Lionel Messi é incensado por ser um craque, um dos melhores do mundo, se não o melhor. A vitória sofrida por 2 a 1 sobre a Nigéria teve de tudo: gol do craque no começo do jogo; erros da Argentina; o empate da Nigéria e a desclassificação albiceleste até o final, quando, há cinco minutos, veio o gol salvador de Marcos Rojo. O que vimos de Messi foi algo diferente. O segundo tempo da Pulga não foi de craque. Mas foi do que se cobra que ele seja com a camisa azul e branca da Argentina: de quem sofre, se esforça, briga, luta. Poderia não ter dado certo. Por pouco, não deu. Mas certamente a torcida argentina vibrou em ver o seu camisa 10, o seu craque, sofrendo como eles, vibrando como eles durante e após o jogo. Algo que ficou claro nas entrevistas após o jogo do 10 da Argentina.

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“Na verdade, confiávamos que iríamos conseguir, que venceríamos esta partida. Não esperávamos a complicação quando empataram e ter que ir buscar, com o que isso significa. Houve nervosismo, ansiedade… Mas é maravilhoso ganhar desta maneira. Eu gostei que o gol tenha sido de Marcos, ele merece por tudo que fez, é uma alegria por todo o tempo que passamos no sofrimento”, afirmou Messi, depois do jogo, na zona mista.

“Seria um final muito feio e injusto para todos nós termos ficado fora. Como dissemos depois da primeira partida, que merecemos ganhar, fiquei com a raiva pelo pênalti [que ele perdeu, contra a Islândia]. No segundo jogo, até o 1 a 0 estávamos bem, mas depois nos desorganizamos, deixamos espaços e demos de presente dois gols desnecessários que fez com que chegamos em uma situação complicada para esta partida. Mas eu sabia que Deus estava conosco, não nos ia deixar fora”, continuou o 10 da Argentina.

“Quero agradecer por toda essa gente, pelo sacrifício enorme de estar aqui e encher o estádio. Passamos por isso… As pessoas que estão na Argentina sofrendo conosco em nenhum momento deixaram a cabeça baixar pelos absurdos que dizem e demonstrou que a camisa da seleção está por cima”, disse ainda Messi na zona mista.

“É impressionante o que sofremos. Não merecíamos. Foi uma coisa de louco o que sofremos nesta partida. Mas a Copa demonstra que ninguém dá nada de presente. Vimos ontem a Espanha e Portugal, que eram favoritos para classificar, e terminaram sofrendo. Cada partida é uma batalha e é muito difícil de ganhar”, afirmou ainda o capitão argentino. “Nós sabíamos que tínhamos uma chance do céu depois de não vencer os dois primeiros jogos. Cobraram um pênalti contra nós que eu não sei se foi pênalti, hoje com isso do VAR é muito difícil… Te cobram com o mínimo”, disse o jogador.

Na coletiva imprensa, ele ressaltou o sofrimento que a equipe passou. “Foi uma partida muito parelha, onde nós controlamos todo o primeiro tempo, tínhamos a bola, tentamos criar muito além do gol e esperamos uma partida similar no segundo tempo. Começou a ansiedade, o nervosismo, não pensa, joga acelerado… Isso fez com que ataquemos muito rápido, a busca do gol que nos passava para a próxima fase, que era o que queríamos e por sorte conseguimos”, disse o capitão, que sentou ao lado do técnico Jorge Sampaoli na entrevista.

“Na verdade, eu não lembro de tanto sofrimento pela situação, pelo que jogávamos, foi um desafogo muito grande para todos, passamos por dias complicados pelos resultados das partidas anteriores, por coisas que saíram. Mas por sorte conseguimos o objetivo que precisávamos fazer. Não sabíamos que íamos sofrer tanto. Mas conseguimos”, declarou ainda Messi.

O capitão também falou do próximo adversário, a França. “Obviamente que vimos todos os jogos da França, como toda a Copa, cada partida que se joga… É uma seleção completa, com jogadores de primeiro nível, bem armado, bons defensores, bons meio-campistas e jogadores de ataque que fazem diferença. Tenho companheiros (Umtiti e Dembélé) que conheço bem, atrás e na frente. É a seleção que nos separa e será muito complicado”, continuou.


Mascherano sobre a França: “Não estamos em condição de pedir nada”

Mascherano foi um dos jogadores em foco no jogo da Argentina, que venceu a Nigéria por 2 a 1 em um sufoco na noite de São Petersburgo. O volante não fez uma grande partida e ainda cometeu o pênalti que deu o empate à Nigéria. Mesmo assim, foi um jogador importante, ao menos na liderança, em uma semana que foi atribuída a ele – entre outros – a escalação do time. “Acredito que não é bom depender sempre de um milagre ou de algo heroico. Temos que nos centrar em ser uma equipe equilibrada e competitiva”, afirmou Mascherano depois do jogo.

O adversário da Argentina será duro, a França. Para Mascherano, porém, os albicelestes não estão em posição de reclamar. “Não estamos em condição de pedir nada. Não fizemos uma boa primeira fase e terminamos jogando contra a França. É um mundial muito parelho e nós iremos tratar de sermos competitivos, fazer uma grande partida e espero que tenhamos um grande dia para seguir avançando”, continuou o volante.

A eliminação passou perto da Argentina e Mascherano admite que seria uma forma terrível de encerrar a passagem de tantos jogadores importantes da seleção. “Este jogo não sabe o que é merecimento e certamente era uma maneira feia de terminar. Mas é assim, se você gosta de estar aqui, a seleção argentina é isso, é viver momentos intensos como agora e lindas alegrias também”, declarou o volante.

Se Mascherano e Messi possuem a influência que se pensa que eles têm, a responsabilidade dos dois agora cresce muito. Messi por anos foi chamado de “pecho frio” por sua postura sempre calma, discreta, às vezes acusado de ser indiferente. Mascherano sempre foi o líder do grito, da orientação, de brigar com o árbitro. Messi pode não ser alguém que grita muito em campo, mas o que se viu contra a Nigéria foi uma postura de líder, mesmo em um dia que ele, como o time todo, não conseguiu render muita coisa no segundo tempo. A Argentina precisará muito mais deles, nas posturas, especialmente, para seguir sonhando na Copa.