O Napoli que nos acostumamos a ver nos últimos anos era ofensivo, sempre muito envolvente e conseguia fazer com que qualquer time sofresse, especialmente jogando no Estádio San Paolo. Só que o Napoli de Gennaro Gattuso é diferente e fez a Internazionale sofrer, mas com um sistema defensivo muito forte. Em casa, o time conseguiu segurar um empate por 1 a 1, depois de vencer em Milão por 1 a 0 antes da parada, e assim vai decidir a Copa da Itália com a Juventus na próxima quarta-feira, 17 de junho. Os dois times conquistaram a classificação com empates em casa depois de venceram os duelos fora.

Antes do jogo, assim como aconteceu em Turim no jogo entre Juventus e Milan, os jogadores homenagearam os profissionais que saúde, que fizeram a linha de frente no combate ao coronavírus que paralisou o mundo. Mais uma bela cena em um dos países que mais foram afetados pela crise sanitária.

Antonio Conte decidiu escalar o time com uma leve mudança tática em relação ao que era feito antes da paralisação. No seu esquema de três defensores, mudou a configuração do meio-campo para ter dois jogadores mais alinhados, Marcelo Brozovic e Nicolò Barella, e adiantou Christian Erikssen para encostar nos dois atacantes. Gattuso, por sua vez, montou um time muito forte no meio-campo com Diego Demme, Piotr Zielinski e Eljif Elmas.

Logo no primeiro lance do jogo, um escanteio cedido para a Inter foi fatal. Erikssen cobrou o escanteio, a bola desviou de leve na primeira trave e o goleiro Ospina não conseguiu defender: Inter 1 a 0. Em menos de dois minutos, a Inter tirou a diferença que o Napoli conquistou no primeiro jogo e igualou tudo.

O cenário do jogo era claro: o Napoli se colocava mais atrás, dando espaço para a Inter ficar com a bola a maior parte do tempo. Em compensação, tentava agredir nos contra-ataques em velocidade. Mertens era o jogador mais perigoso, especialmente em chutes de fora da área, sempre buscando o ângulo. Usando muito os lados do campo, a Inter cruzou quatro vezes na área levando algum perigo, mas nenhum deles foi certo.

Embora a Inter tenha chegado com mais perigo ao longo da primeira etapa, como em um chute de Candreva, que Ospina defendeu, foi o Napoli que arrancou o gol no final do primeiro tempo. Depois de um escanteio para a Inter, Ospina lançou para Insigne, que pegou a defesa da Inter desarrumada. O atacante arrancou com velocidade, passou pela marcação na correria e tocou para o meio. Mertens chegou finalizando: 1 a 1 no placar, aos 41 minutos. O jogador, que tem contrato só até o final da temporada, já tem alinhada uma renovação para permanecer ao menos mais uma temporada em Nápoles, onde é carinhosamente chamado de ‘Ciro’.

O gol tem um caráter histórico. Aos 33 anos, Mertens chegou a 122 gols marcados com a camisa do Napoli, deixando para trás o eslovaco Marek Hamsik e tornando-se o maior artilheiro da história do clube. Os 122 gols foram marcados em 310 jogos, contando apenas os oficiais. Hamsik, que é meio-campista e atualmente está na China, jogou 520 jogos para chegar aos 121 gols.

O segundo tempo começou mais equilibrado que o primeiro. A Inter precisava de um gol, se não seria eliminada, e o Napoli começou a parecer mais perigoso quando descia ao ataque. Por isso, o técnico Antonio Conte resolveu mexer. De uma vez, fez três mudanças entre as cinco possíveis: tirou Ashley Young, Lautaro Martínez e Antonio Candreva e colocou Cristiano Biraghi, Alexis Sánchez e Victor Moses. Uma tentativa de tornar o ataque um pouco mais perigoso ao mexer nas duas alas e em um dos ataques – Lautaro esteve muito apagado no tempo em campo. Eram 27 minutos do segundo tempo.

O time melhorou em campo. Sánchez, Moses e Biraghi apareceram para o jogo e o time começou a trabalhar bem melhor a bola no momento decisivo. Aos 36 minutos, uma grande chance. Biraghi tocou para Lukaku, que devolveu ao ala para cruzar rasteiro para Sánchez, dentro da área. O chileno rolou de costas para Erikssen, que chutou forte, Ospina defendeu e no rebote Moses chegou chutando, mas mandando longe do gol. Um lance de muito perigo.

O Napoli parecia confortável no seu jogo, com um jogo de mais rigor defensivo, sem dar espaços e posicionada bem atrás. O técnico Gennaro Gattuso aproveitou para manter o vigor físico do time com as entradas de Allan e Amin Younes nos lugares de Zielinsk e Lorenzo Insigne.

Confortavelmente bem posicionado na defesa, o Napoli fechou a entrada da sua área e permitia apenas que a Inter chegasse pelos lados do campo. Vieram os cruzamentos, mas a Inter não conseguiu aproveitar. O time de Gattuso se manteve seguro, defensivamente sólido e superou uma Inter mais técnica, que atacou ais, mas que não soube criar chances realmente claras de gol. Ofensivamente, o time de Conte ficou devendo e as próprias alterações do técnico não pareceram favorecer esse aspecto.

A decisão da Copa da Itália será na próxima quarta-feira, 17, em Roma, entre Juventus e Napoli. Maurizio Sarri terá a chance de conquistar o seu primeiro título pela Juventus justamente contra o clube que o projetou. Por outro lado, Gattuso terá a chance de conquistar uma taça pelo clube, algo que Sarri não conseguiu. E isso ainda significaria derrotar a Juventus de Sarri. Um enredo para lá de interessante para o jogo. A transmissão exclusiva é do DAZN (Clique aqui, assine e ganhe 30 dias grátis – e ainda ajude a Trivela, que ganha uma comissão).