Mina foi herói tardio de um triunfo sufocante do Palmeiras – de um triunfo de Libertadores

Zagueiro marcou o gol nos acréscimos que garantiu a vitória por 1 a 0 sobre o Jorge Wilstermann

Quando se questiona os clubes brasileiros sobre observarem mais a fundo o mercado sul-americano, para que contratem os talentos de outros países antes de se tornarem unanimidades, Yerry Mina surge como um acerto daquilo que pode ser bem feito. Não que o zagueiro colombiano fosse um completo desconhecido, destaque do Independiente Santa Fe em boas campanhas, inclusive na conquista da Copa Sul-Americana. No entanto, também não era um nome tão óbvio assim, começando a ganhar seu espaço no elenco da seleção principal. E, depois de tudo o que jogou na conquista do Brasileirão, ninguém duvida dos méritos do Palmeiras. Confiança renovada da melhor maneira aos alviverdes nesta quarta. O defensor foi o herói de uma vitória cardíaca, aos 51 do segundo tempo, com gosto de Libertadores. A primeira do time na competição, batendo o Jorge Wilstermann por 1 a 0 no Allianz Parque.

O lance decisivo de Mina, no finalzinho, premiou a grande atuação do beque palmeirense. Sua influência sobre o sistema defensivo, desde o ano passado, é enorme. Nesta quarta, foi importante na afastar o perigo nas poucas vezes que os bolivianos conseguiam chegar mais à frente. E a experiência de ter disputado recorrentemente as competições continentais desde que chegou ao Santa Fe valem bastante, mesmo que tenha apenas 22 anos. Além do mais, o zagueiro-artilheiro costuma ser um perigo no ataque. Depois de levar perigo em alguns lances, estava no lugar certo para estufar as redes.

Mas não que tenha sido um jogo fácil ao Palmeiras. O Jorge Wilstermann jogava por uma bola. E ela quase veio logo nos primeiros minutos, não fosse um verdadeiro milagre de Fernando Prass, voando em cima da linha. No entanto, a primeira etapa foi toda dos alviverdes. Trocavam bem os passes, se colocavam no campo de ataque, botavam os bolivianos contra a parede. O meio-campo composto por Guerra e Felipe Melo era fundamental para o ritmo imposto pelos paulistas, especialmente pela qualidade técnica do venezuelano em orquestrar o coletivo. Todavia, faltava acertar um pouco mais as conclusões. Os palmeirenses precisavam caprichar mais no passe final, assim como nas finalizações. Borja ficou devendo, por dois lances em que poderia ter aberto o placar, mas desperdiçou.

Do outro lado, é necessário elogiar também a postura do Jorge Wilstermann. Como os clubes bolivianos vêm demonstrando em suas participações mais recentes na Libertadores, a organização tática cada vez mais torna-se uma virtude, independentemente da inferioridade técnica de seus jogadores. Assim, o técnico Roberto Mosquera armou um esquema bem protegido, com cinco defensores. Souberam conter a imposição do Palmeiras durante a maior parte do tempo, assim como amarraram a partida, jogando duro e gastando o tempo. Além disso, a linha de impedimento conseguia atrapalhar os atacantes adversários com frequência.

Na volta para o segundo tempo, o Palmeiras tentou ser mais incisivo. Desperdiçou uma grande chance com Guerra, antes de ter um gol anulado, por impedimento de Mina. A bola parada era a principal alternativa dos alviverdes, enquanto tentavam colocar pressão. De qualquer forma, o confronto era tenso. O Jorge Wilstermann tentava desestabilizar os anfitriões, à medida que o nervosismo começava a tomar conta da atmosfera do Allianz Parque. Os 38,4 mil presentes esperavam a vitória, que já estava demorando.

Criticado nas últimas semanas, Eduardo Baptista mandou a campo Keno, Roger Guedes e William, que congestionavam o ataque, mas davam mais qualidade ao time pelos lados do campo. Tentavam abrir a defesa boliviana, atrás da brecha que possibilitasse o gol. Franco Olego teve a chance de calar as arquibancadas, mas não aproveitou um raro ataque dos visitantes na segunda etapa. A noite deveria ser mesmo alviverde. Sufocando os adversários ao redor da grande área, o Palmeiras ganhava faltas. A chance de mandar a bola para a área. A oportunidade para marcar o gol. Assim aconteceu no último minuto dos acréscimos, com muita insistência. A bola pipocou diversas vezes, procurando Keno. O camisa 27 rolou para Roger Guedes, que cruzou na medida para Mina completar. O tento que fez explodir o Allianz Parque, num misto de euforia e alívio.

A vitória buscada pelo Palmeiras é daquelas que moldam o caráter do time na Copa Libertadores. Conquistada na base do coração. Alguns questionamentos ficam, especialmente sobre a utilização de jogadores mais ofensivos desde os primeiros minutos, assim como sobre as variações táticas durante o jogo que dificultem mais a vida dos oponentes. No fim das contas, a estratégia acabou dando certo, mesmo que tenha tardado tanto. Mas importante mesmo são os três pontos na conta, garantindo certa tranquilidade para a sequência da competição. Os palestrinos fizeram a sua parte no Allianz Parque.