Aos 35 anos e com um contrato que, por ora, vai apenas até o fim da atual temporada, Luka Modric começa a vislumbrar seu futuro a curto prazo. O jogador, que desde 2012 coleciona títulos e mais títulos pelo Real Madrid, não tem destino definido para além da atual campanha, mas, em entrevista à rádio Cadena Cope, fez questão de expressar seu desejo: pendurar as chuteiras no clube merengue.

Icônico à era recente repleta de conquistas do Real, Modric adoraria que o clube espanhol fosse também seu último na carreira, mas tem o cuidado de apontar que não deseja isso a qualquer custo, em detrimento do clube.

“Claro que quero permanecer no Real Madrid, mas não depende só de mim. Depende do que o clube quer e também do treinador. Sinto-me bem, e meu desejo seria de encerrar minha carreira no Real Madrid, se possível. Entretanto, não quero ser um problema para o Real Madrid ou para o técnico”, afirmou à Cadena Cope, em declarações reproduzidas pelo Marca.

“Temos um bom relacionamento, então tenho certeza de que chegaremos a um acordo para que eu permaneça ou vá para outro clube. O Real Madrid é minha casa, esta é a minha nona temporada, e estou muito feliz. Veremos o que irá acontecer. Não gosto de falar de situações hipotéticas, já que ainda não conversei com o presidente”, completou.

Ao longo desses mais de oito anos no Santiago Bernabéu, Modric trabalhou sob as ordens de diferentes técnicos. Na entrevista, o croata destacou alguns deles, começando pela gratidão que sente por Mourinho.

“O José Mourinho foi uma parte chave da minha transferência para o Real Madrid. É uma pena que eu tenha tido apenas um ano com ele, porque ele é um treinador incrível e mostrou isso ao longo de sua carreira. Sempre serei grato a ele. Ele é duro, mas sempre foi aberto, e eu gosto de pessoas que são honestas”, revelou.

O sucessor de Mourinho, a partir de 2013, foi Carlo Ancelotti, e com o italiano Modric também teve grande relação. Mais do que isso, iniciou ali um laço pessoal que perdura: “O Ancelotti é outro treinador espetacular, e uma pessoa ainda melhor. Tive duas temporadas de muito sucesso com ele, em que vencemos a Champions League e a Copa do Rei. Nós nos demos bem e ainda conversamos, de tempos em tempos”.

Rafael Benítez, que comandou o Real Madrid por sete meses, entre a saída de Ancelotti e a chegada de Zidane, também recebeu uma menção de Modric, que acabou deixando de fora Julen Lopetegui e Santiago Solari, que treinaram o clube entre a primeira e a segunda passagem de Zizou.

“O Benítez é um treinador muito bom, mas as coisas não deram certo para ele no Real Madrid. Futebol é assim, nem todo técnico chega a um clube e tem sucesso. Não tive nenhum problema com ele. Do lado de fora, parecia que havia um problema nos treinamentos, mas não havia nada, e nos dávamos bem”, garantiu.

Por fim, é claro, o croata falou de Zidane, que, para ele, não recebe o devido reconhecimento como treinador, além de ser alvo de críticas que “não fazem sentido”. “Ele é um treinador top, e o que ele fez conosco é algo que não pode ser repetido. As pessoas ainda não o apreciam como treinador, e ele é sempre questionado. Mas é um dos melhores treinadores do mundo. Na TV e na rádio, você ouve críticas a ele, e as pessoas podem criticar, mas algumas coisas não fazem sentido”, queixou-se.

Para Modric, com a identificação que tem no clube, Zidane poderia até mesmo repetir as longas histórias de amor que dois técnicos lendários tiveram com seus respectivos clubes.

“Ele é um treinador espetacular, que tem ideias claras e que estimula os jogadores. Ele pode ter ainda muito mais anos no Real Madrid e poderia até mesmo emular o que Alex Ferguson e Arsène Wenger fizeram na Inglaterra.”

Os temas da conversa do jogador com a Cadena Cope, no entanto, não ficaram limitados apenas ao futebol. Relembrando sua dura infância em um país em guerra por sua independência, Modric falou do relacionamento próximo que tinha com seu avô e de quão duro foi perder uma figura tão importante a ele no conflito.

“Eu tinha uma relação incrível com o meu avô, porque, quando meus pais estavam trabalhando, eu ficava com ele. Foi muito triste o que aconteceu (quando seu avô foi morto na guerra), e isso deixou uma marca em mim, já que eu era muito jovem, e ele, uma pessoa muito importante para mim. Aquilo me afetou muito, e eu não entendia como é que coisas assim poderiam acontecer. Algumas coisas ficaram gravadas na minha memória. Coisas como quando as pessoas foram procurar por ele, e eu sabia que não conseguiriam encontrá-lo”, explicou.

“Foi uma situação muito triste para todos nós, mas nós sobrevivemos. Temos grandes memórias dele, e é uma pena que ele não tenha visto o que eu conquistei. Mas espero que ele esteja me observando lá de cima”, encerrou.

Se de fato estiver, o avô deve olhar com orgulho para tudo o que o neto alcançou. Apenas no Real Madrid, foram dois títulos de La Liga, quatro Champions Leagues, três Mundiais de Clubes e uma Copa do Rei. Os triunfos coletivos, por fim, foram coroados pela conquista do prêmio de melhor jogador do mundo pela Fifa em 2018.