MLS

Gabriel Heinze durou apenas 13 jogos no comando do Atlanta United e foi demitido

O Atlanta United anunciou a demissão do técnico argentino Gabriel Heinze neste domingo, depois de apenas 13 jogos dele no comando da equipe. O técnico teve problemas para se entender com os jogadores e teve só duas vitórias, quatro derrotas e sete empates. O time é só o 10º colocado na Conferência Leste. Assim, a passagem do treinador se encerrou 212 dias depois de começar, em uma passagem de sete meses. O assistente técnico Rob Valentino assume o time interinamente.

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“Uma variedade de questões relacionadas à liderança no dia a dia do time levou o clube a esta decisão”, diz o comunicado divulgado pelo clube. “Esta certamente não foi a decisão que nós queríamos tomar neste ponto da nossa temporada, mas foi a certa para o clube”, disse o presidente do Atlanta, Darren Eales. “Gabi é um técnico talentoso e inegavelmente apaixonado pelo que faz e pelo futebol. Nós somos gratos a ele pelo seu serviço e desejamos a ele o melhor no futuro”.

Um dos pontos críticos da saída de Gabriel Heinze do Atlanta era o relacionamento conturbado com a grande estrela do time, o venezuelano Josef Martínez. Houve uma rusga entre os dois e ele foi afastado. Desde então, ele tem treinado separadamente. Na última quinta-feira, Heinze afirmou que a decisão de fazer isso tinha sido dele.

“Ele não tem nenhum time de problema físico ou lesão. É uma decisão minha que o jogador treine separado do time. Ele continuará a treinar separado”. Com isso, o atacante pediu para sair do clube ao final da temporada. Este foi o sinal para a diretoria que isso era realmente grave. O técnico até tinha anunciado que voltou atrás e nesta semana Martínez voltaria a treinar com o grupo. Era tarde demais.

O relacionamento de Heinze com os jogadores era ruim, não só com Martínez. Este seria o principal motivo da sua demissão. Eram oito jogos sem vencer e a insatisfação no elenco também era evidente. Os relatos são de treinamentos exaustivos de um técnico que é muito exigente, o que teria desgastado o time física e mentalmente. Ao afastar a principal estrela do time e ficar oito partidas sem vitórias, sua situação ficou cada vez mais difícil. Até que a diretoria resolver agir e demitir o argentino.

Este é o segundo técnico seguido demitido pelo Atlanta United, que parece sofrer para escolher os seus treinadores. Depois da saída de Tata Martino para a seleção mexicana, o clube foi atrás de um técnico que tinha mais grife do que efetivamente bom trabalho: Frank De Boer, que não teve sucesso no clube da Georgia. Assim como aconteceria com Heinze, houve conflitos entre o técnico e os jogadores.

Este é o segundo problema: se há problemas entre o técnico e o vestiário pela segunda vez seguida, a diretoria tem falhado em entender o que seria necessário para os jogadores, no mínimo para aproveitar o melhor deles. Essa desconexão já custou caro pelas duas demissões realizadas. O início da franquia tinha sido empolgante, com um recorde de público logo no primeiro jogo. Depois do título em 2018, na sua segunda temporada na MLS, o Atlanta passou longe de ser o mesmo.

Heinze deixa uma má impressão no Atlanta United. Um técnico que chegou a ser cotado no Brasil, embora tenha sido mais oferecido do que procurado, efetivamente. O seu nome circulou em times como o Palmeiras, antes que o alviverde contratasse Abel Ferreira. Esse problema de relacionamento com um elenco que é, sim, conturbado, mas que ele jamais conseguiu chegar perto de resolver, é um sinal ruim para quem quer treinar times melhores. Afinal, os times mais capacitados tendem a ter jogadores que também podem ser mais complicados de lidar.

Heinze terá que provar que pode fazer isso, mas provavelmente seu nome não estará novamente nos clubes mais ricos da América do Sul. Ele precisará recomeçar e mostrar que o episódio em Atlanta tinha mais a ver com um clube incapaz de contratar um treinador adequado do que de um treinador teimoso que não conseguiu perceber que estava errando seguidamente com a escolha tática e a abordagem de treinos e de relacionamento pessoal. O tempo dirá.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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