Ídolo do futebol francês e ex-presidente da Uefa, Michel Platini foi liberado nas primeiras horas desta quarta-feira após ser detido para prestar depoimento em uma investigação francesa que analisa suposta corrupção na escolha do Catar como sede da Copa do Mundo de 2022. Diferentemente do que foi amplamente noticiado, Platini não foi preso, apenas detido por motivo técnico para manter a confidencialidade de suas declarações às autoridades.

A detenção de Platini na terça-feira aconteceu como parte de uma investigação criminal do Parquet National Financier, instituição que investiga grandes crimes financeiros. Há dois anos, o órgão trabalha em supostos crimes cometidos na escolha do Catar como sede da Copa de 2022.

Conforme publica o Guardian, o PNF está investigando possíveis corrupção privada, conspiração criminosa e tráfico de influência pelo voto da Copa de 2022, todas essas categorias de corrupção na lei francesa.

Durante a época de escolha da sede do Mundial de 2022, Platini era presidente da Uefa, portanto, um dos 22 membros do comitê executivo da Fifa com direito a voto.

Deixando a Polícia Judicial em Nanterre, perto de Paris, Platini disse estar magoado com a situação. Foram mais de 12 horas sob custódia respondendo a perguntas, e o ex-dirigente disse ter colaborado com a investigação.

“Foi muito longo, considerando o número de perguntas. Obviamente, seria longo, já que me perguntaram sobre a Euro 2016, a Copa do Mundo na Rússia, a Copa do Mundo no Catar, o PSG, a Fifa. Eu cheguei e fui imediatamente levado sob custódia. Machuca. Machuca por tudo que consigo pensar, tudo que já fiz. Machuca. Mas, no fim das contas, eles fizeram seu trabalho, e tentamos responder todas as perguntas. Respondi todas elas calmamente, sem saber ainda por que eu estava lá. Foi longo, mas, devido ao número de perguntas, não poderia ter sido diferente”, contou Platini a repórteres.

Segundo o jornal Le Monde, o PNF está sobretudo interessado em um almoço que Platini teve nove dias antes do voto para escolha da sede do Mundial de 2022. Na refeição, estiveram presentes, além do ex-presidente da Uefa, Nicolas Sarkozy, ex-presidente francês, e Tamim al-Thani, filho do então Emir do Catar e hoje ele próprio líder do país, e o xeque Hamad bin Jassim.

Platini admite que Sarkozy queria que ele votasse no Catar para sediar a Copa e revela que o ex-presidente da França desejava que os catarianos assumissem o Paris Saint-Germain. Platini, no entanto, diz que já havia decidido votar no Catar antes do encontro com o ex-presidente francês, tendo considerado inicialmente o voto nos Estados Unidos. Em 2015, Sarkozy também negou ter influenciado o voto de Platini.

Além do ex-jogador, figuras do governo de Sarkozy foram interrogadas, mais especificamente, Claude Guéant, ex-secretário geral do governo francês, e Sophie Dion, assessora de Sarkozy.

Como Platini afirmou a repórteres ao deixar a Polícia nesta quarta-feira, a Copa de 2022 não foi o único tema de sua conversa com os investigadores. A escolha da França como sede da Euro 2016, um triunfo pessoal para Platini, ídolo do país, também foi alvo de perguntas. A França venceu o pleito para sediar a competição por apenas um voto a mais do que a Turquia, que também concorria pelo direito de receber o torneio. No entanto, por ora, não existem indícios de corrupção nesta votação.

O francês foi banido do futebol em dezembro de 2015 junto com o então presidente da Fifa, Sepp Blatter, por ter recebido deste um pagamento de dois milhões de francos suíços em 2011. A punição se encerra em outubro de 2019, e Platini esperava retornar ao futebol após isso, mas a nova situação certamente representa um obstáculo em seus planos.