Gareth Bale ainda tem contrato com o Real Madrid até 2022 e, pelo menos por enquanto, não deseja deixar o clube. Ainda assim, isso não o impede de pensar em cenários hipotéticos para o futuro, e o galês reconhece que mesmo a MLS um dia poderia ser de seu interesse.

Em entrevista ao podcast The Hat Trick, o ponta ressaltou o avanço da MLS nos últimos anos e não descartou que um dia jogue por lá. “É uma liga que está crescendo e continua se desenvolvendo. Há muitos jogadores que querem ir para lá agora, e, em algum momento, é certamente algo que me interessaria. Além disso, eu amo ir para Los Angeles nas férias e jogo muito golfe quando estou lá”, contou.

Sua paixão pelo golfe, por sinal, é algo há muito sabido – e até colocou o galês em uma encrenca. Em diversos momentos nos últimos anos, o atleta teve seu comprometimento com o clube merengue colocado em xeque, com o golfe virando símbolo disso. Rolavam soltas as conversas de que ele se interessava mais pelo hobby do que por sua profissão. E ele não contribuiu para melhorar as coisas. Depois de ajudar a classificar o País de Gales para a Euro 2020, Bale celebrou com os companheiros segurando uma bandeira com os dizeres: “País de Gales, golfe, Madri. Nesta ordem”. Ao The Hat Trick, ele explicou os bastidores daquele episódio.

“Eu tinha visto online as faixas que (os torcedores) haviam feito antes, os caras (da seleção) tinham me mostrado. Brincamos com isso, e alguns companheiros sugeriram que, se nos classificássemos, eles pegariam uma, e eu disse: ‘Façam o que quiser’. Depois, estávamos celebrando juntos, como time, foi um pouco de zoeira, brincadeira. As pessoas podem ver aquilo como quiserem”, explicou.

Por falar em relacionamento com companheiros, Bale comentou um pouco sobre o clima no vestiário do Real Madrid. O galês afirma se dar bem com quase todo o elenco, mas é particularmente próximo de duas figuras: “No Real Madrid, passo muito tempo com o Luka (Modric). Já nos conhecíamos dos tempos de Tottenham durante cinco anos e estamos aqui há sete anos. Então, é claro, me dou muito bem com ele. Também converso bastante com o Kroos. Eu me dou bem com quase todos, mas, sendo sincero, especificamente com eles dois”.

Pela frequência e a intensidade com que é criticado, sobretudo pela própria torcida, não daria para adivinhar que Bale fez tanto ao longo de sua trajetória até aqui no Real Madrid. O galês já conquistou quatro títulos de Champions League, sendo decisivo em duas finais, com gols contra Atlético de Madrid, em 2014, e contra o Liverpool, em 2018, uma pintura de bicicleta que ele relembra no podcast.

“Lembro da bola chegando, de reagir a ela, vendo ela caindo na rede, silêncio no estádio… É uma grande memória. Não tive muito tempo para pensar sobre. O Marcelo sabia que, se ele colocasse a bola na área, tentaríamos chegar até ela. Todos nós celebramos o gol.”

Os capítulos marcantes que escreveu com a camisa merengue talvez devessem lhe dar um pouco mais de crédito com a torcida, e Bale certamente adoraria viver um clima mais tranquilo. “É difícil lidar com a pressão e as críticas às vezes. Tudo que você pode fazer é não deixar isso te abalar. Relaxar e apenas focar o que você pode fazer dentro de campo”.

Além da sugestão, Bale vê também uma importância crescente na psicologia dentro do futebol, ajudando os atletas a lidar com um ofício tão estressante quanto pode ser recompensador.

“Este é um lado do jogo ao qual poucas pessoas prestaram atenção durante muitos anos. Se você falasse sobre isso, era porque você era fraco. Na última década, houve mais conversas e foco nesse aspecto do esporte. Acho que as pessoas agora aplaudem os jogadores por expressar seus sentimentos”, ponderou.