A confiança inabalável em seus jogadores era um dos grandes trunfos de Arsène Wenger e não sua maior fraqueza. Essa é a opinião de Per Mertesacker, ex-zagueiro e capitão do Arsenal que pendurou as chuteiras no mesmo momento em que o reinado de 22 anos do francês chegou ao fim, em 2018, após mais de uma década de jejum na Premier League.

O alemão afirmou em sua autobiografia Per Mertesacker: Big Friendly German que foram os jogadores quem decepcionaram Wenger ao longo desses anos problemáticos, especialmente pela falta de consistência. Usou como exemplo o fato de o Arsenal ter vencido três vezes a Copa da Inglaterra na reta final do trabalho do francês.

“Conseguíamos mostrar nossa classe ao longo de seis jogos da Copa da Inglaterra, mas, em 38 partidas de liga durante 10 meses, era diferente. Nós simplesmente não tínhamos a consistência que os melhores times precisam”, afirmou. “Não dá para vencer a liga com oito derrotas por ano”.

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“Arsène Wenger sempre foi o tipo de treinador cuja confiança nas qualidades do seu time era firme como uma rocha e que abordava os assuntos com uma paciência sem fim. Ele não perdia a calma durante sequência de derrotas. Ele mantinha suas convicções e seus jogadores, sem se importar com a força com a qual o vento soprava. Era sua maior força”, completou.

No entanto, torcedores e críticos apontavam esse excesso de convicção, muitas vezes caindo à teimosia, como um dos seus principais defeitos, opinião da qual Mertesacker discorda.

“Pensar se também era sua maior fraqueza ou se ele era brando demais conosco é, para mim, um pouco simplista demais. Se fosse do jeito dos torcedores, haveria cinco grandes contratações todos os anos. ‘Gaste dinheiro, porra!’ gritavam das arquibancadas após derrotas”, afirmou.

“Mas Wenger confiava nos jogadores que tinha. Eu nunca conheci um treinador que acreditasse com tanta convicção na habilidade da sua equipe. No fim das contas, os jogadores têm que se perguntar se fizemos todo o possível para justificar sua confiança”.

“Nós implementamos suas instruções perfeitamente? Estávamos juntos? Aprendemos com nossos erros? não. Wenger ganhou três títulos da Premier League, o que é prova suficiente da sua posição como treinador. O time, por outro lado, tem devido desde 2004”, encerrou.