Assim que foi rebaixado para a Série B em 2007, o Corinthians anunciou um de seus primeiros reforços: Antônio Carlos, zagueiro do Santos. Mas não era para o elenco profissional, e sim para a direção – o que, com justiça, causou críticas na época. O novo dirigente, remunerado, chegou com a missão de ajudar a organizar um clube que, em sua gestão anterior, sofria com a falta de referências efetivas no dia-a-dia. Pouco mais de um ano depois, é possível notar a competência no trabalho do ex-jogador, e a funcionalidade das coisas no Parque São Jorge também, aos poucos, foi mudando.

Copiando algumas iniciativas do Corinthians, o Vasco, que também veio de uma gestão conturbada e tinha sérios problemas diretivos, deu um passo ousado e que tem tudo para dar certo. No início desta semana, o Roberto Dinamite, presidente vascaíno, confirmou o acerto com Rodrigo Caetano que, após trabalhos de primeiríssima linha com RS Futebol e Grêmio, será o responsável por administrar o cotidiano vascaíno.

Essa nova leva de dirigentes profissionais traz um modelo cada vez mais ganhando espaço no círculo de grandes clubes brasileiros. Da era do amadorismo e de dirigentes falastrões, muitas vezes confundindo suas figuras com a de torcedores, o futebol vem entendendo a necessidade de ter gente com formação, remuneração e, claro, metas a serem cumpridas.

Esse modelo, de metas e obrigações, é indicado como responsável pelo que se transformou o Internacional nos últimos seis anos, da quase queda em 2002 para o sucesso das últimas temporadas. Um dos cases de marketing mais bem sucedidos no futebol brasileiro, o Colorado virou sinônimo de organização, boa infra-estrutura, fidelização de seus torcedores e, claro, grandes resultados.

No Grêmio, que também segue caminho parecido, Rodrigo Caetano – o novo reforço do Vasco -, conquistou o respeito de torcedores, imprensa e demais dirigentes. Tanto que, de inicialmente uma espécie de coordenador das categorias de base, se tornou o principal diretor efetivamente após a saída de Paulo Pelaipe. Seja participando da transição de nomes como Lucas, Anderson e Carlos Eduardo aos profissionais, ou seja na participação na montagem do elenco vice-campeão brasileiro em 2008, Caetano tem resultados para mostrar. O que, claro, atraiu o interesse de Roberto Dinamite, carente de um nome como o ex-dirigente gremista o auxiliando em seu gabinete.

Jamelli, prestes a completar um ano no Coritiba, é outro ex-jogador que se destaca pelo perfil como diretor no Couto Pereira. Após um trabalho bem sucedido no Barueri, o meia de Santos, São Paulo e Corinthians, entre outros, somou sua experiência acumulada como atleta, inclusive na primeira divisão espanhola, à formação a que se submeteu após pendurar as chuteiras.

É possível identificar no Coritiba, assim como no Corinthians e no Grêmio – quando com Rodrigo Caetano -, uma fórmula de trabalhar bastante transparente, organizada e diferente do funcionamento, por exemplo, de quando Luiz Henrique de Menezes ou Ilton José da Costa estavam no Parque São Jorge. Ilton, aliás, é de péssima lembrança para dirigentes também de Santos e Palmeiras.

Mesmo que com muita coisa a melhorar, o futebol brasileiro tem dado alguns passos adiante. Abrir espaço para dirigentes profissionais e especializados é um caminho comum em clubes das principais ligas européias, e que tem tudo para ser cada vez mais difundido por nossos gramados.

Problemas para Luxa: Palmeiras-09 começa quase do zero

Marcos; Élder Granja, Gustavo, Gladstone e Leandro; Pierre e Martinez; Evandro e Diego Souza; Kléber e Alex Mineiro. Esses onze jogadores formaram a espinha dorsal palmeirense no segundo semestre de 2008. Desses, apenas cinco ainda continuam sob as ordens de Luxemburgo – caso Kléber acabe ficando, o número sobe para seis. Uma falta de continuidade preocupante para uma equipe que se qualificou para a Libertadores de 2009. Ao invés de evoluir, o Palmeiras se reformulou.

A situação complicada vem motivando protestos e faz, do Palmeiras, o grande clube teoricamente mais defasado em São Paulo. A reapresentação do elenco no início desta semana foi marcada pela presença hostil da Mancha Verde, que fez protestos contra a parceria com a Traffic e as dificuldades em manter Kléber, em alta após a reta final do Brasileiro-08. A grande explicação para a situação palmeirense é a disputa política entre a situação, que teve ter Luiz Gonzaga Beluzzo como candidato, e a oposição, encabeçada por Roberto Frizzo. Esse processo tem atrasado definições no Parque Antártica e dividido as atenções, inegavelmente.

A situação é tão preocupante para Vanderlei Luxemburgo que, para montar uma dupla de ataque, ele só tem três opções: Lenny, de desempenho pífio em 2008; Max, retornando de um empréstimo mal sucedido; e Daniel Lovinho, promovido dos juniores. A direção ainda batalha por Keirrison e Kléber, mas já daqui exatos 21 dias o Palmeiras tem um compromisso importantíssimo: viaja até a Bolívia para enfrentar o Real Potosí.

Há outras posições ainda carentes no Palmeiras. Especialmente nas laterais, Luxemburgo, que perdeu Leandro para o Fluminense, precisará ser certeiro. Armero, titular da seleção colombiana, é uma aposta válida, mas não pode ser encarado como uma certeza. Fabinho Capixaba e Jéfferson, respectivamente para a direita e a esquerda, não convenceram em 2008. E não há ainda mais ninguém.

Ainda que o Palmeiras contrate, Luxemburgo precisará de habilidade para pôr uma equipe forte e, principalmente, fisicamente suficiente para enfrentar a altitude de Potosí. Um resultado ruim na Bolívia, logo no início da temporada, não seria uma grande surpresa pelo que vem se desenhando.