Tantos jogos fenomenais nos últimos 15 anos (aproximadamente) deveriam ser suficientes para não ficarmos mais impressionados com o que Lionel Messi consegue fazer com a bola nos pés. Mas, nesse caso, é ótimo estar enganado. O Barcelona perdia para o Sevilla, fora de casa, e jogava mal, quando Messi colocou a bola debaixo dos braços e, com atuação monumental, liderou a vitória de virada dos catalães por 4 a 2.

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A principal crítica ao trabalho de Ernesto Valverde é à extrema dependência do humor do seu grande craque. Claro que toda equipe que conta com um jogador como Lionel Messi acaba girando em torno dele, mas, principalmente nesta temporada, as noites apagadas do argentino coincidiram com partidas em que o Barcelona apresentou pouca coisa. Individualmente, também, jogadores como Coutinho, Vidal e Luis Suárez não têm atingido os mesmos níveis de desempenho pelos quais ficaram famosos. Sobra para Messi.

O Sevilla teve uma grande atuação no primeiro tempo. Quinto colocado do Campeonato Espanhol até segunda ordem, estava invicto no Ramón Sánchez desde a derrota para o Getafe, em setembro. Emendou seis vitórias seguidas antes de empatar com o Atlético de Madrid. Ganhou do Levante, por 5 a 0, e ficou no 2 a 2 com o Eibar. É a quarta melhor campanha de La Liga como mandante.

Em um belo contra-ataque puxado por Ben Yedder, Jesús Navas ficou livre para bater cruzado, pela direita, e abrir o placar, aos 22 minutos do primeiro tempo. Nem deu tempo de ficar muito feliz porque a bola saiu dos pés de Rakitic, pela esquerda, e encontrou a canhota de Messi. A canhota de Messi não perdoa: com um belo voleio da entrada da área, o placar estava empatado.

Ainda antes do intervalo, a defesa do Barcelona bobeou novamente e deixou Mercado livre dentro da área. Sarabia, da linha de fundo, tocou para trás, e o lateral argentino recolocou o Sevilla à frente no placar. Situação que se manteve até os 22 minutos do segundo tempo, enquanto o Barcelona buscava soluções. A encontrada foi a menos criativa e a mais eficiente.

Messi engatou a quinta marcha. Vaclik vacilou na saída de bola, Rakitic recuperou, abriu com Dembélé que colocou Messi na entrada da área. Domínio com a esquerda, bola no ângulo com a direita. Em segundos, Messi lembrou seus tempos de ponta direita e saiu fatiando até a entrada da área, da onde desferiu um chute curvado que quase virou um golaço.

Já aos 40 minutos do segundo tempo, Aleña bateu de fora da área, e a bola foi um pouco cruel com o Sevilla. Desviou-se na defesa e caiu aos pés de Messi, cara a cara com Vaclik. Nessa situação, não há ser humano que pudesse fazer alguma coisa. Messi, quase entediado, deu uma cavadinha para colocar o Barcelona à frente do placar pela primeira vez no jogo.

Melhor evidência da partida fora do comum, ou absolutamente habitual, de Lionel Messi é que a assistência para Suárez, ao matar no peito e emendar o passe sem deixar a bola cair, talvez tenha sido o lance mais feinho dos quatro gols que tiveram as impressões digitais de Messi, em uma vitória essencial para o Barcelona, que abre dez pontos do Atlético de Madrid e 12 do Real Madrid – ambos ainda atuam nesta rodada. Graças ao seu camisa 10.


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