Para quem não costumava dar entrevistas, Lionel Messi anda bastante tagarela. Neste fim de semana, a TyC Sports veiculou um bate-papo com o craque do Barcelona, tocando em diversos assuntos. Claro que a seleção argentina foi um deles, e Messi afirmou que, por mais que gostaria de ter sido campeão do mundo, não mudaria nada do que aconteceu em sua carreira. “Foi o que aconteceu comigo, o que Deus me deu. Não posso me queixar do que tenho no futebol e na vida”, afirmou. Ele também falou sobre o assistente de vídeo, o atual momento da seleção e o sonho de um dia jogar no futebol argentino.

Seu estilo de jogo

Não é que eu viva do gol. Eu gosto mais de chegar de trás, estar em contato com a bola e criar, mas também chegar na área e fazer gols. Aprendi a me regular dentro da partida e a encontrar o momento. Há momento em que não tenho que entrar no jogo ou não é para que eu participe e espero o momento em que penso ser mais adequado para fazer o desgaste físico. Fui melhorando na leitura dos jogos. Em que momento ser efetivo, e onde, e determinante, e fui ganhando isso com o tempo.

Fracassos com a seleção

Eu vivi muitas coisas na seleção e tive que conviver com muitas coisas que não eram justas, mas, no fim das contas, eu sempre tentei e sigo tentando. Chegamos às finais na Copa do Mundo, da Copa América, nem tudo é ganhar. Deixamos o povo muito feliz nas Eliminatórias, Copa do Mundo, Copa América. Estivemos a um nada de conseguir. Agora temos mais uma oportunidade. Acabamos sendo uma seleção forte depois de muitas mudanças, de muito garotos novos, que são menos fáceis de adaptar. Depois da Copa América, já se vê uma seleção melhor.

Copa do Mundo

A do Mundial de 2014 foi uma das melhores épocas da seleção. Quando se ganha, tudo é diferente, era um grupo espetacular e tínhamos Alejandro (Sabella, o técnico) que era impressionante. É difícil. Acredito que adoraria ter sido campeão do mundo e era um dos meus maiores sonhos, mas não mudaria nada, foi o que aconteceu comigo, o que Deus me deu. Não posso me queixar do que tenho no futebol e no pessoal, com meus filhos e meus amigos. Foi assim que Deus quis. Vivi um milhão de coisas e não lhes dei valor e não desfrutei delas como deveria ter desfrutado porque isso não para. Há pouco espaço, com jogos a cada três dias ou treinamentos, e tudo parece que foi ontem.

Clássicos argentinos

Gostaria de jogar no futebol argentino, em geral. Eu ia ao gramado com meu pai, a plateia, o público, era impressionante. Além disso, jogar um clássico desses deve ser terrível. É mais ou menos o mesmo, mas as pessoas o vivem diferente. Em termos esportivos, de jogo, é o mesmo, mas o público na Argentina está mais louco por esse tema, não ganhar o clássico significa muito. Aqui (na Espanha), querem ganhar, mas, se você perder, nada acontece, lá (Argentina) não pode sair de casa se perder um clássico. Todos os clássicos são iguais: o de Rosario, o de Córdoba, River-Boca, Independiente-Racing, no geral, as pessoas os vivem dessa maneira. A loucura do dia a dia é levada ao futebol e é um desastre. Nós o vivemos na Eliminatória, embora seja outra coisa. Tivermos que percorrer a América do Sul e é difícil também, não o deixam dormir, passam a noite provocando nos hotéis. As partidas de Libertadores devem ser muito piores, porém”.

Jogar na Argentina

Sempre digo que não quero sair daqui, não tenho a ideia de me mudar. Tenho o sonho de poder jogar no Newell’s no futebol argentino, mas não sei se realmente vai dar porque tenho uma família que está à frente do meu desejo. É uma realidade, eu sonho com isso desde pequeno, mas tenho uma família, tenho três filhos, vivo em um lugar que me dá tudo e onde estou tranquilo, posso dar um futuro espetacular a meus filhos. Pensamos muito mais nisso do que no meu desejo de jogar no futebol argentino. Tentarei convencer a família porque hoje tenho que convencer meus filhos também, Tiago já é grande, tem seus amigos, e quando o levou para algum lugar, ele não gosta. Quando estamos um mês na Argentina, já quer voltar para seus amigos, e cada vez é mais difícil.

VAR

Se for bem usado, sim (é a favor), mas não gosto que venha para esclarecer as dúvidas e ainda não o está fazendo. Continuam determinando a jogada o árbitro ou um árbitro de cima e não se baseiam no que realmente aconteceu na jogada. Acredito que seja muito bom, mas ainda não está sendo bem utilizado.

Seus gols favoritos

Contra o Manchester United, na final da Champions League de 2009, em Roma: “Para mim, mais do que bonitos, os gols são importantes. Esse foi na final da Champions League era para fechar o círculo com Guardiola e ganhar a Tríplice Coroa, o que nunca havíamos feito. Esse gol arredondou uma partida espetacular”. E contra o Real Madrid nas semifinais da Champions de 2011: “Foi lindo e, obviamente, ajudam as circunstâncias, o estádio, e que foi em uma semifinal de Champions contra o Real Madrid”.