A MLS está prestes a entrar em um locaute depois que a negociação entre a liga e a Associação dos Jogadores sobre os termos para reiniciar a temporada, de acordo com relato da ESPN. Sem um acordo, nenhum jogador poderá jogar e, portanto, não há campeonato. O lockout é uma greve patronal, que no Brasil é proibido.

O locaute é a falta de acordo entre jogadores, através da sua associação, e os clubes, através da liga. Sem isso, os salários não são pagos e também não há jogos. A liga fica travada, sem poder jogar e sem os jogadores poderem também receber. Os donos dos clubes esperam, com isso, forçar os jogadores a aceitarem o acordo proposto. Os jogadores, por sua vez, podem tentar puxar a corda para o seu lado mantendo o locaute para que os donos deixem de ganhar com os jogos que passam a não ser realizados.

No domingo, a Associação dos Jogadores votou aprovar uma contraproposta para a MLS com concessões econômicas para a temporada 2020, mas a liga não quer subir mais a oferta. A liga deu prazo até o meio-dia desta terça-feira para que os jogadores aceitassem o acordo. Sem o acordo, os jogadores seriam deixados de fora da temporada. O prazo foi estendido para a quarta-feira, ao meio-dia.

Segundo a Associação dos Jogadores da MLS (MLSPA) divulgou em um comunicado, a proposta inclui redução salarial para todos os jogadores, concessões adicionais para os termos atuais e futuros do acordo coletivo e que o atual acordo com a liga seja estendido por um ano até 2025. O acordo estava acordado verbalmente, mas não foi ratificado até o início da temporada 2020.

“Apesar de uma votação difícil em tempos incrivelmente desafiadores, foi tomada coletivamente para garantir que os jogadores possam retornar à competição assim que puderem fazê-lo com segurança”, diz comunicado da MLSPA.

A MLS ofereceu uma redução salarial de 8,75% para os jogadores, que fizeram uma contraproposta de 7,5%, segundo a ESPN. As negociações inicialmente eram apenas para o retorno aos gramados para jogos sem público, com hospedagem em um resort em Orlando para isolar os clubes. Os protocolos de saúde e segurança foram acordados, com os jogadores podendo ficar fora dos jogos por razões pessoais, como a esposa grávida, por exemplo.

Um dos pontos de maior controvérsia, porém, é as cláusulas que permitem que a liga ou os jogadores abandonem o acordo, chamado de CBA (Collective Bargain Agreement, ou Acordo Coletivo de Trabalho, em português), no caso de uma pandemia. A MLSPA estabeleceu a cláusula como “padrão de mercado”, similar à da NBA, que permite que a liga invoque a cláusula com 30 dias de antecedência caso um evento como uma pandemia aconteça e os termos estabelecidos no acordo fiquem insustentáveis, ou que a liga não consiga mais cumprir suas obrigações.

A liga, porém, quer um acordo mais detalhado. Há um temor de uma segunda onda da COVID-19 que pode paralisar novamente o esporte e causar novos prejuízos. A proposta da MLS permite que caso cinco ou mais times sofram com uma queda de 25% ou mais que no ano anterior, a liga possa invocar a cláusula, que resulta em uma redução drástica nos salários dos jogadores. Esta cláusula não é aceita pela Associação dos Jogadores.

Há um outro ponto que os dois lados não entram em acordo que é relativo ao novo acordo de direitos de TV que irá começar em 2023. O acordo decidido em fevereiro dizia que 25% do aumento líquido de receitas de mídia que passem de US$ 100 milhões em relação ao acordo de 2022 (ou seja, o ano anterior) irá para o orçamento salarial das equipes e para o dinheiro de alocação geral, que pode ser usado pelos clubes também para salários.

A liga propôs que o acordo fosse implementado de forma gradual, com 10% do aumento de receitas em 2023 e 25% no ano seguinte. A Associação dos Jogadores fez uma contraproposta de 17% em 2023 e 25% no ano seguinte. Ainda não há um acordo sobre o assunto.

A MLS está paralisada desde o dia 12 de março. Há a ideia do retorno em um torneio realizado em Orlando. O formato do torneio está definido com 26 times com três jogos em uma fase de grupos, seguido de um mata-mata. O torneio teria seis semanas de duração, a partir do dia 24 de junho. A falta de acordo e a pressão da liga, com a ameaça de greve patronal, fez com que os jogadores não aparecessem para treinar na segunda-feira, de acordo com relato da ESPN.

Segundo o Atlanta Journal-Constitution, jogadores do Atlanta United não apareceram para os treinamentos na segunda-feira. O Minneapolis Star Tribune também reportou que os jogadores do Minnesota United também não compareceram ao treinamento. A ESPN ainda confirmou que os jogadores do Columbus Crew foi outro time que os seus jogadores não apareceram. O Cincinnati confirmou em um comunicado que os jogadores não apareceram.