Mentor do Leicester, Nigel Pearson agora opera um pequeno milagre com o Watford e bateu o Wolverhampton

Nigel Pearson costuma receber um reconhecimento menor do que deveria pelo grande trabalho que realizou à frente do Leicester. Treinador das Raposas por quatro anos, o inglês conquistou o acesso à Premier League em 2014 e também liderou a fantástica reação para evitar o rebaixamento em 2015. Sem boa relação com a diretoria e com o filho envolvido em um escândalo, saiu para a entrada de Claudio Ranieri, mas teve muita influência sobre o time que conquistou o surpreendente título em 2016. E neste recomeço na Premier League, Pearson volta a apresentar seu valor. Ele é o principal responsável por tirar o Watford da lanterna. Nesta quarta, os Hornets conquistaram um resultado excepcional, com o triunfo por 2 a 1 sobre o Wolverhampton em Vicarage Road.

Depois de deixar o Leicester, Nigel Pearson não teve grandes oportunidades. Até dirigiu o Derby County no início da Championship 2016/17, mas não conquistou bons resultados e durou apenas 12 partidas no cargo, também ao se desentender com os chefes. Já em setembro de 2017, Pearson fez as pazes com os donos do Leicester para assumir o outro clube da King Power, o OH Leuven, na segundona do Campeonato Belga. O comandante brigou pelo acesso na primeira temporada, sem conquistá-lo, mas correu riscos de rebaixamento no segundo ano e interrompeu seu trabalho em fevereiro. Já no início de dezembro, recebeu uma chance um pouco mais digna, apesar da bomba que encontraria no Watford.

Apenas no primeiro turno da Premier League, o Watford já tinha demitido dois treinadores. Os Hornets conquistaram apenas uma vitória nas primeiras 16 rodadas e não tinham saído em nenhum momento da zona de rebaixamento. Pearson estreou com derrota para o Liverpool, é verdade, mas deu muito trabalho aos líderes do campeonato. E a melhora tomou forma nas semanas seguintes. A equipe já emenda uma sequência de quatro rodadas de invencibilidade. Ganhou de Manchester United e Aston Villa, além de empatar com o Sheffield United. Nesta quarta, veio um baita resultado contra o Wolverhampton.

Após uma boa intervenção de Ben Foster para evitar o primeiro gol adversário, o Watford abriu o placar aos 30. Ismaïla Sarr passou e Gerard Deulofeu acertou o chute cruzado, no canto de Rui Patrício. Já aos quatro minutos do segundo tempo, Abdoulaye Doucouré pegou uma sobra e contou com o chute desviado para ampliar. Pedro Neto descontou aos 15 e o Wolverhampton ficaria com um jogador a mais, após a contestável expulsão de Christian Kabasele. Mesmo assim, os Hornets seguraram a pressão e celebraram o triunfo com a torcida em Vicarage Road.

Durante a semana, o capitão Troy Deeney havia apontado a mentalidade de Nigel Pearson como fator decisivo nesta reação: “Se você não comprar a ideia de Pearson, não estará aqui. Ele me malhou algumas vezes, mas tem sido brilhante comigo. Pela primeira vez em oito anos, sou tratado realmente como um homem. Se isso acontece e você recebe respeito, retribui. É o que o chefe tem feito”. Em campo, nota-se um time bem mais empenhado e interessado.

Por seu elenco, estava claro que o Watford não deveria fazer uma campanha tão ruim na Premier League. No entanto, dois treinadores passaram pela casamata e a situação continuava claudicante. Nigel Pearson tornou-se o “fato novo” que deu certo e garante um respiro, ainda que a caminhada seja longa. Os Hornets ocupam a penúltima colocação, mas já estão a dois pontos de deixar o Z-3. Além disso, oito dos 17 gols que o time anotou na campanha até o momento vieram nestas últimas quatro rodadas. A reação é positiva e cria esperanças na permanência. Já na metade de cima da tabela, o Wolverhampton, que vinha de ótimas atuações contra Manchester City e Liverpool, estaciona na sétima colocação.

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