Claro que sempre é legal disputar campeonatos e ligas a sua forma, mas um dos grandes atrativos dos games em geral são, sem dúvidas, os chamados cenários. Trata-se do modo de jogo em que você é colocado em uma situação por vezes pouco agradável e precisa dar a volta por cima. No caso dos jogos de futebol, tal formato foi bastante famoso na histórica série International SuperStar Soccer, que o manteve em suas duas versões para Super Nintendo e repetiu a dose nas edições para Nintendo 64. O curioso é que os cenários, tanto em ISS como ISS Deluxe, eram sempre referentes a momentos decisivos de partidas reais, em que o jogador poderia, pelo menos virtualmente, influenciar o placar.

Nesta e nas próximas semanas, vamos retomar aqui todos esses cenários, dando inclusive algumas orientações técnicas e táticas para que possa encontrar o “mapa da mina” em cada desafio. Comecemos, naturalmente, pelo começo, com os cenários de International SuperStar Soccer, quase sempre alusivos a jogos da Copa de 1994 (não nos esqueçamos que o game é de 1995, exato um ano após o Mundial dos Estados Unidos). Na próxima coluna, será a vez de ISS Deluxe. Confira.

JOGO 1: Brasil 0x0 Estados Unidos
2 minutos por jogar – Dificuldade 1

Brasil com um lateral esquerdo a menos, contra os Estados Unidos… Cenário familiar? Sim, se você acompanhou a Copa do Mundo de 1994. Sem Ferreira (que em ISS ocupava o lado esquerdo da defesa, enquanto Cícero ficava na direita) na proteção, a dica é manter os estadunidenses próximos ao campo de defesa. Avançar pelo meio é uma boa opção, especialmente com Beranco e Pardilla, que são velozes e contam com bons atributos nos passes. Cair pela direita? É mais difícil, visto que a marcação norte-americana é melhor pelos lados. A superioridade do time brasileiro, porém, mesmo que atuando no nível máximo, deve ser suficiente para que o jogador, de qualquer forma, cumpra o desafio.

JOGO 2: Itália 0x1 Nigéria
1 minuto e meio por jogar – Dificuldade 3

Jogo duro para os italianos, em mais um duelo também alusivo à Copa do Mundo de 1994, ainda que sem tantas expulsões. Sem o meia esquerda Desimone e o atacante Coliuto, a Azzurra virtual está bem desfalcada. Para complicar, a descrição do jogo diz que o árbitro está “condicionado” a atender aos anseios nigerianos. Tal qual no jogo entre Brasil e Estados Unidos, a saída pelo meio, é uma boa opção, para evitar que se deixe a zaga desguarnecida. Além disso, o camisa 10 Galfano ainda está em campo, e é “o cara” (ou o monte de pixel) para puxar os contra-ataques. Se achar necessário, aproxime Galfano de Carboni (outro atacante).

JOGO 3: Coreia do Sul 0x2 Espanha
1 minuto por jogar – Dificuldade 4

Um dos desafios mais difíceis de ISS está na tentativa coreana de buscar um empate heróico com a Espanha, também em “reedição” de partida da Copa dos Estados Unidos. A Coreia é o pior time do jogo, do ponto de vista técnico, e além disso, o tempo é bem curto para a virada. O desafio começa em uma falta, e logo você irá reparar que a bola parada é uma das principais saídas que terá, tendo em vista as limitações. O meia direito Lee (camisa 9 e principal jogador do meio-campo) é uma boa opção. Não tem velocidade superiores aos marcadores, mas se tiver malícia no joystick, é possível se desvencilhar. Ainda assim, Lee será uma saída melhor na obtenção de um escanteio do que efetivamente para um drible ou mesmo chute.

JOGO 4: Escócia 1×0 Holanda
2 minutos por jogar – Dificuldade 1

“Segurar um resultado por tanto tempo contra a Holanda? Pedreira!”, podem pensar alguns. Pelo contrário. Esse é, talvez, o desafio mais tranquilo de ser concluído. Basta alguns cuidados a mais na marcação, especialmente quando os holandeses partirem para as jogadas pelas pontas (Bergsen na área é perigoso) seguidas de cruzamento. Da mesma forma, porém, o meio-campo não é dos mais marcadores. O que facilita os contra-ataques, por um lado. Por outro, no entanto, a Escócia não conta exatamente com um time rápido. Gallach pode fazer um papel semelhante ao de Galfano com a Itália. Claro, sem a mesma velocidade. Mas o espaço chega a ser maior. É a chance.

JOGO 5: Bulgária 0x1 Alemanha
2 minutos por jogar – Dificuldade 3

Quem acompanhou o duelo entre búlgaros e alemães na Copa de 1994 lembra da reação do time de Hristo Stoitchkov e companhia. O desafio aqui, portanto, é tão complicado quanto. A Alemanha de ISS é bastante forte e rápida. No entanto, joga com três zagueiros e muito adiantada, o que, em tese, tornaria os avanços laterais uma boa pedida. A Bulgária joga com três atacantes. Então é só a bola chegar a eles, correto? Sim, mas a questão é fazê-lo, especialmente porque os três meias têm características mais marcadoras (pouco velozes, mais físicos). Até por isso, muitas vezes é Milakov que busca a bola quando ela cruza o meio-campo. O melhor atacante do time é Penev, que cai pela esquerda. Como Segel (melhor zagueiro alemão) atua mais centralizado. Uma saída é puxar o contra-ataque por alí.

JOGO 6: Holanda 1×2 Brasil
2 minutos por jogar – Dificuldade 3

É, pois é. Agora você está do outro lado daquela histórica partida das quartas de final da Copa de 1994. O Brasil fez 2 a 0, a Holanda diminuiu e começou a pressionar. Apesar de jogar com três atacantes, fica a dica: não aposte nas pontas. A marcação e a velocidade do time brasileiro são bem mais eficientes por lá, e quase sempre os meias tentam forçar que você leve a bola para os lados. Busque armar os ataques pelo meio, apostando na força de Van Wijk e principalmente Visscher – muito útil para jogadas com mais velocidade e chutes de fora da área. À frente, Bergsen é bom chutador, mas Koppers é uma melhor opção de ataque. Mas cuidado: a defesa holandesa não é das melhores. Se achar necessário, abra mão de um dos atacantes de ponta (talvez De Rijk) e reforce o meio-campo.

JOGO 7: Argentina 1×3 Romênia
1 minuto por jogar – Dificuldade 5

O grande desafio de ISS, justamente com os hermanos. Uma reedição daquele que, para muitos, foi o melhor jogo da Copa de 1994, com uma das Romênias mais fortes que os videogames já viram. Quer mais? Que tal Redonda, principal meia-armador argentino, expulso? Primeiro, atenção com os contra-ataques, em especial Kantamir e Costan, que coordenam o ataque romeno pelo meio, buscando Brezul. Sem o homem de ligação, o ataque terá que ser armado por Pena ou Heretier. Curiosamente, é o primeiro volante (Santos) o tecnicamente mais destacável. Uma ideia, portanto, é deslocá-lo para a posição de Redonda, já que falta justamente essa ligação com Fuerte e Capitale. A dupla de ataque é bastante veloz e pode resolver. A questão mesmo é a bola chegar a eles.

JOGO 8: Estados Unidos 2×1 Colômbia
2 minutos por jogar – Dificuldade 2

Mesmo a frente no placar, o desafio não é tão fácil. A Colômbia da primeira metade dos anos 90 era um time bastante veloz e técnico, e sua versão para ISS também o era. Murillo é um jogador difícil de desarmar, e a dupla Perea e Alvarez (especialmente este último) é muito mais rápida e forte que os zagueiros do fraco time dos Estados Unidos. Em ISS, ainda não era possível alterar o time taticamente, então uma mudança natural, que seria fechar mais o meio com os volantes e colocar um jogador para fazer a ligação é impossível. Desta forma, uma ideia é fazer o que dá: alterar o comportamento tático do setor defensivo e mesmo do meio-campo para fazer mais a contenção. Fique de olho em Amati, cujos índices de técnica são melhores que os demais, para ligar Peccary e King – este último, mais veloz e forte, pode ser o alvo principal. Mas preocupe-se mesmo em segurar os colombianos. Não é tão simples.

JOGO 9: Bulgária 1×1 França
Acréscimos – Dificuldade 4

“Dificuldade 4 para fazer um golzinho na França?”. A questão é que tal gol deve ser feito logo, em um contra-ataque muito bem encaixado. Afinal, o lance já começa em um escanteio para os franceses. Neste caso, não há muito segredo ou tática a ser armada. É, literalmente, roubar a bola e mandar para frente. Uma saída buscar Kostov (melhor meia) e, a partir dele, alçar Penev, Milakov ou Bulgov. E boa sorte!