Milner foi um reforço de ocasião do Liverpool. Sem contrato com o Manchester City, tinha experiência e histórico vencedor, duas commodities que o clube precisava. Saiu melhor que a encomenda. O meia inglês de 33 anos tornou-se um jogador muito útil e, como vice-capitão, um líder dos vestiários. Embora tenha atuado em outros cinco clubes ingleses, tem também identificação com a torcida, como demonstrou no desfile da taça da Champions League, no último domingo.

De acordo com o Liverpool Echo, quando o desfile em meio a 750 mil pessoas terminou, por volta das 20h, horário local, o ônibus dirigia-se de volta a Melwood quando Milner pediu que ele fizesse uma parada na frente da casa de Andrew Devine, sobrevivente da tragédia de Hillsborough que matou 96 torcedores dos Reds na semifinal da Copa da Inglaterra de 1989 contra o Nottingham Forest.

Devine, 53 anos, trabalhava nos Correios quando foi ao fatídico jogo e teve o seu peito amassado. Ficou muito tempo sem oxigênio e precisou ser conectado a uma máquina para continuar vivo. Os médicos não esperavam que ele sobrevivesse até o fim do dia, mas, 30 anos depois, segue firme e forte, embora dependente de uma cadeira de rodas, morando com os pais no sul de Liverpool, com assistência médica 24 horas.

Quando o ônibus parou, Milner pegou o troféu da Champions League o exibiu na direção de Devine, que ele já conhecia de visitas do torcedor ao centro de treinamentos de Melwood. “Foi um gesto muito gentil. Fez o dia de Andrew”, contou a mãe Hilary, ao Liverpool Echo. Gesto muito gentil e gigantesco, digno de um dos capitães do clube seis vezes campeão da Europa, e uma anedota ilustrativa da relação próxima e forte entre o Liverpool e sua comunidade.

Milner com o troféu na casa de Andrew Devine (Foto: Reprodução/Liverpool Echo)