais decisivo. Na Copa, o português teve aquela que foi uma das melhores atuações individuais do Mundial, se não a melhor, no empate por 3 a 3 com a Espanha.

Modric, porém, foi o capitão que conduziu a Croácia até a final da Copa do Mundo, o que foi algo histórico. Mais do que grandes atuações tecnicamente, o que Modric fez na Copa foi liderar uma equipe, exercendo um papel que acaba o colocando como um destaque. Isso é certamente muito valorizado por outros capitães e por técnicos que o viram na Rússia. Aos 33 anos, conquista um prêmio importante na sua carreira, que certamente inspirará muitos jogadores na Croácia.

E o futuro?

É difícil imaginar que Modric possa repetir o prêmio. Cristiano Ronaldo e Messi seguem muito bem e podem perfeitamente voltarem a ser premiados em 2019. Ainda mais porque teremos Copa América, algo que pode pesar em favor de Messi, como em 2016 a Eurocopa pesou em favor de Ronaldo. É difícil imaginar que ambos não voltem aos finalistas. Por isso, o prêmio de Modric pode ser um marco importante. Vencer como o melhor do ano disputando com Messi e Cristiano Ronaldo é um enorme feito.