Por Breno Pires

“Todos os dias nascem Deuses, alguns maiores e outros menores do que você” – Nação Zumbi.

O corpo de um dos melhores zagueiros do mundo cai como manga madura. Jerôme Boateng se levanta a tempo de ver o melhor goleiro do mundo encoberto. O gol, entre os mais absurdos da história recente do futebol, se repetiu depois da quarta final perdida pelo melhor jogador do mundo pela seleção argentina.

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Mais duro que derrubar Boateng, Neuer e o Bayern na semifinal da Champions League em 2015, Messi derrubou a barricada sentimental que o torcedor argentino lhe opunha desde sempre, após a derrota para o Chile na decisão da Copa América. O pênalti e o título perdidos pelo segundo ano consecutivo já não ocupam a agenda argentina. O adeus, sim.

Messi transformou a dor do fracasso na dor maior, a da perda do ídolo. As quatro derrotas em finais pela Albiceleste se tornaram tão irrelevantes quanto o corpo de Boateng ao cair, no mais formidável drible da história recente do futebol mundial. Como em maio de 2015, o flerte é para um lado, e a investida, para o outro. E o resultado pode ser tão fabuloso quanto.

Messi, natural de Rosário e de adolescência espanhola, encarnou o sofrimento, a humanidade, o drama. Assim, atingiu o âmago argentino. O cerne da identidade da Argentina. O tango de agora é a seu favor. Após a quarta final perdida com a camisa da Argentina, ele podia seguir em frente, naturalmente, sustentado pela a perna esquerda e o Barcelona, suas zonas do conforto. Mas Messi ousou encobrir Neuer com a perna que não domina, como em 2015, e agora todos nos vemos como Boateng ao cair, esperando o próximo movimento do craque.

Messi tem lugar no Olimpo. Diferente de Cristiano Ronaldo — Apolo, deus da juventude e da luz –, Messi é gênio, Dionísio, olimpiano com sangue mortal. A tragédia grega está posta quando ele reconhece o fracasso e anuncia deixar o planeta bola sem títulos pela sua seleção. Mas não. O adeus de Messi é suplício pelo afago. Esse é o alvorecer de tudo que se quer ver. Os deuses gregos e os populares argentinos estarão ao seu lado, por um retorno triunfal. O afeto, enfim, surgirá. Enfim errático e humano, Messi poderá se encontrar na Rússia em 2018 nos braços do povo argentino. Não estaremos dormindo.

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