James Milner lançou um livro: Pergunte a Um Jogador de Futebol. Título auto-explicativo. Ao longo das páginas, ele percorre sua longa carreira respondendo perguntas dos torcedores. E há poucos mais qualificados para o papel de oráculo no futebol inglês porque Milner está na estrada há muito tempo. Começou carreira aos 16 anos e segue em alto nível aos 33, como uma peça importante de um time que, em suas palavras, se propõe a fazer história.

O Liverpool de Jürgen Klopp precisou bater na trave algumas vezes, com os vice-campeonatos da Copa da Liga, da Liga Europa e da própria Champions League, antes de conquistar seu primeiro título. Se depender de Milner, foi apenas o começo.

“Você está sempre buscando o próximo. Você ouve jogadores que e aposentaram falando sobre como não aproveitaram os grandes momentos como gostariam, e é verdade. Você não consegue, na verdade. Você aproveita na hora, mas não pode permanecer naquilo porque, se o fizer, é atropelado. Não queremos ser conhecidos como o time que ganhou a Champions League uma vez. Queremos ser um daqueles times que as pessoas perdem as contas de quantos títulos ganhou porque é troféu atrás de troféu”, disse, ao site The Athletic.

“Precisamos de algumas finais a mais do que gostaríamos para conquistar o primeiro, mas conseguimos alguns agora, com a Champions League e a Supercopa da Europa, e obviamente temos o Mundial de Clubes e estamos lutando pela Premier League novamente. É um momento empolgante para o clube, a maneira como o time evolui, e espero que possa ficar aqui mais tempo”, completou.

Uma dessas máquinas de títulos que Milner mencionou foi o próprio Liverpool dos anos setenta e oitenta, comandado por Bob Paisley, Joe Fagan e depois Kenny Dalglish, domínio que efetivamente terminou com o título inglês de 1989/90. Foi o último, e nada no momento importa mais ao torcedor dos Reds do que voltar a conquistar a Inglaterra. E, depois de ficar a um ponto do City na última temporada, apesar de ter perdido apenas um jogo, o Liverpool começou com tudo a Premier League, com nove vitórias e um empate.

Uma consistência impressionante que contrasta com o futebol que Milner afirmou que precisava ser “um pouco mais enfadonho” depois de uma sequência de empates cheio de gols e reviravoltas. “Experiência, jogar juntos, confiança e apenas a maneira como o time evoluiu, eu acho. Nós éramos muito entusiasmados em alguns momentos antes e parecia que tínhamos períodos do jogo que poderíamos explodir qualquer um. Mas talvez não soubéssemos como parar e quando parar de mandar tantos jogadores à frente”, disse.

“Nós nos desenvolvemos desde então. As pessoas podem olhar para nós, dois anos atrás, e dizer que jogávamos um futebol mais excitante mais vezes, mas, no jogo seguinte, estaríamos fora de ritmo e perderíamos ou empataríamos, e agora há consistência, o conhecimento de como executar o trabalho, mesmo que estejamos em um dia ruim. Se demorar 95 minutos, encontramos uma maneira. O time ficou muito bom nisso. Quando você joga 50 ou 60 jogos por temporada, não jogará seu melhor todas as vezes, então precisa encontrar maneiras de vencer jogos quando não está no seu melhor”, completou.

Em outra entrevista, ao Guardian, Milner comentou também que, apesar do bom momento, é extremamente difícil conquistar a Premier League, o que ele conseguiu fazer no Manchester City. “Nós estávamos voando, vencendo todas as semanas e sentíamos que estávamos 10 pontos à frente. E ainda éramos segundo. Ano passado, se tivessem me dito: ‘você perderá apenas um jogo a temporada toda’. Eu arrancaria sua mão. Mas não foi bom o suficiente”, disse.

“Nesta temporada, temos um time que pode chegar lá. Acho que há calma em volta do clube, tanto dentro quanto fora, e as pessoas estão confiantes que conseguiremos. Mas o City é tão bom que é capaz de ganhar todos os jogos. A diferença (seis pontos) não é tão grande, então precisamos continuar lutando e não se preocupar muito sobre o título”, acrescentou.

Aos 33 anos, Milner tem contrato apenas até o fim da temporada e gostaria de resolver logo eu futuro. Não é titular absoluto, mas joga regularmente e não faz muito tempo que bateu o recorde de assistências em uma única edição da Champions League. “Tem havido conversas e eu gostaria de resolver isso logo. Estou concentrado jogo a jogo e isso não mudará se eu estiver no clube por mais cinco anos ou por um mês porque eu darei tudo que tenho pelo Liverpool enquanto estiver aqui. Mas obviamente seria legal saber qual será o futuro. Espero que isso seja resolvido”, completou, ao The Athletic.