É raro ver Lionel Messi participando de uma coletiva de imprensa. O craque não encarava os jornalistas diante de vários microfones desde 2015. No entanto, assumiu sua posição como líder antes do confronto com o Valencia na final da Copa do Rei. O assunto principal da conversa não era exatamente a decisão. A derrota para o Liverpool na Liga dos Campeões ainda martela na cabeça do argentino e se tornou tema constante no papo com os repórteres. O camisa 10 foi duro em suas avaliações sobre a desclassificação, embora tenha mantido o apoio a Ernesto Valverde no comando dos blaugranas.

“A derrota em Anfield foi um golpe duríssimo. Foi difícil de nos levantarmos. Não competimos em Liverpool e precisamos pedir perdão por isso, não pela derrota. Agora temos uma final pela frente, a chance de fazer um doblete e acabar bem o ano. A ideia é buscar o título. Estamos tranquilos, nos preparando para a final dando a importância que tem. É preciso valorizá-la”, ressaltou Messi.

Sobre Valverde, o atacante preferiu tratar o jogo da Champions como um ponto fora da curva e declarar como o elenco é responsável pela derrocada: “Não vi muitos comentários, ainda que tenha escutado as críticas sobre Valverde. Sinceramente, ele fez um trabalho impressionante por todo esse tempo. Não tem nenhuma culpa pela eliminação contra o Liverpool. Sabíamos que não podia acontecer de novo o que se passou contra a Roma, mas infelizmente não competimos. Foi lamentável a partida que fizemos e a imagem que deixamos. Pode acontecer uma vez, mas duas na Champions não dá para permitir. Valverde, como todos, tem uma parte de culpa. Mas sobretudo foi nossa”.

Além do mais, Messi sabe como a eliminação na Champions compromete o trabalho da equipe. Neste momento, conquistar o Campeonato Espanhol já não basta para asseverar a grandeza do clube. Até pelo tricampeonato recente do Real Madrid, há a clara necessidade de uma resposta no certame continental. Todavia, os blaugranas fracassaram e agora lamentam a maneira como a virada sofrida em Anfield influencia as avaliações sobre o grupo.

“Eu gostaria que o técnico seguisse conosco. Você pode gostar ou não da forma como jogamos, mas podemos conquistar outro doblete este ano. Lamentavelmente, com uma mancha, uma mancha maior. Se você para e pensa, perdemos duas partidas muito duras, mas no restante estivemos bem”, ponderou. “Não revi a partida, mas o sentimento foi muito parecido ao de Roma. Não fizemos um primeiro tempo ruim, mas não competimos no segundo. Não podemos nos perdoar por isso. Jogávamos por uma final e deixamos que passassem por cima da gente. Ganhamos a Liga, mas por tudo o que aconteceu no ano, nossa cabeça estava na Champions. Conseguir um doblete é importante, mas fica uma sensação ruim”.

Messi ainda comparou o que aconteceu na Champions com seus deslizes pela Argentina: “Tive muitas decepções com a seleção e, apesar disso, sigo competindo e tentando. A eliminação não me fez pensar em deixar o Barça. Não prometi trazer a Copa do Mundo, prometi fazer o possível para trazê-la. E tampouco cumprimos, porque não competimos. Por isso temos que pedir perdão. Obviamente, perder uma final de Copa é muito duro. Foram dois golpes muito grandes, mas são distintos. Nesta vez, o golpe foi exagerado porque tínhamos uma ótima vantagem de 3 a 0. Não esperávamos. Foi um ano espetacular, tirando essa partida, que estragou o que fizemos”.

De qualquer maneira, o atacante ainda declararia o compromisso em seguir em frente e melhorar a situação do Barcelona. A final da Copa do Rei é a primeira oportunidade de se reerguer, embora as cobranças recaiam mesmo sobre a próxima edição da Champions. “Temos que deixar de lado o que vivemos e tratar de superar. Em vontade e atitude, ninguém deveria ganhar da gente, muito menos nesta situação. Temos que tentar separar o que se passou em Liverpool e pensar agora na final, contra um rival muito complicado”, finalizou.