Elogios a Lionel Messi e a suas atuações são recorrentes, semana após semana, jogo após jogo. A temporada brilhante que vem fazendo só poderia ter contestação em uma eliminatória de Champions e Messi não decepcionou. Com dois gols e duas assistências, comandou a vitória culé sobre o Lyon por 5 a 1, confirmando o Barcelona entre as oito melhores equipes da Europa. Um placar que indica uma facilidade que não houve no jogo, mas que Messi fez acontecer nos últimos 15 minutos de jogo, quando tomou as rédeas do jogo para si.

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Depois do empate sem gols na ida, a expectativa era de um jogo aberto, principalmente pelas características de ambas as equipes. Os primeiros minutos confirmaram isso, com o Barcelona envolvendo a defesa do Lyon em rápidas trocas de passes e movimentações,  com a equipe francesa buscando o contragolpe em velocidade. O plano inicial do Lyon vinha dando certo, mas depois de uma triangulação no ataque blaugrana, Denayer tentou desarmar Suárez de forma imprudente e derrubou o atacante de frente para o árbitro polonês Szymon Marciniak, que assinalou o pênalti. Na cobrança, aos 18 minutos, Messi não hesitou em aplicar uma cavadinha, repetindo o que seu companheiro Luis Suárez já havia feito frente ao Real Madrid, recentemente. O gol tirou um peso das costas do Barcelona, que nas últimas cinco eliminações na Champions, a equipe não havia marcado no jogo decisivo.

Apenas três minutos depois, em nova jogada de infiltração do time catalão, Coutinho dividiu com o goleiro Anthony Lopes, que acabou levando a pior, chegando a ficar desacordado. Depois de um tempo com o jogo parado, e apesar da orientação médica de deixar o campo, o goleiro insistiu na permanência. Embora com o olhar perdido, Lopes não teve qualquer culpa no segundo gol do Barcelona, aos 31 minutos. Em jogada coletiva, o Barça embaralhou as peças da zaga do Lyon. Arthur deu um passe cortando a defesa para Suárez pela direita, que dominou já levando a bola em direção ao gol, e solidário, serviu Coutinho, que sem goleiro marcou um gol que não apenas trouxe conforto ao time espanhol, mas presenteou o brasileiro, que vem sofrendo com as críticas nos últimos meses.

Não demorou muito e Lopes se viu obrigado a, enfim, deixar o gramado. O goleiro, um dos destaques do time francês na temporada saiu chorando e deu lugar para a entrada de Mathieu Gorgelin. Com dois gols de vantagem, o Barcelona ficou ainda mais à vontade e criou muitas oportunidades, e embora o Lyon não deixasse de conseguir avançar dentro da proposta que executava desde o início, apresentou pouca eficiência, não chutando uma bola sequer no gol de Ter Stegen.

No segundo tempo, o Barcelona voltou no mesmo ritmo da primeira etapa, e quase decidiu a eliminatória com apenas três minutos. Arthur recebeu passe em profundidade, carregou e tocou para Messi, em lance muito similar ao do gol de Coutinho, com a diferença que Messi ainda teria Gorgelin pela frente. O argentino tocou na bola por cobertura, como habitual, mas o brasileiro Marçal conseguiu afastar em cima da linha. Mas nesta edição da Champions, com raras exceções, o jogo nunca está totalmente definido.

Aos 13 minutos, Depay levantou a bola na área, a bola foi disputada pelo alto, ninguém afastou e ela sobrou limpa no peito de Lucas Tousart, que dominou e mesmo com o combate de Rakitic conseguiu chutar, diminuindo o placar, e ficando a apenas um gol da classificação. O gol francês trouxe tensão ao jogo. O Barça mantinha a superioridade, trazia mais perigo nas suas investidas, mas o risco de sofrer o empate deixava o jogo tão aberto quanto do início da partida. Ernesto Valverde e Bruno Genésio mexeram em suas equipes, mas nenhuma das alterações mudou a partida, porque o desfecho do jogo foi igual a tantos outros jogos do Barcelona. Lionel Messi faz a diferença, decidindo por si só ou dando de bandeja a um companheiro o gol completamente aberto.

E assim, o argentino transformou um jogo difícil em goleada. Aos 32 minutos, marcou um gol antológico, deixando dois defensores do Lyon no chão e finalizando com o pé direito. Gorgelin ainda tocou na bola, que caprichosamente se encaminhou lentamente para a meta. Aos 35, em rápida transição ofensiva, Messi carregou, chamou a atenção de todo o setor defensivo e virou a bola para Piqué, que vinha em disparada pelo lado esquerdo para completar a gol. Mais cinco minutos jogados e o camisa 10 blaugrana deu nova assistência, dessa vez para Dembelé, que chutou com força completando o elástico placar. Os 5 a 1 não refletem exatamente como foi a partida. O Barcelona foi superior, mas o Lyon conseguiu se manter vivo por um bom tempo, com o quinteto defensivo tendo trabalho, mas se mantendo em pé. Só se curvaram a quem merece todas as reverências.