Dries Mertens já tinha mais de três temporadas como jogador do Napoli, atuando pelas pontas, como havia feito até ali em sua carreira, quando Maurizio Sarri, então técnico dos Partenopei, resolveu colocá-lo em uma posição mais central no setor ofensivo, como centroavante. O impacto foi imediato, e até hoje o belga agradece ao treinador pela escolha que “mudou sua vida”.

Mertens foi contratado em 2013 pelo Napoli, vindo do PSV, enquanto Sarri chegou ao comando da equipe em 2015. Na primeira temporada com o técnico, ainda jogando pelos lados, o ágil ponta não era tão aproveitado. Ele revela que mantinha conversas com Sarri sobre o descontentamento com a reserva, e o italiano lhe pedia paciência. Mal sabia ele que, no segundo ano do treinador no clube, a espera valeria tanto a pena.

“Na primeira temporada com o Sarri, eu joguei apenas seis partidas como titular, então eu estava sempre bravo, mas ele dizia: ‘Você é muito importante para mim, para o time. Não se preocupe, você terá suas chances’. Um dia, ele me colocou como atacante, e fico muito feliz que ele tenha feito isso, porque mudou a minha vida. Ele simplesmente me colocou lá e disse: ‘Tenho certeza que você se sairá bem'”, revelou Mertens ao site da Uefa.

De fato, ele se saiu bem. Em sua primeira temporada jogando mais centralizado, em 2016/17, desandou a fazer gols. Na Serie A, foram 28 tentos em 35 partidas, além de oito assistências. Na Champions League, mais cinco gols em oito jogos. As duas campanhas seguintes, 2017/18 e 2018/19, esta última já sem Sarri, não foram tão prolíficas, mas ainda assim o belga teve ótimos números, com 22 e 19 gols, respectivamente. Na atual campanha, são 16 gols marcados em 38 jogos, além do status de maior artilheiro da história do clube, com 125 gols. O lastro é suficiente para dizer que Sarri soube identificar o matador que existia dentro de Mertens, que nunca mais foi o mesmo desde então.

Vale apontar que o bom número deste ano acontece em uma temporada de instabilidade, que começou com Ancelotti no comando e agora termina com Gattuso, que não é exatamente do tipo que favoriza um futebol mais ofensivo. Ainda assim, tem o reconhecimento do belga, uma das grandes figuras do time.

“Ele é um técnico muito bom. Acho que ele é o treinador perfeito neste momento para o Napoli, porque também está dando muitas oportunidades aos jogadores jovens, e acho que ele pode ser um técnico muito bom para o futuro. Ele venceu muitos troféus como jogador e sabe o que significa vencer. Isso era algo que estava faltando no time. Você sentia também com o Ancelotti, porque ele era uma treinador que havia vencido muito e estava disposto a colocar isso na cabeça dos jogadores, a mudar aquela mentalidade de antes.”

Todos os gols, a regularidade e o protagonismo de Mertens ajudaram-no a se tornar um favorito dos torcedores napolitanos, mas outro lado contribui bastante para isso: a identificação do jogador com a cidade de Napoli. Ele se adaptou tão bem à vida no sul da Itália que o belga Dries virou o napolitano “Ciro”.

“Eles me chamam de ‘Ciro’, que é um nome típico de Napoli, e acho que é porque comecei a viver como eles. Vou bastante à cidade, amo a comida, o mar, amo todas as ilhas aqui.”

A identificação com a comunidade local se fez facilitada também pela paixão maluca dos napolitanos pelo futebol, que não encontra muitos paralelos na Europa. “As pessoas respiram futebol. Não são só as pessoas jovens ou até os 40 anos de idade, mas também as avós, as crianças pequenas, é maluco! Acho que isso é algo especial da Itália: acordar, tomar café durante a manhã e falar só de futebol.”