A Itália tem vivido muitos episódios de racismo nos últimos anos, algo que tem levantado preocupações de longa data com a questão. Nesta segunda-feira, 23, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, de origem italiana, falou sobre os casos que tem acontecido no país. o novo Ministro do Esporte e Juventude da Itália, Vincenzo Spadafora, deu declarações fortes a esse respeito e, mais ainda: se comprometeu a acabar com o racismo dentro dos estádios.

Vincenzo Spadafora tem 45 anos e é uma das lideranças do Movimento Cinco Estrelas (Movimento 5 Stelle), um partido político italiano que é descrito como de direita, de caráter populista, com preocupações ambientais, contra a União Europeia e antiglobalista. Apesar de serem anti-imigração, defendem pautas que são abraçadas também pela esquerda, como ter cidades mais preocupadas com o meio ambiente e também defendem uma renda básica para o trabalhador.

Spadafora tem um longo trabalho contra a discriminação no seu currículo. Aos 45 anos, com histórico de trabalho social na Unicef (da qual foi presidente na Itália de 2008 a 2011) e como protetor da infância e juventude. Antes, chegou a trabalhar na secretaria do meio ambiente de Alfonso Pecoraro Scanio, deputado de 1992 a 2008. Agora, o político terá um trabalho muito complicado pela frente com a questão do racismo no futebol.

“Claro [que me preocupo], e compartilho esta preocupação com o presidente da Fifa, Gianni Infantino, e com o presidente da FIGC, Gabriele Gravina. Todos temos a vontade de enfrentar este problema de maneira séria e definitiva”, afirmou Spadafora.

O repórter pondera que o problema não está apenas nos ultras, que acontece em outros setores do estádio, na imprensa e até nos próximos clubes, institucionalmente. E, assim, pergunta se a Itália é um país racista.

“Não acredito que a Itália seja um país mais racista que os outros. Eu me ocupo de jovens e do esporte e posso garantir que do ponto de vista educativo e esportivo, farei todo o possível. Eliminar o racismo da sociedade é um processo longo e custoso, que chegaremos mais adiante, mas eu me comprometo a eliminá-lo dos estádios durante o meu mandato. Inclusive ao custo de tomar decisões impopulares”, disse o ministro.

“Quando chegam punições, quando se leva a cabo um endurecimento das regras, é normal que haja pessoas descontentes. Mas chegou um momento de que cada um assuma a sua responsabilidade: instituições, política, federações, torcedores”, explicou o político.

“É necessário que se compreenda de uma vez que não há espaço para o racismo, nem dentro do esporte, nem fora. Me reunirei imediatamente com todos os representantes do esporte para compartilhar com eles uma verdadeira mudança, com punições mais duras e mais eficazes. Meu objetivo é fazer com que os torcedores queiram se afastar dos racistas ao seu lado. Se não o fizerem por convicção, ao menos que seja por conveniência. Tenho algumas ideias, mas quero primeiro me sentar com todos. O caminho é longo, neste país chegou o momento de dar um salto de qualidade”, declarou Spadafora.

“Acabo de começar o meu mandato, mas me comprometo contra a discriminação há muito tempo, começando como presidente da Unicef e continuando como Protetor de crianças e adolescentes [cargo dado pelo legislativo italiano]. É o compromisso de uma vida, que agora tenho a possibilidade de realizar no âmbito esportivo. O governo queria um Ministro do Esporte real porque considera que é um recurso para o país, uma excelência da Itália como a moda e a gastronomia. O futebol é entretenimento, mas também um momento de crescimento e uma escola da vida. É isso que deve voltar a ser”, declarou ainda o político.

O trabalho de Spadafora será muito grande. Será preciso ter medidas duras e parar os jogos, como aconteceu no fim de semana passado no jogo entre Atalanta e Fiorentina, quando torcedores insultaram o brasileiro Dalbert. Dada a repercussão recente com torcedores e até clubes defendendo o comportamento racista, será uma batalha complicada.