Uma rápida olhada para as equipes de futebol feminino evidencia como as mulheres não têm o devido espaço sequer em seu próprio jogo. Maior parte dos clubes e seleções conta com homens como treinadores e comissões técnicas muitas vezes formadas inteiramente por eles. A Fifa está preocupada com isso, e o primeiro passo para reparar a situação foi dado. A entidade máxima do futebol anunciou a implantação de um sistema de cotas na Copa do Mundo sub-17 de futebol feminino do ano que vem, exigindo que todos os participantes tenham pelo menos uma pequena representação feminina. Pouco, mas algo para se comemorar, considerando o predomínio de homens.

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Na competição, que será disputada na Jordânia, todos os times precisarão ter pelo menos uma integrante mulher na comissão técnica e uma médica. A decisão veio após a constatação de que, na Copa do Mundo da categoria, que acontece neste ano, apenas oito das 24 seleções participantes serão comandadas por mulheres. Exatamente um terço. Número muito baixoe que não irá magicamente se transformar. É preciso começar por baixo, e é lamentável que nem mesmo nas categorias de base as mulheres têm mais espaço.

Membro do comitê executivo da Fifa e vice-presidente da Confederação Asiática, Moya Dodd constata que as mulheres já partem de um ponto desprestigiado no mercado de trabalho, já que não são incluídas entre as possibilidades para assumir uma equipe masculina. Que elas não tenham espaço nem mesmo nos times de base, para Dodd, é alarmante.

“Há muitas candidatas mulheres de alta qualidade para se escolher. Continuamos investindo no treinamento de técnicas mulheres, e elas são desproporcionalmente bem-sucedidas quando recebem trabalhos de alto nível, mas maior parte do mercado de trabalho está virtualmente fechada para elas porque elas não são consideradas para treinar equipes masculinas. Então, quando vemos números tão baixos aparecendo mesmo entre treinadoras de times de base femininos, é claramente hora de fazer mais”, afirmou Dodd, em entrevista ao Guardian.

O crescente investimento na formação de mulheres aptas para assumir o comando das equipes não faz sentido se não for acompanhado de medidas como essa adotada pela Fifa para a Copa do Mundo sub-17 de 2016. Hope Powell, ex-treinadora da seleção inglesa feminina, alertou para a quantidade de mulheres de qualidade sendo substituídas por colegas homens de menor competência. A essa altura, esperaríamos estar em um nível mais avançado desse processo. Infelizmente, não é o caso, mas esse primeiro passo merece celebração. Precisávamos começar de algum ponto.