Devido à primazia da Juventus nos últimos anos, não dá para considerar a Serie A um campeonato nivelado. Porém, neste domingo, a competição ganhou um jogo de placar nada magro, mas quase totalmente equilibrado. Os protagonistas não poderiam não ser o time italiano com mais triunfos na Europa e que vem atravessando tempos difíceis de um tempo para cá contra a equipe mais interessante desta temporada do Calcio. Em um San Siro não muito preenchido por pessoas, mas com vozes, jogadas e gols que o transformaram em palco de mais um espetáculo, Milan e Sassuolo jogaram a sétima rodada do campeonato italiano como se estivessem disputando uma taça.

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Quer dizer, o duelo teve mesmo um pequeno sabor de revanche, ainda que não plenamente. Isso porque na temporada passada, o Sassuolo “roubou” a sexta posição na tabela do Milan, a qual garantia uma vaga nos playoffs da Liga Europa. E por falar no torneio europeu, é pelo desempenho e postura na competição, também, que os neroverdi são o time mais curioso da Serie A 2016/17. Sob o comando de Eusebio Di Francesco, a equipe do Città del Tricolore ganhou traços muito interessantes e características bastante ofensivas, mesmo se tratando de um técnico que foi formado no Catenaccio. A prova disso é como o Sassuolo se comportou quando ficou em desvantagem no placar neste domingo.

Logo aos nove minutos do primeiro tempo, o Milan largou na frente no marcador com Giacomo Bonaventura acertando um chute rasteiro de fora da área. Foram precisos menos de 60 segundos para que os neroverdi esboçassem alguma reação depois de terem tomado o gol. Aos 10 minutos, Matteo Politano empatou depois de uma falha da zaga rossonera. A partir de então, a equipe visitante se mostrou em sua melhor forma e com a cara que Di Francesco a deu desde que assumiu o cargo de treinador: jogando para frente. E isso mesmo estando fora de casa. No entanto, foi só na segunda etapa que o Sassuolo conseguiu efetivar sua ofensividade, fazendo dois gols em menos de três minutos, para o desespero momentâneo do Milan.

A essa altura, Gianluigi Donnarumma, o goleirão de apenas 17 anos, poderia ter desalentado por conta de pressão e do placar desfavorável (do qual, é importante dizer, ele não teve culpa alguma). Mas não foi bem isso que aconteceu. Aliás, não só com ele. O resto do time não se deu por vencido e foi buscar o empate. E foi a partir do pênalti sofrido por M’Baye Niang (que, também é importante falar, foi um lance bastante controverso) que os rossoneri foram atrás não só de igualar o placar, como também transformá-lo vantajoso a seu favor novamente. Carlos Bacca converteu o pênalti e, minutos depois, Manuel Locatelli, de 18 anos, virou o jogo marcando seu primeiro tento atuando como profissional no Milan. Com seu gol, inclusive, o colombiano se igualou a Gonzalo Higuaín e Mauro Icardi no topo da artilharia do campeonato.

A virada veio com Gabriel Paletta, de cabeça, mostrando que veteranos podem ser tão úteis quanto os jovens que fizeram toda a diferença na partida, por que não? 4 a 3, e ainda faltavam cerca de 20 minutos para o árbitro apitar o fim do jogo. Com sete gols, os dois times fizeram um jogaço, como há algum tempo não faziam no campeonato italiano. Pelo menos não os rossoneri e com os neroverdi. Assim sendo, o Milan reassume a terceira colocação na tabela, à medida que o Sassuolo fica com o 13º lugar. Ao menos por enquanto, já que a rodada ainda conta com a Roma enfrentando a Internazionale (outra promessa de jogão) para ser fechada.