Uma fala do presidente da Conmebol pareceu incomodar demais o governo chileno. Alejandro Domínguez disse, em Lima, que “avançamos em 11 dias o que nos havia custado mais de 11 meses”, se referindo à mudança da sede da final de Santiago para Lima. A capital chilena vive um caldeirão de protestos contra o governo do país, razão pela qual a final da Libertadores teve que sair da cidade. “Lima era onde deveríamos ter vindo desde o início”, complementou. E o comentário incomodou. A ministra do esporte do Chile, Cecilia Pérez, respondeu de forma dura contra o dirigente da Conmebol.

“As declarações do senhor Domínguez foram uma surpresa negativa com sabor amargo. Não foi o que nos disse por videoconferência. Entendemos, mesmo quando garantimos todas as medidas de segurança para que o evento se realizasse. Os clubes que tinham que disputar disseram que seus jogadores não se sentiam seguros vindo para o Chile. Nós compreendemos, ainda que tenhamos ressaltado que contávamos com todas as medidas de segurança”, afirmou a ministra.

A seguir, Pérez entra em detalhes que a Conmebol nunca mencionaria em seus comunicados oficiais. A versão da ministra do esporte do Chile é de que a demora a que a confederação se referia aconteceu por causa de exigências exageradas da Conmebol.

“Quando ele diz que em 11 meses não foi feito o que se fez em 11 dias em Lima, a que ele se refere? Que nós, como governo, não aceitamos uma lei que isentaria de impostos tanto a Conmebol quanto seus patrocinadores? Falava de não aceitarmos fechar o estádio dois meses antes e que nossos esportistas não poderiam treinar? Ou que não aceitamos financiar uma festa de 40 milhões em Castillo Hidalgo para os dirigentes da Conmebol e seus patrocinadores?”, disparou Pérez.

“Esperamos que tenham sido más palavras e um mal-entendido, que a Conmebol tivesse avançado em transparência, de entendimento com os respectivos governos, não digam uma coisa em privado e manifestem outra publicamente”, afirmou ainda a ministra. “Espero que o senhor Domínguez possa se retratar de suas palavras e seja sincero com a conversa que tivemos.”

Com as exigências que a Conmebol pontuava, Pérez reforça “Voltaríamos a recusar. Nossos esportistas, nossas leis e normativas estão acima que qualquer evento e instituição internacional”, continuou Pérez, antes de complementar com uma provocação.

“Esperamos que, para o futuro, essa nova liderança, com o passado ruim que eles tenham, digamos com todas as letras, possa avançar para uma liderança séria e responsável e maior transparência de como eles comunicam decisões em privado.”

Lima era originalmente uma das candidatas à final da Libertadores, mas perdeu para Santiago e ganhou a Copa Sul-Americana como prêmio de compensação. No fim a decisão da Sul-Americana aconteceu em Assunção, e acabou que o Peru pegou a final da Libertadores. Manifestações políticas começaram no Chile em meados de outubro contra o aumento das tarifas dos transportes públicos, se estendendo a reclamações mais amplas, como corrupção, custo de vida e desigualdade social até o ponto em que a reivindicação é uma nova constituição para o país.

Depois de reforçar que a final seria em Santiago uma semana após o início dos protestos, a Conmebol só foi voltar atrás na decisão e anunciar Lima em 5 de novembro, a menos de 20 dias da decisão deste sábado (23).