O Barcelona não fez uma partida brilhante no Camp Nou, mas superou o Napoli sem sobressaltos. E uma das razões dessa vitória, mais uma vez, é Lionel Messi. O camisa 10 não imprimiu grande intensidade durante todo o tempo e passou a segunda etapa praticamente inteira despercebido. Ainda assim, assinou uma jogada fantástica que valeu seu gol e teve participação direta na tranquilidade dos blaugranas. O brilho do craque seria pontual, mas com uma dose de raça que acabou fazendo a diferença.

Messi finalizou apenas duas vezes ao longo da noite, um número bem abaixo de sua média. O que fez, ainda assim, acabou se tornando suficiente à vitória. A primeira tentativa foi travada, rendendo o escanteio que permitiu ao Barcelona abrir o placar. Depois, anotou o seu golaço. E teria ainda um tento anulado depois disso, numa belíssima combinação com Frenkie de Jong, em que o árbitro assinalou um toque de mão do artilheiro após consulta do VAR. O “pouco” do argentino bastou para marcar a disparidade entre os dois times.

O gol de Messi, o segundo da partida, merece um olhar especial. A bola rente ao pé e o drible passando no meio de dois adversários, com mínimo espaço, não surpreende – é o camisa 10 em sua essência. O diferencial no lance foi a maneira como Messi persistiu e ganhou a dividida, se levantando rápido para escapar da perseguição de Kalidou Koulibaly. Na hora de finalizar, inclinou o corpo e achou a fresta para mandar no canto de David Ospina. Frações de segundo em que conseguiu pensar mais rápido que quatro adversários ao seu redor.

E nessa mostra de raça, a vantagem maior estabelecida no placar também contaria com o esforço de Messi. Koulibaly estava mal na partida, e o atacante se arriscou para tentar roubar a bola dentro da área. Tomou uma pancada no tornozelo, que quase o tirou de campo, mas acabou rendendo o pênalti para Luis Suárez fazer o terceiro. O risco ao argentino era óbvio e uma lesão a esta altura seria bem mais penosa ao Barcelona. Ele saiu mancando e sua influência se tornou mínima na segunda etapa. De qualquer maneira, não se nega que o tento àquela altura, mesmo com a resposta em seguida do Napoli, facilitou o caminho dos blaugranas às quartas de final.

A postura do Barcelona contra o Napoli talvez antecipe o que se verá diante do Bayern de Munique. Os blaugranas preferiram adotar uma ideia de jogo mais conservadora, ao fecharem os espaços na defesa, em busca da eficiência no ataque. Tal precisão corresponde principalmente pelo nome de Messi e, durante 45 minutos, ele mostraria como tal estratégia foi acertada. O Barça precisa reconhecer suas limitações e esquecer velhos dogmas se realmente pretende ser competitivo nesta Champions. Dentro disso, o camisa 10 vai ser sempre um bônus.

E a atuação de Messi, afinal, marca sua ambição no torneio continental. O Barcelona corre por fora pelo título nesta temporada, por motivos óbvios. Mesmo assim, é esse Messi decisivo que faz os blaugranas criarem uma ponta de esperanças. Por mais que o clima não esteja muito favorável no Camp Nou, aos 33 anos, o camisa 10 sabe que o seu tempo em alto nível se torna cada vez mais curto. A vontade expressa neste sábado já se torna uma razão mais que suficiente para o Bayern redobrar suas atenções.