A Atalanta confiou na conquista. Acreditou que poderia romper o jejum de 56 anos sem conquistar a Copa da Itália. Almejou a taça que reconheceria o trabalho de Gian Piero Gasperini nas últimas temporadas. E, movidos por este sentimento, mais de 20 mil torcedores da Dea invadiram o Estádio Olímpico para a final da Copa da Itália. Acabaram se frustrando, com a vitória categórica da Lazio por 2 a 0. Diferentemente do encontro recente pela Serie A, os biancocelesti fizeram um jogo bem mais parelho, neutralizando a força ofensiva dos nerazzurri. Criaram suas chances e, ao final, viram o herói sair do banco: Sergej Milinkovic-Savic, que mudou os rumos da partida e permitiu o grito de campeão. Ao final, a festa seria mesmo dos anfitriões, em seu sétimo título na Coppa.

O primeiro tempo no Estádio Olímpico foi truncado, mas também bastante aberto. Os dois times alternaram suas chances e poderiam ter saído em vantagem no placar. A primeira chance foi da Atalanta, com Papu Gómez forçando a primeira defesa de Thomas Strakosha. No entanto, logo a Lazio passaria a administrar um pouco mais a situação e esfriaria o ímpeto da Dea. Quando Lucas Leiva tentou marcar de cabeça, seu tiro seguiu para fora.

A melhor oportunidade da etapa inicial aconteceu aos 25 minutos. Foi um bombardeio da Atalanta. A partir de uma cobrança de falta, Marten de Roon emendou dentro da área e carimbou a trave. O rebote sobrou com os nerazzurri e, por duas vezes, a zaga da Lazio conseguiu bloquear o chute. Por fim, quando a sobra terminou com Duván Zapata, ele cabeceou para fora, em ótimas condições. Ainda houve um toque de mão no meio do caminho, durante o arremate de De Roon, mas a arbitragem não marcou – o que gerou muitas reclamações após o jogo. Aliviados por segurarem a igualdade, os laziali deram um pouco mais de trabalho em suas escapadas com velocidade, mas nada que alteasse o placar.

A tensão seguiria imperando durante o segundo tempo. A Atalanta começou melhor e Strakosha voltou a ser exigido, pegando uma bola de Timothy Castagne. A Lazio, ainda assim, conseguiu se segurar e tentou impor certa pressão aos 20 minutos, com as energias do ataque renovadas por Felipe Caicedo – substituindo o anulado Ciro Immobile. E quando a Dea respondeu, não marcou por centímetros. Em uma sequência de bons ataques, Papu Gómez mandou uma bola que beliscou a trave aos 30 minutos.

O protagonista da final seria um herói inesperado. E não por falta de talento, mas por seu momento. Sergej Milinkovic-Savic viveu uma temporada muito aquém das expectativas, com a cabeça fora da Lazio. Expulso contra o Chievo há pouco menos de um mês, comprometeu a situação do time na Serie A e passou a esquentar o banco. Nesta quarta, começou na reserva e só entrou aos 34 do segundo tempo, no lugar de Luis Alberto. Pois, três minutos depois, o sérvio anotou o gol que valeu o título. Em seu terceiro toque na bola, apareceu na área para desviar de cabeça o escanteio cobrado por Lucas Leiva e abrir o placar. Se realmente deixar a capital, fica o legado garantido por um gol decisivo.

Depois do tento, Gian Piero Gasperini tentou colocar a Atalanta no ataque. Realizou três alterações de uma só vez. O time se abriu atrás e quase Joaquín Correa ampliou, parando no goleiro Pierluigi Gollini. A solução da Dea era mandar a bola na área e buscar os cruzamentos. Todavia, a pá de cal veio aos 44. Caicedo deu um chutão para rifar a bola na zaga biancocelesti e iniciou o contra-ataque. Joaquín Correa pegou na intermediária e, em máxima velocidade, anotou um golaço. Aplicou um drible da vaca em Remo Freuler, driblou Gollini e finalizou às redes vazias. O sonho dos nerazzurri se encerrava ali. Diante do desespero dos oponentes, os laziali poderiam anotar até o terceiro nos acréscimos. Não foi necessário.

A Atalanta se decepciona, obviamente. A vitória por 3 a 1 na capital, há dez dias, apontava o favoritismo à Dea. E por mais que não tenham feito um jogo ruim, os nerazzurri viram uma Lazio bem mais concentrada em sua missão. Ao final, o título não se concretizou por detalhes e, reconhecimento a isso, os torcedores aplaudiram a equipe no Estádio Olímpico. Certamente oferecerão uma recepção calorosa em Bérgamo, pensando na importante reta final da Serie A. O time de Gian Piero Gasperini não pode abaixar sua cabeça e, a duas rodadas do final, possui ótimas chances de alcançar a classificação inédita à Champions. Juventus e Sassuolo são os próximos desafios.

Enquanto isso, a Lazio tem seu grande prêmio. Se o desempenho na Serie A decepciona, perdendo força na luta pelo G-4, os biancocelesti reagiram no momento certo. A vitória na Copa da Itália já garante a vaga na Liga Europa e, mais importante, uma taça a mais no museu. É a sétima vez que os laziali conquistam o torneio, a primeira desde 2013. A festa no Estádio Olímpico dimensiona a importância do momento.