Uma das críticas que se faz à seleção brasileira atual é a falta de protagonismo. Só mesmo Neymar, o craque do time, faz isso. Foi assunto inclusive do nosso Podcast. Quando ainda tinha idade de sub-20, Neymar participou do sul-americano, foi destaque, mas ficou fora do Mundial da categoria. O ano era 2011 e tanto Neymar quanto Lucas, os dois principais jogadores do time sub-20, já eram jogadores da seleção principal que disputou a Copa América daquele ano. Mesmo assim, o Brasil foi campeão Mundial sub-20 com muitos daqueles jogadores conseguindo destaque na carreira e chegando à seleção principal.

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O time comandado pelo técnico Ney Franco ficou desfalcado dos dois principais jogadores do time para o Mundial da Colômbia, mas mesmo assim levou um time forte. Na primeira fase, começou empatando com o Egito por 1 a 1, mas venceu bem a Áustria (3 a 0) e o Panamá (4 a 0). Nas oitavas de final, o time também venceu a Arábia Saudita com facilitade (3 a 0). Nas quarta, a classificação só veio nos pênaltis. Depois de um empate por 2 a 2 diante da Espanha, que tinha Marc Bartra, Rodrigo Moreno, Sergio Canales, Isco e Koke, o time avançou nas penalidades. Na semifinal, vitória sobre o México por 2 a 0. Na final, vitória sobre Portugal por 3 a 2. A escalação da final contra Portugal foi a seguinte:

Gabriel; Danilo, Bruno Uvini, Juan Jesus e Gabriel Silva; Fernando, Casemiro, Philippe Coutinho e Oscar; Henrique e Willian José.

O Brasil foi campeão vencendo Portugal por 3 a 2 e uma grande atuação de Oscar, o camisa 11. Do time convocado por Ney Franco, quase todos conseguiram ter algum destaque. Alguns não vingaram, como Henrique, que foi eleito o melhor jogador do campeonato. A maioria daquele time está atuando em times de bom nível da Europa. Quer ver?

Gabriel: o goleiro do Cruzeiro está hoje no Milan, da Itália, onde é reserva. Aos 22 anos, é considerado uma aposta.

Danilo: lateral do Santos, foi para o Porto, se destacou e vai jogar pelo Real Madrid na próxima temporada. É também convocado para a seleção brasileira desde a época de Mano Menezes e seria o titular de Dunga na Copa América, se não tivesse se machucado.

Bruno Uvini: era o capitão do time, mas não conseguiu vingar. Na época, já era visto como um zagueiro limitado. Pertence ao Napoli, mas não deve ser aproveitado pelo clube.

Juan Jesus: o zagueiro, então no Internacional, se transferiu para a Internazionale e tornou-se titular do time. Chegou a ser convocado uma vez para a seleção principal.

Gabriel Silva: o lateral do Palmeiras foi para a Udinese, da Itália, mas não se firmou e será emprestado ao Watford, da Inglaterra, para disputar a Premier League.

Fernando: o volante do Grêmio chegou à seleção brasileira com Felipão e depois acabou vendido ao Shakhtar Donetsk, onde está até hoje. Disputou a Copa das Confederações pela seleção principal, mas não foi mais chamado depois que Dunga assumiu.

Casemiro: saiu do São Paulo sem muita moral, chegou ao time B do Real Madrid, se destacou e subiu para o time principal. Não foi muito aproveitado e foi emprestado ao Porto, onde voltou a se destacar. O Real Madrid o levou de volta e deve atuar pelo clube merengue na próxima temporada. Dunga o convocou para a seleção e disputa a Copa América.

Philippe Coutinho: Jogador da Internazionale na época do Mundial, não se firmou no clube italiano, foi emprestado ao Espanyol, mas se destacou mesmo quando foi vendido ao Liverpool. No clube inglês, se tornou titular e destaque e chegou à seleção brasileira. Está na Copa América com a seleção de Dunga.

Oscar: Então no Internacional, Oscar começou a se destacar repetidamente desde então. Jogou a Olimpíada no ano seguinte como titular e foi vendido ao Chelsea, onde conseguiu também ter seus bons momentos. Virou titular da seleção principal na Copa das Confederações e na Copa do Mundo. Não está na Copa América por conta de lesão.

Henrique: o jogador do São Paulo passou pelo Vitória, Granada, Sport, Bahia e Botafogo, mas não conseguiu destaque em nenhum deles. Está no clube carioca, que disputa a Série B, e é reserva.

Willian José: o então atacante do São Paulo deixaria o clube no ano seguinte e passaria por Grêmio, Santos, Real Madrid B, tendo até atuado uma vez pelo time principal, e atualmente está no Zaragoza.

Reservas:

César: o goleiro continua no Flamengo, onde é reserva de Paulo Victor.

Frouches: zagueiro segue no Flamengo, como reserva.

Allan: volante que era do Vasco foi para a Udinese e foi destaque na última temporada como o jogador com mais desarmes na Serie A.

Romário Leiria: zagueiro é reserva do Internacional, pouco aproveitado no clube.
Alex Sandro: o lateral do Santos foi vendido ao Porto, onde foi titular. Esteve na Olimpíada de 2012 e foi convocado para a seleção principal algumas vezes.

Galhardo: lateral do Flamengo jogou no Santos, foi emprestado ao Bahia e está no Grêmio desde o início de 2015.

Alan Patrick: meia do Santos foi vendido ao Shakhtar Donetsk, mas ficou encostado no time ucraniano e voltou ao Brasil em 2013 para atuar pelo Internacional. Passou rapidamente pelo Palmeiras em 2015, mas já acertou com o Flamengo para atuar pelo rubro-negro.
Negueba: revelação do Flamengo, foi emprestado ao São Paulo, mas se machucou e não foi aproveitado. Foi emprestado ao Coritiba em 2015.

Dudu: o então jogador do Cruzeiro acabou vendido ao Dynamo Kiev naquele mesmo ano. Voltou ao Brasil em 2014 para jogar pelo Grêmio, se destacou e virou desejo dos times paulistas. O Palmeiras o contratou com peso de estrela.

Aleks: aos 24 anos, está no Avaí, onde é um dos goleiros reservas.

Nenhum desses jogadores se tornou um craque, mas a grande maioria conseguiu uma carreira consistente desde aquela Mundial. A geração de Neymar pode não ser ter tantos talentos como ele. Talvez isso tenha mais a ver com a falta de protagonismo da geração anterior, que não conseguiu fazer nenhum líder chegar à seleção atual.

O peso de Neymar ser o único jogador a assumir grandes responsabilidades de decidir na seleção só reflita o problema da geração anterior. Afinal, Neymar é fora de série, mas só tem 23 anos. Falta ao seu lado os jogadores das gerações anteriores para o acompanharem e tirarem esse peso que carrega. Talvez, na Copa América, só tenha Robinho como representante da geração anterior, que ficou pelo caminho. E sem o craque do Barcelona, talvez seja a hora de usar um jogador como Robinho para amenizar esse problema.

NA TV: Brasil x Sérvia, de sexta para sábado, 2h da manhã (Globo, Sportv, TV Brasil, Bandeirantes)

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