Ainda faltam mais de sete meses para a decisão da Champions League, mas já existe preocupação com a realização da partida. O duelo está previsto para acontecer no Estádio Olímpico Atatürk, em Istambul. No entanto, os ataques da Turquia aos curdos na Síria geram as primeiras manifestações contrárias na Uefa. Nesta semana, a Itália enviou um pedido à confederação para que os turcos percam seu direito de receber a final.

A solicitação italiana foi assinada pelo Ministro dos Esportes, Vincenzo Spadafora. “É preciso considerar neste momento se a final em Istambul é apropriada, por conta dos graves atos contra a população civil curda e da intervenção militar. É necessário tomar a decisão mais valente e mostrar, uma vez mais, que o futebol é um instrumento de paz”, alertou o político. Na última segunda-feira, a União Europeia condenou publicamente a ação militar realizada pela Turquia contra os curdos.

A Turquia justifica que seus ataques visam desmantelar milícias curdas no norte da Síria, para que refugiados retornem de maneira segura ao país vizinho. Atualmente, 3,6 milhões sírios se refugiam no território turco e o governo local pretende que 2 milhões deles atravessem a fronteira. As forças militares curdas, no entanto, estavam entre as principais responsáveis em combater o Daesh (o autointitulado Estado Islâmico) na região. Os curdos tinham o apoio do exército dos Estados Unidos e, após a retirada dos americanos, os turcos iniciaram suas investidas. Atacaram organizações militares, mas também civis curdos.

Os conflitos entre turcos e curdos se estendem desde os anos 1920, quando a recém-estabelecida Turquia passou a reprimir a criação do Curdistão – em área histórica também encravada nos atuais territórios de Irã, Iraque e Síria. Ironicamente, a ofensiva foi iniciada por Mustafa Kemal Atatürk, primeiro presidente do país, que também batiza o Estádio Olímpico. Por décadas, os curdos tiveram seus próprios símbolos e traços culturais suprimidos pelos turcos. A resistência curda se intensificou a partir dos anos 1980, quando iniciou-se a luta armada pela criação de um estado independente. O governo turco considera instituições curdas como terroristas.

As ações da Turquia contra os curdos na Síria são apoiadas por diversos personagens do futebol local. O ato mais expresso de apoio às ações militares aconteceu nos jogos da seleção turca nesta Data Fifa. Jogadores celebraram os resultados contra Albânia e França batendo continência. Além disso, os principais clubes turcos também publicaram cartas em que manifestam-se favoravelmente ao exército nos ataques aos curdos.

O Estádio Olímpico Atatürk, célebre pela final da Champions de 2005, foi escolhido como sede da decisão de 2020 há pouco mais de um ano. O Estádio da Luz era o outro candidato a receber a partida. Estádio Krestovsky (São Petersburgo), Allianz Arena (Munique) e Wembley (Londres) serão os três palcos das edições seguintes da final, em 2021, 2022 e 2023.