A confusão é grande. Florent Malouda se juntou à seleção da Guiana Francesa nos últimos meses e passou a representar sua terra-natal. Mesmo com 80 jogos pela França, o veterano não teria impedimentos para defender a nova equipe nacional, considerando que ela não é filiada à Fifa. E, por isso mesmo, foi convocado à Copa Ouro. No entanto, o regulamento da competição segue as regras da Fifa e torna o meia inelegível. Nem por isso, a Concacaf barrou a sua convocação. Assim, apesar de contarem com um jogador que renderia perda de pontos ao ser relacionado, os guianeses resolveram bancar Malouda. Nesta terça, ele entrou em campo contra Honduras. Entre a improvável classificação e a realização de um sonho, o território ultramarino francês optou pela segunda razão.

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Curiosamente, depois de perder para o Canadá na estreia, a Guiana Francesa conquistaria o seu primeiro ponto na Copa Ouro. A equipe da América do Sul arrancou o empate por 0 a 0 contra os hondurenhos, que tinham perdido para a Costa Rica na primeira rodada. Se o ponto contasse, os guianeses seguiriam à última rodada com chances de classificação. Contudo, a utilização de Malouda já foi submetida ao Comitê Disciplinar da Concacaf, que deve punir a seleção pelo uso irregular do jogador. Se as regras mudarem no meio do caminho, abre-se um precedente imenso.

Malouda não apenas foi titular de Guiana Francesa, como também usou a braçadeira de capitão, demonstrando bastante o apoio que possui no elenco e na comissão técnica. O meia de 37 anos permaneceu em campo durante os 90 minutos, atuando na faixa central. E, dadas as circunstâncias, deverá ser escalado também contra a Costa Rica, no jogo que encerrará a participação inédita dos guianeses na competição continental.

É ver se a relutância de Guiana Francesa gerará alguma punição além. Mas o caso todo possui uma série de questões esdrúxulas, especialmente envolvendo a Concacaf. Primeiro, por manter uma regulamentação na Copa Ouro que afeta apenas jogadores pontuais, e traz até mesmo alguns prejuízos ao torneio, barrando nomes que poderiam melhorar o nível técnico – como fica explícito pelo exemplo de Jocelyn Angloma, que levou Guadalupe às semifinais em 2007, quando ainda não havia a restrição. E, caso os dirigentes banquem mesmo tal determinação, fica difícil de entender por que não impediram os guianeses de convocarem Malouda. É um problema que eles mesmos criaram.