A Holanda mais uma vez não empolgou, mas a vitória por 2 a 0 sobre a Eslovênia na última quarta-feira, em Eindhoven, pelo menos serviu para dar a certeza da participação na fase final da Eurocopa-2008. Ainda não é uma certeza matemática, mas ninguém se arriscaria apostar contra a Oranje, que só precisa de uma vitória nos dois jogos que restam, contra Luxemburgo e Belarus, respectivamente último e penúltimo colocados no grupo G.

O tropeço da Bulgária, que ficou no 1 a 1 com a Albânia, permitiu à equipe de Marco van Basten abrir uma vantagem de quatro pontos na segunda posição, depois da perda de invencibilidade no sábado anterior contra a Romênia (1 a 0, em Bucareste). Assim, não há dúvidas de que o jogo em casa contra Luxemburgo, dia 17 de novembro, servirá para carimbar o passaporte para Áustria e Suíça.

A Holanda não esteve bem durante dois terços do jogo contra os eslovenos. Van Basten, no entanto, pode usar em sua defesa o fato de três jogadores importantes terem se lesionado no decorrer da partida: Van der Vaart, seu substituto Robben e Van Persie. Assim, ele se considerou obrigado a mudar a forma de jogar da equipe e viu uma natural queda de rendimento.

A fraca atuação de Bucareste levou o treinador a eleger uma formação no esquema 4-4-2, abrindo mão de um 4-3-3 que é quase dogmático para os holandeses. A mudança serviu para acomodar Van der Vaart e Sneijder no mesmo time, já que no esquema com três atacantes era difícil utilizá-los juntos. Van der Vaart caiu mais pela direita, e Sneijder foi o homem mais avançado, na ligação com o ataque. O setor ainda tinha De Zeeuw como volante, e Seedorf fazendo o lado esquerdo.

Sneijder foi o destaque da partida no primeiro tempo, marcando o primeiro gol – aproveitando a falha do zagueiro Ilic – e acertando uma bola na trave. A saída de Van der Vaart e a entrada de Robben, aos 29 minutos, fizeram a Oranje retornar ao módulo antigo. E uma atuação que era promissora terminou ali mesmo.

A produção ofensiva caiu drasticamente, e quando Van Persie teve de sair, aos 15 minutos do segundo tempo, Van Basten optou por uma complicada engenharia para reproduzir o sistema inicial. Ooijer substituiu Van Persie e foi para a zaga. Heitinga passou para a função de volante, e De Zeeuw foi deslocado para o setor ocupado por Van der Vaart durante a primeira meia hora. Logo em seguida, Robben se lesionou e deu lugar a Babel. O time sentiu as mudanças e não se reencontrou em campo, apesar de ter selado o resultado no final com Huntelaar, quando a Eslovênia já havia se esquecido da tática para buscar o empate

Robben, com uma ruptura muscular, e Van Persie, com uma lesão no joelho, ficarão por volta de um mês afastados e não devem participar do jogo da classificação. Van der Vaart, baixa por três semanas no Hamburg, tem condições de se recuperar a tempo. Nenhum deles deve fazer muita falta para vencer Luxemburgo, mas Van Basten sabe que a Holanda precisa convencer, já que seu trabalho ainda carece de validação diante da torcida.

Foppe de Haan, que levou a seleção sub-21 a dois títulos europeus consecutivos, desfruta de grande prestígio com o público e é visto por muitos como um sucessor natural de Van Basten. A análise das atuações da Holanda certamente será colocada em pauta após os jogos de novembro, quando o ex-atacante discutirá com a federação a renovação de seu contrato.

Não seria surpresa se Van Basten assumisse o Ajax após a Eurocopa e De Haan recebesse uma merecida promoção, e levasse consigo alguns nomes promissores, como Drenthe, Sno, Zuiverloon, Bruins e Vermeer, todos integrantes da equipe que permanece com 100% de aproveitamento nas eliminatórias do Europeu sub-19 de 2009.

Vale lembrar que, antes do bom trabalho à frente da Jong Oranje, De Haan passou 19 anos à frente do Heerenveen, maior período de um técnico em um clube profissional no país. Em 1999, ele classificou o time da Frísia para a Liga dos Campeões.

Holanda 2×0 Eslovênia

Holanda: 1-Maarten Stekelenburg; 2-Kew Jaliens, 3-John Heitinga, 4-Wilfred Bouma, 5-Urby Emanuelson; 6-Demy de Zeeuw, 7-Rafael van der Vaart (18-Arjen Robben 29', 15-Ryan Babel 63'), 8-Clarence Seedorf, 10-Wesley Sneijder; 11-Robin van Persie (12-Andre Ooijer 60'), 9-Klaas Jan Huntelaar.

Eslovênia: 1-Samir Handanovic; 21-Miso Brecko, 20-Branko Ilic, 6-Mitja Morec, 5-Bostjan Cesar; 16-Anton Zlogar, 19-Andraz Kirm (15-Bojan Jokic 82-), 8-Robert Koren, 18-Valter Birsa (9-Milvoje Novakovic 68'); 17-Klemen Lavric, 11-Andrej Komac (14-Zlatan Ljubijankic 86').

Gols: Wesley Sneijder 14', Klaas-Jan Huntelaar 87'

Árbitro: Nicola Rizzoli (Itália)

CURTAS

– A Bélgica, matematicamente fora da briga no grupo A, teve uma atuação convincente na vitória por 3 a 0 sobre a Armênia, em Bruxelas. Apesar da ampla superioridade belga, os gols de Wesley Sonck, Moussa Dembelé, Karel Geraerts saíram apenas no segundo tempo. Quatro dias antes, a equipe de René Vandereycken havia ficado no 0 a 0 com a Finlândia, também em casa.

– Doze anos depois, Luxemburgo voltou a vencer uma partida oficial. A vitória por 1 a 0 sobre Belarus, fora de casa, surpreendeu até mesmo os mais otimistas, já que a equipe havia perdido os nove jogos anteriores. Fons Leweck saiu do banco de reservas e definiu, nos acréscimos do segundo tempo, o placar final. A última vitória luxemburguesa havia sido contra Malta, em setembro de 1995, pelas eliminatórias da Eurocopa-96. Desde então, foram quatro campanhas inteiras sem saber o que é vencer.

– De volta para casa, Luxemburgo perdeu de forma honrosa para a Romênia: 2 a 0, placar que classificou os visitantes para a Eurocopa-2008.

– Edgar Davids voltou aos treinos no Ajax. O experiente meio-campista havia fraturado a perna em julho, durante um amistoso de pré-temporada contra o Go Ahead Eagles, e agora conta os dias para fazer sua estréia oficial na temporada.

– Jogos em casa para os três grandes na rodada deste fim de semana na Eredivisie. O líder Feyenoord recebe o Excelsior no clássico de Roterdã, enquanto o Ajax pega o NEC e o PSV o VVV-Venlo. Apenas um ponto separa o Feyenoord dos dois rivais – 18 a 17.

– Depois de 16 anos com a tradicional marca do banco ABN AMRO nas camisas, o Ajax tem novo patrocinador. O clube assinou por sete anos com a seguradora Aegon. O valor não foi divulgado, mas o total, segundo os jornais, ficaria entre € 10 milhões e € 12 milhões. O acordo com o ABN AMRO foi encerrado após a compra do banco por um consórcio formado por Royal Bank of Scotland, Fortis e Banco Santander.

– Em seguida à mudança de patrocinador, p Ajax divulgou seu balanço financeiro da temporada 2006/7, com prejuízo de € 10,4 milhões. A ausência da Liga dos Campeões pesou fortemente no resultado. A receita total foi de € 64,9 milhões, valor 12,8% inferior ao da temporada 2005/6, quando o prejuízo foi de € 6,6 milhões.