O Meu Time de Botão é um podcast da Central 3, nossa parceira no podcast semanal da Trivela, que traz um convidado para falar sobre um time que marcou a sua vida. Todas as edições podem ser vistas aqui.

Por Paulo Junior e Leandro Iamin, da Central 3

Existe um momento do futebol brasileiro em que qualquer lembrança, memória ou pesquisa vai esbarrar no grande time do Santos, repleto de craques campeões mundiais e cuja camisa 10 viu Pelé surgir, crescer e dominar o mundo. Aí, via de regra, alguém do Rio de Janeiro vai dizer que o Botafogo de Garrincha também era base de seleção e melhor equipe do país na sua época. Aqui em São Paulo, de onde falamos, a história acrescenta que o Palmeiras de Ademir da Guia era o único capaz de interromper a sequência de títulos locais dos santistas.

LEIA TAMBÉM: Substituiu o Major, virou Imperador, depôs o Rei: Florián Albert, o único Bola de Ouro húngaro

Esta edição do Meu Time de Botão fala de um escrete tão bom quanto esses, que encantou a todos principalmente nas finais da Taça Brasil de 1966: o encantador Cruzeiro de Piazza, Dirceu Lopes e Tostão, absoluto em Minas Gerais e campeão nacional em grande estilo no Pacaembu.

Durante a pesquisa para o programa, encontramos uma fala onde o próprio Piazza, já em 1969, diz o que falta para Tostão chegar ao nível de Pelé: atuar mais fora de Minas Gerais, ganhar experiência em duelos maiores. Eram os primeiros tempos dos campeonatos nacionais, e quem atuava em São Paulo e Rio de Janeiro tinha não só os torneios estaduais de maior nível como também maior presença na seleção. Na Copa de 1966, por exemplo, Tostão era o único jogador de Minas entre os 22.

O título da Taça Brasil, portanto, marca não só um time inesquecível para a torcida do Cruzeiro, mas também representa a chegada de Minas Gerais nesse cenário do primeiro nível do futebol brasileiro, apresentando suas estrelas e sendo protagonista de grandes duelos no novíssimo Mineirão.

O podcast começa exatamente com o Campeonato Mineiro de 1965, o da inauguração do estádio, e entra em 1966 onde o Cruzeiro foi bicampeão mineiro e levou a Taça Brasil. Passamos por clássicos contra América e Cruzeiro, pelo jogo marcante diante do Rapid Viena e, claro, pela grande final contra o Santos, quando o time mineiro venceu por 6 a 2 no Mineirão fazendo 5 a 0 logo no primeiro tempo – momento que, para muitos, é a mais impressionante atuação contra o famoso time de Pelé, inclusive com o Rei do Futebol perdendo a cabeça e sendo expulso após uma entrada violenta e uma confusão com os cruzeirenses. O jogo rendeu o seguinte comentário de Nelson Rodrigues em sua crônica pós-decisão: ‘uma goleada quase humorística’.

Raul; Pedro Paulo, William, Procópio e Neco; Piazza, Dirceu Lopes e Tostão; Natal, Hilton Oliveira e Evaldo. Esse Meu Time de Botão é dedicado a esses caras, ao Cruzeiro de 66, ao Mineirão, ao futebol mineiro. Vem com a gente!