Um Paris Saint-Germain sentindo seus desfalques e com Cavani e Ibrahimovic não se entendendo em campo, mas um Paris Saint-Germain que esteve à altura do jogo. Assim foi o segundo tempo do duelo do time francês contra o Chelsea. Um segundo tempo dominado pelos parisienses, que fizeram um gol e ainda obrigaram Courtois a fazer boas defesas para impedir a virada.

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O problema é que isso não tem nenhuma conexão com o que se viu nos 45 minutos anteriores. Foi um PSG medroso, que deu campo ao adversário e parecia não ter uma estratégia clara de como usar isso em seu favor. Não havia contra-ataque, não havia uma jogada mais estruturada. Era só um time que recuou e deixou o adversário ficar com a bola.

O segundo tempo ousado foi criado pela urgência, pela necessidade de fazer algo de imediato diante do placar de 0 a 1. O primeiro tempo é resultado de um time que tem uma enorme desproporção de talentos em relação aos adversários locais, e que acaba não sabendo qual sua própria força. Um time que, de certa forma se nivela por baixo pela falta de concorrência.

O PSG tem um elenco entre os mais ricos da Europa. Tem um goleiro seguro, os dois zagueiros mais caros do planeta, dois volantes excelentes e dois dos atacantes mais perigosos do mundo. Pelo dinheiro que investiu e pelo grupo que formou, deveria entrar na Champions League se colocando como candidato a título. Como o Chelsea se coloca.

No entanto, o Paris Saint-Germain mostra, pela terceira temporada seguida, que sente falta de ritmo de decisão na hora do mata-mata da Champions. Teve momentos positivos, em que jogou à altura de seu potencial, mas foi eliminado por estar um tom abaixo de Barcelona e Chelsea.

Para o clube parisiense, faz falta estar em uma liga nacional que exija mais, obrigue o time a se desenvolver, dê a motivação aos jogadores, coloque a equipe em modo de decisão com mais constância. O PSG muitas vezes entra em campo na Ligue 1 como um grande brasileiro jogando no interior em um domingo à tarde de fevereiro no estadual: com preguiça e preocupado mais com o apito final do que em jogar.

O dinheiro da TV é bem distribuído na Ligue 1, em modelo muito semelhante ao inglês. O problema é que o montante geral não é tão grande, o que faz o investimento de um milionário excêntrico distorcer a relação de forças. Como ocorre com o Paris Saint-Germain nas últimas temporadas.

O fato de, nesta temporada, Lyon e Olympique de Marseille estarem na luta pelo título não muda o fato de o PSG não se sentir desafiado no dia a dia do Francesão. E o reflexo disso é uma equipe que tem um dos melhores elencos da Europa, mas parece estar sempre em início de temporada, ainda sem encaixar completamente as peças e com aquele ritmo de quem sente que nenhuma partida é decisiva.

Se Nasser Al-Khelaïfi, milionário catariano que comprou o PSG em 2011, quiser investir mais para levar seu time ao título da Champions, talvez a melhor opção não seria comprar jogador para o elenco parisiense. Sua equipe evoluiria mesmo se esses milhões fossem gastos para deixar Lorient, Nantes, Lens, Nice e Saint-Étienne mais fortes. O que essa equipe mais precisa é saber qual sua força, e colocá-la à prova todo fim de semana seria fundamental para isso.