Basta uma rápida passada de olho pela lista de técnicos da primeira divisão argentina para notar que os nossos vizinhos estão renovando os homens responsáveis pelos treinamentos dos 30 principais clubes do país. Nomes que até outro dia ainda estavam na ativa podem ser vistos em boa quantidade: Gabriel Milito, Heinze, Gallardo, Arruabarrena, Schelotto, entre outros. Os números confirmam isso. Metade dos treinadores da elite do Campeonato Argentino tem menos de 45 anos.

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O mais jovem é justamente Gabriel Milito, que tem 35 anos e jogou até 2012 pelo Independiente. O atual campeão é Rodolfo Arruabarrena, de apenas 40 anos, muito mais novo que o técnico mais experiente da primeira divisão argentina: Ricardo Rezza, 67 anos, do Temperley. O jornal La Nación identifica uma consequência interessante para o futebol argentino.

Os times estão mais ofensivos porque, na opinião da publicação e de técnicos consultados por ela, os jovens tendem a arriscar mais do que os mais velhos. “Até certo ponto, isso é normal. Os jovens arriscam e os mais velhos são equilibrados. Depende da possibildiade de cada equipe, mas é verdade que sou mais precavido”, afirma Rezza.

Embora os clubes da primeira divisão brasileira estejam com caras novas no comando técnico, a renovação não é tão profunda quanto na Argentina. Neste momento, se considerarmos Doriva técnico do São Paulo (demitido na segunda-feira) e Gilson Kleina do Avaí (caiu na terça) – já que seus substitutos ainda são interinos -, apenas oito dos 20 treinadores da elite têm menos de 45 anos.

E esse número é um pouco enganoso porque quatro desses são profissionais que eram funcionários do clube e foram efetivados no cargo quando o treinador saiu ou foi demitido: Felipe Moreira (34 anos), na Ponte Preta, Hudson Coutinho (43), no Figueirense, Danny Sergio (37), no Goiás, e Pachequinho (45), no Coritiba.

Sendo assim, existem de fato apenas quatro treinadores abaixo de 45 anos na primeira divisão, e um deles, Doriva (43), acabou de ser demitido. Os outros são Roger (40), do Grêmio, Argel (41), do Internacional, e Eduardo Baptista (45), do Fluminense. Doriva e Argel são mais conhecidos pelos seus méritos defensivos que ofensivos, enquanto os outros são mais equilibrados.

No outro lado da linha etária, a Argentina também leva vantagem porque tem apenas Rezza como técnico acima de 60 anos. O Brasil tem quatro: Marcelo Oliveira (60), do Palmeiras, Paulo Roberto Falcão, do Sport, (62), Levir Culpi, do Atlético Mineiro (62), e Oswaldo de Oliveira, do Flamengo (64).

Uma outra diferença é de perfil porque muitos técnicos jovens da Argentina, como Milito, Heinze, Lucas Bernardi, Arruabarrena e Mauricio Pellegrino, tiveram passagens longas pela Europa. As promessas brasileiras com a prancheta na mão tiveram carreiras muito mais nacionais.

Veja a lista dos técnicos da primeira divisão brasileira por idade:

Felipe Moreira (Ponte Preta): 34 anos
Danny Sergio (Goiás): 37
Roger (Grêmio): 40
Argel (Internacional): 41
Hudson Coutinho (Figueirense): 43
Doriva (São Paulo): 43 – foi demitido segunda-feira para Milton Cruz, 58, assumir interinamente
Eduardo Baptista (Fluminense): 45
Pachequinho (Coritiba): 45
Gilson Kleina (Avaí): 47 – foi demitido terça para Raul Cabral, 34, assumir interinamente
Guto Ferreira (Chapecoense): 50
Jorginho (Vasco): 51
Dorival Júnior (Santos): 53
PC Gusmão (Joinville): 53
Mano Menezes (Cruzeiro): 53
Tite (Corinthians): 54
Cristóvão Borges (Atlético-PR): 56
Marcelo Oliveira (Palmeiras): 60
Paulo Roberto Falcão (Sport): 62
Levir Culpi (Atlético Mineiro): 62
Oswaldo de Oliveira (Flamengo): 64

A dos argentinos você encontra aqui.