Eliminatórias da CopaMéxico

Gracias, Friends! México é salvo pelos EUA. Quem diria…

Foi desesperador, emocionante, vergonhoso, mas foi! Aos trancos e barrancos, dependendo muito mais da incapacidade dos adversários (e do auxílio dos rivais já classificados), a seleção mexicana garantiu vaga na repescagem. E manteve vivo o sonho de disputar seu sexto mundial consecutivo.

Mesmo com uma campanha medíocre, bastava a Tricolor um triunfo e um empate nas rodadas decisivas. Uma vitória com folga em casa, frente ao Panamá, rival direto na briga pela quarta vaga, já garantiria o passe para o confronto decisivo. Mas a incapacidade emocional mais uma vez imperou entre os aztecas.

Em casa, a vitória não escapou por muito pouco. Um gol de Tejada, aos 36 minutos da etapa final igualou o marcador, implicando num cenário no qual a Tricolor entraria na última rodada dependendo de outros resultados para ficar com a vaga. A salvação veio por meio de um golaço anotado pelo jovem Raúl Jiménez. Uma obra de arte que, se não garantiu, ao menos melhorou e muito o cenário para a rodada decisiva. O Azteca explodiu. Bastava um empate na última terça-feira contra os já classificados costa-riquenhos. Isso em caso de improvável vitória dos panamenhos contra os Estados Unidos.

O problema é que faltou combinar com os adversários. Mais: faltou avisar os jogadores mexicanos que a vaga (para a repescagem!) ainda não estava assegurada. Um time instável, refém de referências incapazes de liderar o grupo e abalado pelo risco de ficar sem uma vaga sempre certa e tranquila nas últimas três gerações por muito pouco não se tornou o responsável por um dos maiores vexames da história azteca.

O gol de Bryan Ruiz surgiu de (mais um) momento de desatenção da zaga mexicana. O veterano Oribe Peralta empatou logo na sequência, tranquilizando um pouco a situação. Mas a busca desesperada pelo tento que selaria a quarta posição, e a quantidade de chances desperdiçadas, trouxe de volta a desorganização que marcou o desempenho azteca no hexagonal decisivo. Trouxe de volta, também, os contragolpes fulminantes dos adversários. E foi justamente em um desses, já no segundo tempo, que Álvaro Saborío colocou os Ticos novamente em vantagem e afundou qualquer chance de reação.

A situação piorou nos minutos finais, quando Tejada colocou o Panamá na frente do marcador contra os EUA e, restando menos de dez minutos, os mexicanos viam dissipar-se qualquer possibilidade de vaga, consumando uma antes inacreditável eliminação. Sem organização tática e com pouco senso de coletivo pela situação inesperada, a Tricolor nem mesmo ameaçou o gol da Costa Rica nos minutos restantes. O alento veio pelos pés de Zusi e Jóhannsson, que viraram o placar para os Estados Unidos na outra partida, com gols aos 47 e 48 minutos da etapa final, e decretaram a eliminação dos panamenhos.

Mais do que nunca, os mexicanos dependeram dos gols (e do futebol) dos rivais norte-americanos para assegurar uma vaga na repescagem. Nem mesmo com todo o domínio imposto no futebol continental e com o desenvolvimento da base nos últimos anos, o México foi capaz de garantir uma das três primeiras posições em um hexagonal frente a adversários do porte de Jamaica, Panamá e Honduras. O panorama ruim motivado pela incapacidade de fazer frente aos rivais EUA e Costa Rica foi ampliado graças ao futebol insípido apresentado contra os adversários restantes, contra os quais o selecionado tinha obrigação de garantir triunfos tranquilos.

Com apenas duas vitórias em 10 partidas e somente sete gols marcados, os mexicanos agora precisam esquecer o que passou e centrar suas atenções no próximo adversário. Ainda que os neozelandeses não sejam dos rivais mais duros, o desempenho recente da Tricolor não dá margem para tranquilidade. Vucetich precisa dar liga ao grupo com urgência, inserindo algum senso de coletividade e devolvendo o bom rendimento a nomes como “Chicharito” Hernández, sob pena de, se necessário, tirar do time nomes antes intocáveis. A situação, mais do que nunca, pede medidas drásticas, mudanças bruscas ou reações.

O risco de ficar fora da Copa do Mundo do ano que vem ainda existe. E por mais que os mexicanos achassem algo distante de sua realidade, a rodada de ontem mostrou o contrário. E só não foi consumada graças aos norte-americanos. Que não estarão lá para limpar a barra azteca no duelo frente a Nova Zelandia. Pra quem planejava fazer frente aos grandes do futebol mundial nos últimos anos, os astecas precisam, primeiro, sobrepor-se aos pequenos.

Curtas

Costa Rica

– Com um triunfo na partida atrasada contra o Cartaginés e uma excelente goleada fora de casa sobre o Belén, o Herediano assumiu a ponta isolada do Campeonato de Invierno, com 32 pontos em 13 jogos. Os Florenses ainda contaram com o tropeço do Saprissa, que perdeu para o Carmelita e caiu para a 3ª posição, com 28 pontos, ultrapassado pela Alajuelense, que bateu o Uruguay e soma 29 pontos em 14 partidas. Mesmo com o revés, o Cartaginés mantém a quarta posição, com 19 pontos; 

Guatemala

– Mais líder do que nunca, o Comunicaciones aplicou um tranquilo 3×0 no Iztapa e manteve a folga no topo da Liga Nacional, com 31 pontos em 13 jogos. Aliás, esse foi o placar da rodada, com 4 das 6 partidas sendo encerradas com um 3×0 a favor do vencedor. Esse foi o panorama do triunfo do vice-líder Municipal sobre o Xelajú, que deixou os Rojos com 27 pontos, e também da vitória do terceiro colocado Heredia sobre a Universidad SC;

– Com 13 das 22 rodadas disputadas, Heredia (21 pontos), Suchitepéquez (20), Marquense (19), Mictlán (17), Malacateco (17) e Xelajú (16) completam o grupo dos que hoje estariam classificados para a fase final do Apertura;

El Salvador

– Um empate sem gols frente ao Isidro Metapán manteve o Atlético Marte na liderança do Apertura da Liga Mayor, com 24 pontos 12 rodadas. Vice-líder, o Alianza caiu para o Dragón e estacionou nos 20 pontos. Completando o fraco fim de semana para os líderes, o FAS, terceiro colocado, perdeu em casa para o Luis Ángel Firpo e segue com 19;

– Atlético Marte (24), Alianza (20), FAS (19) e Isidro Metapán (17) ocupam os quatro lugares que hoje dão vaga nas semifinais do Apertura;

Honduras

– Mesmo sendo goleado por 4×0 pelo Platense na rodada, o Real Sociedad ainda ostenta a liderança da Liga Nacional, com 21 pontos em 12 partidas. Isso por que o Olimpia foi superado pelo Real España e deixou até mesmo o segundo posto, agora dividido com o algoz, ambos com 20 pontos.

– Faltando 6 rodadas para o fim da primeira fase, Olimpia, Savio (19 pontos), Platense (16) e Victoria (16) ocupam atualmente as vagas na repescagem para a fase final. O Motagua é o sétimo, enquanto o Marathón é o nono;

Panamá

– Um empate contra o Independiente manteve o San Francisco no topo do Apertura da Liga Panamenha, com 27 pontos em 14 jogos. Vice-líder, o Tauro venceu o Árabe Unido e encostou nos ponteiros, agora com 26 pontos. Quem também aproveitou foi o Plaza Amador, que superou o lanterna Río Abajo e soma 25 pontos, na terceira colocação. O quarto é o Independiente, com 22;

-Em má fase, o Árabe Unido segue longe das vagas para o mata-mata, com 14 pontos e em 8º lugar na Copa Digicel;

Haiti

– Com o título já decidido, sobrou a briga contra a queda na Liga Hatiana. E na última partida restante do torneio, a vitória, por WO, manteve o Victory na divisão de elite do futebol local. Pior para o Cavaly, que se juntou ao já rebaixado América des Cayes e disputará o segundo nível na próxima temporada;

Nicarágua

– De virada, o Real Estelí bateu o San Marcos e manteve a folga na liderança da Liga Nacional, com 32 pontos em 13 partidas. Já o Managua superou o Diriangén e tomou dos rivais a vice-liderança, com 26 pontos em 14 jogos, contra 25 dos rivais. Dividindo a quarta posição, aparecem Walter Ferretti e Jalapa, ambos com 24 pontos.

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