Lá se vão nove anos desde o último título de expressão do Milan, a Serie A de 2010/11. Na última década, a queda do clube tem sido técnica e também de reputação, e a diretoria trabalha duro para reverter o movimento e voltar ao topo do futebol europeu. Para isso, decidiu repensar o modelo de gestão, e dois pontos principais deverão guiar as próximas ações da instituição: um diálogo corrente com o Liverpool e a nova parceria com a Roc Nation, agência de entretenimento do rapper Jay Z.

Em entrevista à AP, Casper Stylsvig, diretor de receitas do Milan, revelou que o clube tem mantido contato com o Liverpool para aprender um pouco da receita de sucesso dos ingleses, que lhes permitiu sair de uma era parecida com a que os italianos vivem agora. Os frutos do trabalho a longo prazo dos Reds começam a ser colhidos, com o time sendo o atual campeão da Champions League e da Premier League, conquista aguardada por 30 anos.

“Temos conversado com o Liverpool porque eles passaram pelo mesmo caminho em que estamos agora. Estamos trabalho muito duro para voltar para onde deveríamos estar, e, nessa perspectiva, ter vencido sete Champions Leagues ajuda a abrir portas”, afirmou Stylsvig.

O diretor de receitas reforçou que o desejo principal do Milan no momento é voltar às competições europeias e vê no Liverpool um exemplo de que, com os passos certos, isso não precisa necessariamente estar muito distante.

“Jogar competições continentais europeias é uma prioridade. É o nosso habitat natural e onde devemos estar. Quatro, cinco anos atrás, ninguém levava o Liverpool em consideração, e olha onde eles estão agora. Eles claramente jogam um futebol muito atrativo. Estão vencendo, têm um técnico fantástico, um time fantástico e agora estão seguindo isso também de uma perspectiva comercial. Levou tempo, mas o modelo deles parece funcionar.”

O dirigente reconhece que a direção rossonera errou ao ter adotado uma estratégia muito doméstica e afirma que agora é o momento de pensar de maneira mais ampla, à altura da reputação histórica do clube.

“Nós, obviamente, somos uma marca global. Provavelmente eu passei muito tempo no mercado italiano nos últimos anos, e o Coronavírus nos forçou a pensar mais globalmente de novo.”

Nesse ponto, entra a inédita parceria com a Roc Nation, agência de entretenimento de propriedade do rapper Jay Z. Além de representar artistas como Rihanna, J. Cole, Lil Uzi Vert e Megan Thee Stallion, a empresa tem um braço esportivo, que hoje cuida da carreira de jogadores como Bernardeschi e Lukaku. A colaboração com o Milan, no entanto, é a primeira do tipo entre uma companhia como a Roc Nation e um clube de futebol.

“Eu acho que a fusão entre esporte e entretenimento pode ser uma maneira de engajar novos torcedores. O mundo mudou drasticamente, e precisamos acompanhar. A Roc Nation está nos ajudando, nos desafiando com isso, é bom ter alguém ao nosso lado para fazer isso. Tem sido incrivelmente desafiador. Você basicamente precisa repensar o modelo. Então, uma das primeiras coisas que fizemos foi focar muito mais o espaço digital, a criação de conteúdo, tentando ser engajados e nos comunicar com nossos parceiros”, explicou Stylsvig.

A construção de um novo estádio é também vital para os planos a longo prazo do Milan, e o diretor crava que a nova casa irá “mudar o clube”, não só pelas receitas, mas também pela “percepção do clube”.

O olhar para a convergência de futebol e entretenimento é um acerto do Milan ao menos em teoria. A prática, a maneira de fazer as coisas, irá determinar o sucesso deste passo. Porém, ele é essencial para um clube desta magnitude, no início de uma era de mudanças para todo o futebol. PSG e Juventus são dois homólogos que perceberam isso cedo e já começaram a agir, e as parcerias do primeiro com a Jordan e do segundo com a marca de luxo Off-White são apenas os exemplos mais concretos de caminhos possíveis com esse novo olhar.