César Luis Menotti é uma das maiores referências em futebol quando se fala em Argentina. O treinador foi o comandante da bem-sucedida seleção de 1978, campeã mundial pela primeira vez. Sempre com uma opinião muito ouvida no país, Menotti fez críticas à gestão da AFA, especificamente ao presidente Claudio Tapia, e também a só considerarem para técnicos os argentinos no exterior.

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“O futebol argentino está em uma situação catastrófica. Este momento do futebol argentino é um momento de tensão. Eles têm dois meses para se reunirem com todos os treinadores que querem. Que jogue o sub-17 enquanto isso, a Argentina sem [Lionel] Messi vale tanto quanto o sub-17”, disse Menotti, em entrevista à rádio Cooperativa.

O ex-treinador também criticou Claudio Tapia, o presidente da AFA. “Tapia é um homem que não tem experiência de onde se meteu. Isso é muito mais grave que ser dirigente sindical. Me parece que está sozinho e quer resolver os problemas. Não o aconselham bem. Como vai fazer isso quando não tem treinador?”, afirmou Menotti.

Para o ex-treinador da Argentina, alguém deveria ter dito a Tapia que não convém viajar à Espanha para tratar da sede da AFA em Marbella, supostamente para treinar talentos jovens argentinos que estão na Europa. “Há uma ansiedade de querer resolver temas que não se resolveram nos últimos 20 anos. Querem resolver em uma semana. O presidente não tem que participar das coisas que são arriscadas e incômodas. Eu não ofendo a honra de Tapia. Não era o momento de ir ao prédio de Marbella. Não deveria ter ido neste momento”, disse ele.

Menotti considera que Sampaoli foi um atraso na seleção argentina por ter muita improvisação e que perguntar a Messi quem deve ser o próximo treinador é um grave erro. “Eu, como técnico, acredito que posso ensinar as coisas melhor. Eu vi o progresso de Diego [Maradona], ele sempre foi alguém que progrediu”.

O treinador fica incomodado com Guillermo Barros Schelotto, técnico do Boca Juniors, não ser considerado para ser técnico da seleção argentina. “Se ganhou os dois últimos campeonatos, que o incluam na lista de 200. Vejo o presidente do Boca [Daniel Angeleci] propondo o técnico do River [Marcelo Gallardo]. É meio cômico”, afirmou Menotti.

“Cada um move as suas fichas. O entorno de Tapia não deveria opinar, que se discuta dentro. Não pode haver um candidato para cada membro do comitê executivo. Há manobras em favor de que cada um quer colocar o que melhor lhe conviver.

Menotti, por fim, ainda criticou a ideia de levar à seleção um treinador que esteja muito tempo fora do país. “A Argentina necessita recuperação dos jogadores que estão aqui. Não pode esperar como estão os de fora. Colocam qualquer um que está desempregado como candidato”, criticou o histórico treinador argentino.

Entre os cotados para assumirem a seleção argentina estão José Pékerman, treinador que dirigiu a Colômbia nas duas últimas Copas, em 2014 e 2018. Ele é o treinador dos Cafeteros desde 2012. Antes disso, porém, ele fez carreira nas categorias de base da Argentina, dirigindo o time sub-20 de 1994 a 2001, do qual foi tricampeão em 1995, 1997 e 2001, e depois dirigindo a seleção argentina de 2004 até 2006, quando caiu para a Alemanha nas quartas de final. Depois, dirigiu Toluca e Tigres antes de assumir a Colômbia.

Outro candidato muito falado é Matías Almeyda, campeão da Champions League da Concacaf com o Chivas no primeiro semestre. Ele se demitiu em junho e já demonstrou interesse em treinar a albiceleste. Ramón Díaz também já se candidatou ao cargo em entrevista. Atualmente, ele está no comando do Al-Ittihad, da Arábia Saudita.


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