O Brasil conseguiu vencer a Alemanha no último amistoso antes da convocação final para a Copa do Mundo de 2018. Foi também o primeiro encontro entre os dois países depois da semifinal da Copa 2014, com o tão falado 7 a 1. Os alemães tiraram importância no jogo, atuaram com vários reservas – até o uniforme foi o reserva –, mas o jogo foi bem interessante. Os comandados de Tite sofreram, se defenderam muito em alguns momentos, mas conseguiram fazer um jogo bem competitivo e levar perigo. No fim, vitória por 1 a 0 para cima dos campeões do mundo, com boas lições ofensivas e defensivas.

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A Alemanha, como esperado, levou a campo um time recheado de reservas. Joachim Löw colocou em campo jogadores para serem testados, como o goleiro Pratt, o zagueiro Antonio Rüdiger e o lateral Marvin Plattenhardt; no meio, Gündogan e Goretzka ganharam chances ao lado de Kroos; por fim, o ataque teve Sané e Mario Gomez ao lado de Draxler.

O Brasil veio com uma formação diferente do jogo contra a Rússia e que Tite parecia querer testar há bastante tempo. Manteve a mesma defesa, mas o meio-campo teve Casemiro ao lado de Fernandinho e Paulinho, formando uma trinca. Paulinho, claro, tinha a liberdade habitual para se aproximar do ataque. Douglas Costa deixou o time e Coutinho começou o jogo aberto pela esquerda, com Willian pela direita e Gabriel Jesus pelo centro do ataque.

O Brasil começou o jogo nervoso, como era de se esperar. Os primeiros lances tiveram até alguns passes errados típicos de um nervosismo compreensível. Aos poucos, o time brasileiro passou a conseguir jogar, ter posse de bola no campo de ataque.

Aos 10 minutos, o primeiro bom lance, com Coutinho pela esquerda. O jogador fez uma ótima jogada de habilidade, entrou na área e cruzou para trás, mas ninguém conseguiu finalizar. No rebote, Fernandinho ficou com a sobra e cruzou para a área, mas Paulinho teve a cabeçada bloqueada.

Depois dos 15 minutos, a Alemanha também passou a chegar. E em um bom lance pela esquerda, com Sané chegando com uma enorme liberdade nas costas de Daniel Alves e cruzando rasteiro para a finalização muito ruim de Gündogan, que estava livre.

A Alemanha passou a dar muito, muito espaço. Por duas vezes, cruzamentos para a área na direção de Mario Gómez, ambos perigosos. No primeiro, a cabeçada foi travada. Na segunda, a cabeçada foi evitada, mas a bola sobrou para o centroavante finalizar para fora. A Alemanha, então, ganhou mais força.

Por duas vezes, Mario Gómez saiu na cara do gol, mas em ambas estava impedido. No segundo lance, aos 30 minutos, o lançamento veio de Boateng, já que os brasileiros fechavam todas as opções de passe mais próximas.

Aos 35 minutos, o Brasil tentava bloquear a Alemanha e, quando conseguiu recuperar a bola, errou na saída. A bola sobrou para Plattenhardt, que cruzou com muito perigo e a bola chegou ao outro lateral, Kimmich, que cabecou por cima. Logo depois, a resposta brasileira veio em uma chance muito clara. Gabriel Jesus chegou sozinho, em posição de impedimento, ele avançou, limpou a marcação e, dentro da área, chutou para fora.

Logo depois, porém, o Brasil recuperou a bola no campo de ataque, Willian recebeu a bola pela direita e cruzou perfeitamente na cabeça de Gabriel Jesus. A bola foi em cima do goleiro Trapp, mas pela curta distância, o alemão se enrolou e entrou com bola e tudo. Brasil 1 a 0, aos 37 minutos.

O árbitro não deu nem um minuto de acréscimo. Brasil deu espaços, especialmente nas laterais e Alemanha levou perigo no primeiro tempo. Seleção conseguiu alguns lances de perigo e em um marcou o gol. Um jogo equilibrado, em que o Brasil mostrou alguns problemas, mas conseguiu sair vencendo.

No segundo tempo, a Alemanha continuou dominando as ações no meio-campo e se aproximando da área brasileira. Obrigou Alisson a uma saída de bola arrojada em um dos perigosos lançamentos para a área.

O Brasil foi quem primeiro chegou com perigo na segunda etapa. Em uma bola roubada campo de ataque, Paulinho tocou para Coutinho, que ameaçou e deixou a bola passar para Willian, sozinho. Ele chutou forte, a bola explodiu na defesa e voltou para Paulinho, que dominou, limpou a jogada e chutou forte, para defesa de Trapp.

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A Seleção continuava perigosa. Mais uma vez rapidamente chegou ao ataque pela esquerda, com Coutinho recebendo próximo da área, da esquerda para dentro, e soltou um chute forte de fora da área que passu por cima.

Nos primeiros 15 minutos do segundo tempo, o Brasil era melhor e sufocava a saída de bola, deixando a Alemanha com poucas opções. Löw fez três alterações no time antes dos 20 minutos. Saíram Goretzka, Sané e Mario Gómez para as entradas de Brandt, Stindl e Sandro Wagner. A Alemanha tentou ir mais ao ataque e, como no primeiro tempo, via as laterais brasileiras como pontos fracos para atacar. Por ali, com cruzamentos, tentava ameaçar. Apesar dos espaços dados, o Brasil conseguiu rechaçar os ataques alemães.

Os alemães, porém, insistiam nas jogadas pelos lados, com ultrapassagens. A marcação brasileira sofria. E os cruzamentos levavam muito perigo. Especialmente com Sandro Wagner em campo. Por duas vezes, os cruzamentos foram endereçados a ele.

Dominando a posse de bola, a Alemanha tentava abrir a defesa do Brasil e colocava mais e mais atacantes em campo. E rondava perigosamente a área brasileira. Não conseguia nenhuma finalização de muito perigo. O Brasil, então, se armava para o contra-ataque. A entrada de Douglas Costa no lugar de Philippe Coutinho tornou isso ainda mais evidente.

Como a Alemanha não conseguia entrar na área com passes, a Alemanha cruzava para a área. E praticamente todos os cruzamentos levaram perigo. Miranda e Thiago Silva foram bem na marcação e conseguiam aliviar, mas o Brasil não conseguia se posicionar para impedir os cruzamentos. A Seleção se defendia muito, pressionada pelo jogo da Alemanha, que, por sua vez, usava e abusava das bolas aéreas. Cruzamentos a todo momento, buscando um gol no abafa. Não saiu.

Destaque para a atuação de Thiago Silva e Miranda, ambos muito bem no centro da defesa. Nas laterais, porém, o time sofre bastante, mais no primeiro tempo que no segundo. A segunda etapa teve um time brasileiro um pouco mais postado defensivamente, mas ainda assim sofrendo muitos cruzamentos para a área.

No final, um bom teste para o Brasil diante da Alemanha, ainda que com muitos reservas. Foi um time competitivo e mostrou algumas qualidades defensivas, mesmo sofrendo com os cruzamentos. O que deixou preocupação foi os espaços dados nas laterais e a liberdade dos jogadores para tabelas contra os jogadores de lado de campo.

Por outro lado, ofensivamente o time vai muito bem pelos lados, especialmente com Willian. O meia do Chelsea está em grande fase, fez mais um ótimo jogo e mostrou que pode ser competitiva. Se corrigir os problemas de marcação pelos lados para sofrer menos, tem ainda mais chance de ser um time para encarar as maiores potências, mesmo nos melhores dias.

No mais, Tite fez só uma substituição na partida, o que indica que ele já tem o grupo definido. Ou algo muito próximo disso. Willian e Douglas Costa mostraram qualidades para jogarem muitas vezes na Copa. Renato Augusto, que mais uma vez ficou só no banco, parece mesmo ter perdido a posição no meio. Aliás, o técnico brasileiro precisará se virar para colocar Willian no time, porque o jogador está jogando demais. Fernandinho, pelo meio, foi bem. Ganhou pontos para atuar por ali nos jogos mais importantes, eventualmente os mais difíceis.

A Alemanha sabia que sem alguns dos seus principais jogadores, teria muito mais dificuldade de executar o melhor do seu jogo. Tirar os jogadores tirou a pressão do jogo. A invencibilidade de 22 jogos era irrelevante e é o de menos. Löw pode ver alguns dos seus jogadores testados em campo, com Sané indo bem e Goretzka também mostrando qualidades. A definição do elenco de 23 jogadores será um desafio para o técnico alemão, que realmente tem excelentes opções – ainda mais se pensarmos que alguns nomes, como Marco Reus e mesmo Mario Götze e André Schürrle ficaram fora da lista. Estes dois últimos correndo sério risco de não irem à Copa.

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FICHA TÉCNICA

Alemanha 0x1 Brasil

Local: Olympiastadion, em Berlim (ALE)
Árbitro: Jonas Eriksson (SUE)
Gols: Gabriel Jesus aos 35’/1T (Brasil)
Cartões amarelos: nenhum
Cartões vermelhos: nenhum

Alemanha

Kevin Trapp; Joshua Kimmich, Jérôme Boateng (Niklas Süle, 23’/2T), Antonio Rüdiger e Marvin Plattenhardt; Toni Kroos e Ilkay Gündogan (Timo Werner, 35’/2T); Julian Draxler, Leon Goretzka (Julian Brandt aos 15’/2T) e Leroy Sané (Lars Stindl aos 15’/2T); Mario Gómez (Sandro Wagner aos 16’/2T). Técnico: Joachim Löw

Brasil

Alisson; Daniel Alves, Thiago Silva, Miranda e Marcelo; Casemiro, Fernandinho e Paulinho; Willian, Philippe Coutinho (Douglas Costa aos 28’/2T) e Gabriel Jesus. Técnico: Tite


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