Para respaldar um clube internacionalmente, mais importante que as mudanças na marca, são os resultados e o futebol praticado. Por isso mesmo, o salto almejado pelo Athletico Paranaense pouco depende da transformação de nome e símbolos realizada recentemente. A conquista da Copa Sul-Americana teve peso incomparavelmente maior. Assim como esta Libertadores, ao que tudo indica, também deve ajudar no respeito ao Furacão. A campanha é notável, sobretudo após a vitória acachapante contra o Boca Juniors. O time de Tiago Nunes continua praticando um futebol atrativo e intenso. Além do mais, possui jogadores com talento suficiente para prender os olhos. Bruno Guimarães é um deles. Nesta terça-feira, o jovem fez uma boa partida na Arena da Baixada. Ajudou os rubro-negros a dominarem o Deportes Tolima, ainda que o troco pela derrota na Colômbia tenha sido magro: vitória por 1 a 0, graças ao gol anotado pelo meio-campista. O resultado encaminha os paranaenses aos mata-matas.

Desde os primeiros minutos, ficou claro que seria um jogo entre ataque e defesa. O Athletico impôs o seu controle e passou a dominar as ações no campo de ataque – mas com um ritmo mais baixo do que o visto contra o Boca. O Tolima preferia recuar e aguardava uma bola em que pudesse agredir os rubro-negros, embora o empate não parecesse mau resultado. Os colombianos contavam com a presença física de seu sistema defensivo, graças a jogadores bastante altos para evitar os perigos. Assim, não restava outra alternativa ao Furacão senão insistir. E era aí que Bruno Guimarães mais aparecia.

O meio-campista era o principal responsável por organizar a superioridade do Athletico. A partir da faixa central, fazia um pouco de tudo para empurrar os rubro-negros, apesar dos erros mais frequentes que o seu normal. Distribuía passes, avançava no apoio, tentava limpar a marcação. O problema era também a solidez da zaga do Tolima, que mal deixava os atleticanos finalizarem. Apesar da posse de bola bem maior, as brechas foram raras. Marco Rubén esteve enclausurado e as duas linhas de marcação concederam apenas oportunidades sem riscos aos anfitriões. Mesmo amassando os colombianos, os paranaenses estavam distantes de cumprir sua missão. Não funcionavam nem mesmo as válvulas de escape pelas pontas, com Rony e Nikão.

No segundo tempo, o Athletico conseguiu ser mais agressivo. O Tolima pareceu menos concentrado e o Furacão rompia o paredão montado à sua frente. Os primeiros minutos foram de pura pressão, exigindo bem mais do goleiro Álvaro Montero. Ele faria duas ótimas defesas antes dos dez, incluindo um milagre em desvio de Renan Lodi, que ainda bateu no travessão. Rony era outro que incomodava e chegou a acertar o lado de fora da rede. Mesmo que a sequência de lances de perigo não tenha se mantido, o Furacão ganhava confiança em busca da vitória. O que realmente aconteceu, graças a Bruno Guimarães.

O gol decisivo aconteceu aos 33 minutos e, a bem da verdade, dependeu bastante da sorte do meio-campista. O chute de fora da área nem parecia levar muito perigo, mas desviou no marcador e saiu do alcance de Montero. Um prêmio à forma inteligente que o camisa 16 jogava. Os sinais de seu amadurecimento, aos 21 anos, são claros. Se já vinha de uma excelente participação na Sul-Americana de 2018, Bruno Guimarães dá novas mostras de que pode buscar grandes objetivos em sua carreira. Qualidade não falta ao volante, que participa muito e também influencia muito ao seu redor. O tento seria o desafogo do Athletico, que se manteve na dianteira e poderia ter ampliado nos instantes derradeiros. Já o grand finale de Bruno veio nos acréscimos, com uma caneta desconcertante no marcador.

O Athletico está praticamente classificado na Libertadores. Lidera o Grupo G com nove pontos, cinco a mais que Boca Juniors e Tolima. Os últimos compromissos fora de casa, contra Jorge Wilstermann e o próprio Boca, podem até complicar a vida do Furacão. Mas a maneira como o time vem jogando torna difícil acreditar em uma derrocada. Sobra personalidade aos rubro-negros, como bem se viu na Baixada. E, mais do que um time para estar presente nos mata-matas, também possui potencial para avançar às fases mais agudas.