Lionel Messi encerrou o segundo semestre de 2018 em fase espetacular – como em tantos outros momentos de sua carreira. Se a queda na Liga dos Campeões passada e o fracasso na Copa do Mundo colocaram em xeque o camisa 10, sua resposta veio em grande estilo com o Barcelona nos últimos meses. Faz de tudo um pouco, e tudo excepcionalmente bem, para conduzir os blaugranas nas diferentes competições que disputa. Até o momento, anotou 21 gols e serviu 13 assistências em 20 partidas, média de um tento produzido a cada 47 minutos. E, mais uma vez em evidência, o argentino deu uma longa entrevista ao Marca. Abaixo, selecionamos os principais trechos.

A rivalidade com Cristiano Ronaldo

“No começo da temporada já disse que o Real Madrid é um grandíssimo clube, dos melhores do mundo, e com jogadores de sobra, mas Cristiano Roaldo faria falta em qualquer time. Sentiria-se a ausência, porque faz muitos gols a cada temporada e te dá outras coisas em campo. Não me surpreende que sintam falta, mas isso não impede que o Real Madrid siga como uma das melhores equipes do mundo, com grandes jogadores. Foi muito linda essa época em que vivi junto com Cristiano Ronaldo na mesma liga, cada um tentando ganhar o máximo com sua equipe. Cristiano foi um grande jogador para a Liga e para o Madrid, eram duelos muito bonitos, mas eu olho pelo de sempre, que é minha equipe e quero conquistar coisas aqui, ele esteja ou não. Era uma rivalidade muito saudável, na qual queríamos nos superar a cada dia para dar o melhor ao time. Creio que também foi bom para os torcedores”.

Se trocaria de clube, como Cristiano

“Não preciso de mudança nenhuma. Estou na melhor equipe do mundo. Meus desafios se renovam ano após ano. Não necessito mudar de equipe ou de liga para definir novos objetivos. Estou na minha casa, no melhor clube do mundo e não tenho necessidade de mudar”.

Quinto na Bola de Ouro

“Sou sincero, não dou importância à Bola de Ouro, embora seja um prêmio muito relevante. Eu sabia que esta temporada não teria possibilidade de ganhar. Escutava os nomes e sabia que não estaria ali. Diante disso, não quis esperar para saber em qual colocação ficaria. Neste sentido, não me surpreendeu o quinto lugar, porque não esperava nada”.

Equilíbrio no Campeonato Espanhol

“Hoje em dia é muito difícil ganhar qualquer jogo. Nós perdemos muitos pontos, sobretudo como mandantes, algo que não acontecia em outros anos. La Liga está muito equilibrada e segue sendo muito difícil de ganhar. Sempre se comentava que o equilíbrio seria melhor para o campeonato. A realidade é que há muitos países em que se passa o mesmo: duas ou três equipes disparam e os demais jogam outro campeonato. É bom para a competição e para o torcedor que estejamos todos juntos, lutando por ser campeões, entrar na Champions, e que seja difícil ganhar de qualquer equipe”.

O desejo pela Champions

“Todos os anos há uma motivação para ganhar a Champions. É única, especial, a competição mais linda que joguei a nível de clubes. É um torneio totalmente diferente. É difícil dizer qual equipe mais gostei de ver nesta fase de grupos, por isso a disputa é tão boa. Não vi muito o PSG, porque jogávamos no mesmo dia. Sei dos jogadores que tem. A Juventus é uma equipe muito forte, que ficou ainda mais com a chegada de Cristiano. É uma grande candidata ao título. O City é uma equipe muito vistosa, que joga bom futebol. O Bayern voltou a se levantar. É muito difícil dizer um só time”.

O uso do VAR

“No começo eu estava relutante, a verdade é que não via como algo prático. Mas hoje em dia creio que foi uma adição muito boa para a liga e para o futebol. Tem uma aceitação espetacular, tanto para os torcedores quanto para os jogadores. Adaptaram-se muito rápido. Vejo muito bem”.

O estilo de jogo com Valverde

“Esse anos voltamos para o 4-3-3. Na temporada passada, formávamos duas linhas de quatro e deixávamos poucos espaços. Era mais difícil marcarem gols. Agora, temos mais posse, jogamos melhor, mas ficamos mais expostos na hora de recuar. Nos contra-ataques, os rivais encontram os buracos que ano passado não deixávamos. Mas nos sentimos cômodos com a bola, defendendo com a posse e pressionando no ataque. É o que fizemos sempre. Nos jogos recentes, experimentamos uma melhora no plano defensivo e tomara que continuemos crescendo nisso”.

A falta de espaço aos jogadores da base

“De início, os novos canteranos me surpreenderam. Mas já faz um tempo que estão treinando conosco e você se dá conta que são jogadores diferentes. O clube faz bem em subi-los e permitir que treinem com a gente. Assim crescerão mais e é bom que o clube promova os pratas da casa, porque faz tempo que não surgiam. Voltar a este modelo é importante para a base e para o clube. É importante voltar a apostar nos garotos, dando oportunidade. Que vejam que não é impossível subir e chegar ao time principal”.

A pressa dos garotos para se firmar

“Vim de outra época. Hoje estamos em outra situação e nos adaptamos ao que existe. Passa um pouco por tudo. É verdade que chegam ofertas tentadoras de clubes de fora aos jovens. Não é fácil tomar a decisão quando não apenas te oferecem dinheiro, mas também melhoras esportivas. É um pouco do que falamos antes, os que estão na base veem que é complicado chegar ao primeiro time, enquanto outros lugares dão essa possibilidade e mais dinheiro. É tentador. Por esse motivo, é positivo que os bons da cantera não saiam, que se dê a oportunidade”.

Necessidade de contratar em janeiro

“É um tema do técnico e do clube. Pessoalmente, creio que temos um grande elenco. Além do mais, há jogadores da base que jogaram sem problemas e renderam o máximo. Foi o caso de Miranda, Riqui ou Aleñá – ainda que este último, que jogou as últimas partidas, já estivesse conosco há mais tempo. Neste sentido, estamos tranquilos”.

A relação com Dembélé

“Dentro de campo, Ousmane é um fenômeno. Tem condições únicas. Depende dele onde quer chegar, mas tem todas as possibilidades de ser o que quiser. Pode ser, sem dúvidas, um dos melhores do mundo. Por outra parte, é um jovem que está se adaptando à cidade e ao clube. Quanto menos se falar dele, melhor. É preciso deixá-lo tranquilo para que se acomode. Ele se deu conta dos erros. Pediu desculpas e volta a ser o Dembélé do início, que todos queremos. Estou tranquilo, é um garoto bacana e vamos ajudá-lo para que se concentre no futebol”.

A família

“Uma vez que tive meus filhos, a prioridade sempre foi a família. É o mais importante, o verdadeiramente importante. Obviamente amo o futebol, me encanta e vivo por isso, mas a família está acima de tudo. Ciro está começando a ficar em pé. Nós gostaríamos de ter uma menina. Veremos mais adiante, mas ainda é cedo”

Os filhos Thiago e Mateo

“Mateo puxou mais minha mulher, Thiago se parece mais comigo. É mais introvertido e tímido. Mateo é mais um personagem, gosta de música e de dançar, como sua mãe. Os dois gostam muito de futebol. Thiago entende mais porque é maior. Comenta coisas da partida, de tudo que está vendo. Está envolvido com o jogo. Já recebi várias críticas dele, é exigente. Segue o Barcelona, o Espanhol, a Champions. Gosta, pergunta, se informa e, quando não há resultados tão bons, alguma coisa ele me diz. Antes não se falava dos resultados ruins em casa, agora não é tanto assim. Sempre custa digerir as derrotas e os maus resultados, mas Thiago me obriga a comentar o sucedido e explicar por que não ganhamos. Não sei o que ele fará no futuro, se irá se dedicar ao futebol ou não, é muito pequeno. Só quero que curta o que faça e encontre seu caminho. Tanto faz se for jogador ou não, quero que seja feliz. Mas não há maneira de ser canhoto. Mais destro é impossível”.