Depois de quatro temporadas vestindo a camisa da Internazionale, Miranda deixará o clube. O zagueiro se mudará à China e se juntará ao Jiangsu Suning, clube que possui os mesmos donos dos nerazzurri. A transferência, por motivos óbvios, acontece a custo zero para a equipe chinesa, sem que a cláusula de rescisão seja paga. Nesta sexta-feira, os interistas oficializaram o negócio e se despediram do brasileiro. Às vésperas de completar 35 anos, o defensor assinará por três temporadas com seu novo time. Encerra um ciclo que, se não foi exatamente vitorioso, deixou suas marcas em Milão.

Durante os últimos meses, parecia claro que o espaço de Miranda se reduzia na Inter. Entre algumas pequenas lesões, o zagueiro perdeu sua posição como titular e disputou somente 14 partidas na última edição da Serie A. Além disso, o investimento dos nerazzurri à sua linha defensiva indicava que o brasileiro seria relegado à reserva. Antigo companheiro no Atlético de Madrid, Diego Godín chegou para se tornar o xerife no setor, ao lado de Milan Skriniar e Stefan de Vrij. Por mais que o esquema de Antonio Conte com três zagueiros tenda a exigir uma profundidade maior do elenco, o treinador indicava outras preferências e Miranda não se mostrava disposto a esquentar o banco, desejando mais jogos. Ao final, o grupo Suning acabou realocando o veterano ao seu outro projeto. A mudança também representa um alívio à folha salarial dos interistas, avaliado em cerca de €6 milhões.

Segundo a imprensa italiana, Miranda se reuniu com diretores da Inter pela manhã e entrou em acordo para se transferir ao Jiangsu. Alguns outros clubes especulavam a contratação do zagueiro, incluindo o Monaco, que tentou seu empréstimo. A questão salarial certamente pesou na escolha de se mudar à China. Na atual temporada, o Jiangsu Suning ocupa a sexta colocação do Campeonato Chinês. Alex Teixeira é o outro brasileiro do elenco, que também conta com os italianos naturalizados Gabriel Paletta e Eder.

Em suas quatro temporadas na Internazionale, Miranda disputou 121 partidas. Manteve-se como um dos esteios da linha de zaga durante os três primeiros anos, apesar das campanhas mornas da equipe na Serie A. Antes de sua queda de desempenho nos últimos meses, entretanto, o brasileiro chegou a fazer temporadas excelentes com a camisa nerazzurra. Sua primeira campanha talvez tenha sido a melhor, em 2015/16, quando não demorou a se tornar uma liderança na defesa. Jogou o fino também em 2017/18, compondo uma dupla excepcional ao lado de Skriniar, que valeu a classificação à Champions League e garantiu a boa forma do veterano rumo à Copa de 2018.

Miranda é um zagueiro que, tecnicamente, sempre esteve entre os melhores de sua geração. Depois do sucesso com o São Paulo, o protagonismo no Atlético de Madrid permitiu que fosse reconhecido pela Europa. A trajetória vitoriosa na Espanha, todavia, não se repetiu na Internazionale da maneira como se esperava. Se a transferência no primeiro momento poderia se indicar como um salto de qualidade, faltaram taças para referendar a importância, em uma fase de mudanças conturbadas à Inter. Ainda assim, não é isso que afeta a excelência do brasileiro na Serie A, mesmo acima dos 30 anos de idade. Continuou como um dos principais nomes de seu setor em uma competição reconhecida pela qualidade dos zagueiros. O profissionalismo e a seriedade também garantem o carinho.

Diante da queda de sua capacidade física, Miranda até poderia antecipar seu retorno ao Brasil. Ainda convocado à Seleção, teria chances de continuar se sobressaindo no país e seguir cotado às listas de Tite. O futebol chinês traz outras perspectivas financeiras e, de certa maneira, também era uma brecha inadiável diante daquilo que o astro poderá lucrar. Fez a sua escolha. O provável término de sua história no futebol europeu, de qualquer maneira, garante o reconhecimento. O zagueiro permaneceu por praticamente oito anos em altíssimo nível.