Fosse por méritos próprios, o México já estaria fora da Copa do Mundo. El Tri abusou da sorte no hexagonal final das Eliminatórias. A equipe venceu apenas duas das dez partidas. Quando via suas esperanças se esvaírem na visita à Costa Rica, na rodada final, só ganhou sobrevida graças à virada espetacular dos Estados Unidos contra o Panamá. Nos trancos e barrancos, os mexicanos foram à repescagem. Um choque suficiente para acordar o país ante a possibilidade real de não vir ao Brasil. Para que o México jogasse com uma vontade imensa contra a Nova Zelândia.

A vitória por 5 a 1 valeu por tudo o que os mexicanos não jogaram na etapa anterior da qualificação. Resultado que ficou até barato, por tudo o que a equipe criou durante os 90 minutos – o goleiro Glen Moss foi o melhor neozelandês em campo, com nove defesas. Uma raça que vinha faltando nas atuações anteriores, nas quais a sonolência parecia tomar conta dos jogadores, em especial de Chicharito Hernández.

Embora tenha sido uma medida populista ao extremo, a ideia de convocar apenas jogadores do Campeonato Mexicano valeu bastante. O entrosamento ajudou bastante na postura tática do time de Miguel Herrera, que mandou a campo sete atletas do América entre os titulares. E as escolhas dos outros clubes foram a dedo: Raúl Jiménez, Rafa Márquez e Oribe Peralta, duas vezes, marcaram gols para El Tri, enquanto Carlos Peña deu uma assistência.

Também pesam as condições de jogo às quais a Nova Zelândia foi submetida. Depois de atravessar o mundo durante a viagem, os visitantes tiveram que encarar a altitude da Cidade do México e sol do início da tarde durante a partida. Para piorar, a pressão feita pelos 104 mil presentes no Estádio Azteca foi imensa, uma situação inédita para todos os jogadores.  Era até natural que os neozelandeses sucumbissem fisicamente no final do duelo, como aconteceu de fato. E o excesso de espaços em uma defesa famosa por conceder poucos gols também facilitou a vida dos anfitriões.

Mesmo que esqueça o futebol desta quarta e recupere a empáfia das Eliminatórias da Concacaf, o México precisará se esforçar muito para não vir à Copa. Afinal, o problema maior da equipe estava no ataque, não na defesa, e a solução parece ter sido encontrada. Se os torcedores se envergonharam por tudo o que aconteceu nos últimos meses, uma vitória tão contundente é motivo para encherem o peito de orgulho por El Tri.