O Paris Saint-Germain teve uma janela de transferências bastante quieta no mês de janeiro. A única conversa séria de movimentação girou em torno de Edinson Cavani, ídolo do clube que perdera espaço na atual temporada e, a seis meses do fim de seu contrato, negociava sua saída, muito provavelmente para o Atlético de Madrid. Isso acabou não acontecendo, e o uruguaio irá ao menos terminar a atual campanha em Paris. Um pequeno percalço na carreira do atacante, mas também uma oportunidade para enxergamos melhor a sua maneira de ver o futebol.

Em entrevista ao El País do Uruguai, Cavani foi contundente ao deixar no passado o episódio de sua quase saída em janeiro. “É coisa do passado, e às vezes é bom deixar essas coisas para trás. Foi um mês especial e muito difícil para mim”, comentou. Destacando a história que construiu até agora no PSG, disse que ficou feliz em permanecer no clube e explicou: “Paris me deu tanto. Estou aqui para continuar a minha aventura em Paris, estou feliz e orgulhoso dela”.

Ao fim da temporada 2019/20, Cavani completará sete anos na equipe parisiense. Uma porção significativa de sua história pessoal e também a do clube, em um período em que se consolidou como talvez a figura de maior relação com a torcida parisiense desde o início da era Catar. E Cavani mostra entender essa dimensão.

“Uma pequena história foi criada neste clube. É uma grande aventura na minha vida, na minha carreira. Espero me divertir com o PSG (…) Estou orgulhoso de saber que posso deixar uma pequena marca na história do clube. (Uma pequena marca) Para os fãs, porque eles me deram confiança todos os dias.”

Aos 33 anos, com experiência de sobra no futebol, opta por um caminho conciliador para falar de sua permanência, em vez de focar algum ângulo negativo sobre a dificuldade que a diretoria impôs à sua saída.

“Vou continuar dando o meu melhor até o último dia que passar aqui. É difícil para todos os jogadores passar por momentos como este, mas faz parte do nosso trabalho, o futebol. Não há nada a criticar. Só trabalhar, trabalhar, trabalhar de novo. Porque, no final, só esses sacrifícios lhe permitem seguir avançando”, avaliou.

Como se tratava de sua primeira entrevista exclusiva desde a permanência em Paris, endereçou algumas de suas palavras também à torcida, aproveitando a oportunidade para retribuir o carinho basicamente irrestrito que recebeu em todos estes anos. “Os torcedores já me apoiaram muitas vezes. Só posso agradecer-lhes pelo calor que nos dão todos os dias, especialmente a mim, em tempos difíceis ou de alegria. A única forma de lhes agradecer é dar o meu melhor, 100% no campo. Vai ser assim até ao fim.”

No último fim de semana, na vitória por 4 a 3 sobre o Bordeaux no Parque dos Príncipes, Cavani chegou ao gol de número 200 com a camisa do PSG. É o maior artilheiro da história do clube, com alguma sobra para o segundo colocado, Zlatan Ibrahimovic, que fez 156. O português Pauleta completa o pódio, com 109 gols, e na sequência vêm três nomes do atual elenco parisiense: Kylian Mbappé (85), Ángel Di María (81) e Neymar (67). O brasileiro ultrapassou há pouco tempo um conterrâneo que marcou época na capital francesa. Entre 1993 e 1998, Raí anotou 66 gols pelo PSG.