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Orlando City anuncia venda do clube ao dono do Minnesota Vikings, da NFL

Flávio Augusto da Silva, sócio majoritário, assina comunicado que confirma venda para a família Wilf, dona da franquia de futebol americano

O Orlando City negocia a sua venda para um novo dono. O brasileiro Flávio Augusto da Silva, dono da franquia, está em negociações avançadas para vender o clube à família Wilf, que é dona do Minnesota Vikings, franquia da NFL. O anúncio foi feito nesta quarta-feira no site do clube. A venda está acertada e deve ser formalizada nos próximos meses, dentro dos prazos burocráticos previstos.

A venda inclui o Orlando City, o Orlando Pride, equipe feminina, a Academia Orlando City e o Exploria Stadium. “Enquanto esperamos que a aquisição seja finalizada nos próximos meses, eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para agradecer vocês, a família Orlando City SC, por ser parte da minha jornada e por abraçar o clube como uma parte integrante da nossa comunidade”, diz Flavio Augusto da Silva no comunicado.

“Quando olho para trás, eu me orgulho de tudo que conquistamos durante a minha gestão como proprietário. No dia 8 de março de 2015, nós chegamos às primeiras metas que estabelecemos para nós mesmos, com 62.510 torcedores fazendo história ao introduzir o Orlando City SC à Major League Soccer. Um ano depois, nós trouxemos o futebol feminino para a Flórida Central em frente a um público recorde”, disse ainda o brasileiro.

Flavio Augusto da Silva, conhecido no Brasil por ter criado a escolas de inglês Wise Up, tornou-se acionista majoritário do Orlando City em 2013, quando comprou as ações do antigo dono e presidente Phil Rawlins. Na época, o brasileiro tornou-se sócio majoritário investimento US$ 120 milhões inicialmente, como ele mesmo disse à BBC em 2018, além do que gastou ao longo do tempo. Havia a expectativa de que a franquia valeria US$ 500 milhões, mas o valor acabou sendo menor.

Com o investimento que fez, e as negociações que geriu, o clube conseguiu o título da USL e também levou a franquia para a MLS, em 2015. Foi o responsável também por levar uma das estrelas da liga na época, Kaká, que jogou pelo time da Flórida de 2015 a 2017. Também contratou a brasileira Marta em 2017, levando a então melhor do mundo para os Estados Unidos.

Desde março, Flavio Augusto da Silva negocia com a família Wilf, que tem ações minoritárias no Nashville SC, outro clube da MLS. Os Wilf tinham intenção de serem proprietários de uma franquia da MLS e foram considerados quando a liga decidiu criar uma franquia em Minnesota. No fim, a liga selecionou a proposta do Minnesota United, Bill McGuire. Com a concretização da compra do Orlando City, a família Wilf terá que se desvincular das ações que possui do Nashville SC, de acordo com as regras da MLS. A liga costuma dar um prazo para que isso aconteça.

“As negociações começaram em 2019, demoraram um pouco mais do que o previsto por conta do Covid, mas fechamos”, disse Flavio à InfoMoney. O valor da compra do clube deve ficar entre US$ 400 milhões e US$ 450 milhões. Segundo o empresário brasileiro, a ideia é focar na sua holding, Wiser Educação, que reúne, além da Wise Up, o site meusucesso.com e a Buzz Editora. Carlos Wizard é um dos sócios no empreendimento, assim como a gestora de ativos alternativos do Itáu, Kinea Investimentos.

Segundo Flávio Augusto da Silva, o investimento na franquia de futebol dos Estados Unidos foi uma oportunidade de negócio que identificou e sempre houve um plano de saída. “A minha entrada aconteceu quando identifiquei uma oportunidade e lá trás a gente já programou uma saída. Em investimentos, é importante ter disciplina quanto a hora de sair. Podia ser melhor [o valor da venda]? Podia. Mas a disciplina em cumprir a estratégia é fundamental”, disse na entrevista ao InfoMoney.

Havia rumores sobre a venda divulgados na imprensa americana desde outubro. Em 2019, o próprio Flávio Augusto da Silva disse, em entrevista ao Estadão, que pretendia vender o clube até 2022.

Sucesso na comunidade, mas não em campo

Kaká comemora gol pelo Orlando City (Foto: MLS)

O Orlando City tem muitos sucessos, a maioria deles fora de campo. Conseguiu engajar a comunidade. Desde o começo, tratou os torcedores com respeito a os colocou como foco. Se engajou na comunidade para a construção do estádio próprio. A estreia de Kaká foi um grande evento, com mais de 62 mil pessoas.

A torcida comprou a ideia do time e, já na primeira temporada, bateu a meta de ingressos de temporada e teve até fila de 2016. Teve uma média superior a 30 mil na primeira temporada, maior até que a capacidade do seu estádio inicialmente, de 20 mil, o que fez o clube até aumentar a capacidade do estádio para 25 mil. Uma pesquisa mostrou que o Orlando City, no seu primeiro ano na MLS, tinha a melhor média de público e a torcida mais engajada da liga. Em 2017, inaugurou o seu próprio estádio com muita pompa e ele foi muito bem avaliado. Como não poderia deixar de ser, o primeiro gol do estádio foi de Kaká.

O sucesso fora de campo não foi seguido em campo. O clube nunca conseguiu chegar aos playoffs e em uma das temporadas, 2018, foi lanterna da sua conferência. O maior sucesso em campo foi em 2020, no torneio MLS Is Back, após o retorno das atividades da liga em meio à pandemia, na bolha justamente em Orlando. Naquele torneio, liderou o seu grupo e perdeu a final para o Portland Timbers. Nos demais anos, nunca chegou aos playoffs.

Nos últimos anos, o clube continua com a estratégia de levar estrelas para o clube, de forma a chamar a atenção. Em 2019, contratou Nani, então com 32 anos. Nesta temporada, contratou o atacante Alexandre Pato, ex-São Paulo. Na atual temporada, 2021, o Orlando City é o quinto colocado na Conferência Leste, dentro da zona de classificação aos playoffs. Pato só conseguiu jogar uma partida pelo Orlando City e teve uma lesão de joelho, no dia 17 de abril, na sua estreia, que precisou de uma cirurgia.

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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